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"Antigamente os cartazes nas ruas com rostos de criminosos oferecia recompensas, hoje em dia pede votos...
E o pior é que o BRASILEIRO dá...

Adriano Benayon

Autor do artigo: Adriano Benayon; Caricatura da pré-candidata Marina Silva para o <i>Estadão</i> - Batistão.Globalização Versus DesenvolvimentoNa beira de um precipício, só há uma maneira de seguir adiante dar um passo atrás. (G. K. Chesterton)

 A primeira leitura do livro de Adriano Benayon (Globalização versus conhecimento) me impactou porque na minha visão o autor revelava uma rara neutralidade ideológica encontrada no mundo de hoje.

Por outro lado fiquei com essa dúvida ao longo dos últimos 10 anos : embora o livro esteja isento de ideologias, o autor não deve ter atingido a pureza da ideologia zero! Provavelmente então eu não tenha percebido alguns traços ideológicos sutis nesta excelente obra da história contemporânea que tem por foco a economia. Vou precisar então fazer uma nova leitura até descobrir a ideologia oculta que está nas entrelinhas de pelo menos alguns trecho do livro.

Essa dúvida, porém, em si mesma, já contribuiu para a definição de ideologia que estamos construindo, as duras penas, já que existem dezenas e dezenas de conceitos diferentes de ideologia, uma das palavras que certamente está entre as mais vitimadas da história pela imprecisão linguística. Muitos autores consagrados escrevem suas definições – e cada um a seu modo – com uma facilidade surpreendente que revela a total ausência de espírito cientifico em suas mentes. A humanidade ainda sofre de um mal terrível que é a separação radical entre pensamento cientifico e não cientifico.

Muitos cientistas ratificam essa divisão desqualificando o pensamento não cientifico com a expressão “senso comum”, como se eles não fossem vitimas do mesmo mal quando o assunto objeto de seus pensamentos está fora do âmbito de suas atividades cientificas. Em outros palavra, o “espirito cientifico” destes cientistas só se revela, especificamente, quando abordam temas referentes às suas pesquisas cientificas. Lamentavelmente somos obrigado a concluir que estes cientistas na verdade não possuem “espírito cientifico”, pois este não se restringe a nenhuma categoria de pensamentos.

Um dos elementos chaves do espírito cientifico é precisamente a ausência de ideologias. O cientista se distingue de nós, pobres mortais, pelo fato de buscar sempre PROVAS convincentes para suas hipóteses e teorias. Porém o espírito cientifico vai além das provas – e das evidências que dispensam a elaboração de provas! Para quem é psicologicamente dominado pelo espírito cientifico, TUDO AQUILO QUE NÃO PODE SER PROVADO deve ser jogado no campo das hipóteses, que poderão um dia serem comprovadas ou não, já que é impossível aos seres humanos formularem explicações cientificas para todos os fenômenos que agitam o nosso universo, cuja complexidade envolve alguns mistérios que jamais serão desvendados.

Estes quase dez anos (o citado livro chegou às minhas mãos em dezembro de 2005), a dúvida sobre a ideologia oculta do Dr. Adriano me perseguiu o tempo todo até que finalmente, o inesperado aconteceu: o oculto se tornou visível, como iremos demonstrar ao longo de uma  série de artigos. O mais surpreendente é que descobri um dos pontos chaves dessa ideologia oculta, relendo agora a dedicatória com a qual nos honrou o ilustre economista e ex-diplomata do Itamarati:

“Ao grande comunicador e psicólogo (entre outras coisas) Mtnos Calil, com admiração por seu élan em veicular fatos e idéias que conduzam a um caminho viável para nossa sociedade”.

Cheguei a reler essa dedicatória cerca de 5 vezes e nada percebi além dos rasgados elogios.  (muito rasgados por sinal...rsrs). AGORA, de repente localizei nestas palavras uma que sinaliza a presença da idologia oculta. Essa palavra é ‘VIÁVEL”.

Eis o que acontece com todos os ideólogos e ideologistas * sejam eles honestos ou malandros, é que em pouco ou nada lhes interessa a VIABILIDADE de suas propostas. E nos casos extremos das duas categorias, pouco importa também a verdade de suas idéias. Um exemplo é dado pelas religiões que inventaram a vida eterna no paraíso após a morte. Certamente nem o Papa Francisco acredita nesta fantasia. Deus, como uma força misteriosa pode até existir, mas nunca como criador deste delírio do Paraíso eterno. O que fundamenta a ideologia nunca foi a realidade e sim o DESEJO de que a realidade fosse diferente do que é, no sentido de acabar com o sofrimento humano. Já o espírito cientifico nos revela que o sofrimento é inerente à vida – e quanto mais consciente for o ser vivo acerca de sua própria vida, mais ele sofrerá. E o mais feliz dos humanos está condenado a interromper bruscamente sua felicidade, com a MORTE.

*A diferença entre estes dois termos se resume nisso: os ideólogos são vitimados por ideologias inconscientes, enquanto os ideologistas assumem conscientemente que as ideologias constituem um bem para a humanidade; no primeiro caso temos o exemplo de Marx que ao combater ferozmente as ideologias não percebeu que estava criando ele próprio uma ideologia – a ideologia da sociedade sem classes que transportaria o paraíso do céu para a terra. No segundo caso temos o exemplo de Lenin, que ao contrário de Marx, sacralizou a ideologia inventando a ideologia da classe operária.

O que a classe operária (ou os trabalhadores de baixa renda) sempre precisavam e continuam precisando – prioritariamente -  é de dinheiro no bolso e não ideologias na cabeça). Da mesma forma os donos do poder econômico e militar, (sendo que o poder militar é subordinado ao poder  econômico), não precisam de ideologia alguma  para reinar no planeta lançando mão de uma crueldade selvagem, ao mesmo tempo que cinicamente (e ponha-se cinismo nisso) falam, como é o caso dos EUA em implantar a “democracia” no mundo. Essa “democracia”, onde o termo “demo”, por mera coincidência designa também o diabo,  usa indevida e falsamente a palavra povo para enganar o próprio povo.

O espírito cientifico se manifesta de dois modos fundamentais, mas sempre em busca da verdade

a) Através das provas elaboradas pela ciência

b) Através da humildade que suporta o não saber

Um dos pontos críticos dos ideólogos honestos e bem intencionados é a sua enorme dificuldade em aceitar o não saber. Se o homem não fosse um curioso obsessivo, o conhecimento não teria chegado onde chegou, coma fantástica revolução da ciência e da tecnologia que começou a acontecer no século XX e que ninguém sabe quando e se um dia vai acabar.

Em contrapartida à exatidão (ou busca da exatidão) do conhecimento cientifico, temos os apologistas da imprevisibilidade, os quais tendo em mente que o futuro é imprevisível acabam (ideologicamente) desconhecendo que existem alguns aspectos do futuro que são sim bastante previsíveis. E, no campo social, político e econômico, a história nos municiou com as MEGATENDENCIAS que nos dão hoje uma boa amostra de como será o amanhã ou que pelo menos nos permitem traçar alguns cenários diferentes para uma parte do futuro, sendo que outra parte já está, como sempre, acontecendo no presente.

(continua – na próxima mensagem desta série faremos uma análise das ideologias ocultas no diálogo abaixo transcrito).

Mtnos Calil

Ps. Outra coisa que nos foram inspiradas pelos comentários do Dr. Adriano reproduzidos abaixo, é que o sistema LPC – Lógica e Precisão na Comunicação, que estamos formatando, é um dos antídotos das ideologias. O efeito terapêutico da precisão linguística pode ser expresso nestas palavras de uma frieza lógica terrível.

 

Prezados Mtnos,

Minhas observações nesta cor.

Abs. AB

Prezado Adriano 

Antes de mais nada precisamos cumprimentá-lo e reconhecer o seu esforço com mais este artigo sobre o simulacro da política econômica que está sendo mais uma vez formatada em nosso país.

A atual crise econômica arrastou a esquerda...

[Por que você se refere à esquerda em especial. Se for megatendência, suponho que todas as correntes ideológicas se orientem por esta bipolarização.]

...para a megatendência em curso da bipolarização da economia mundial protagonizada por EUA e China

[Também é duvidar que estejamos diante de uma bipolarização. Há outros atores de peso, tanto no aspecto econômico, como no político-militar.]

É mais uma demonstração da perda de sentido da dicotomia esquerda-direita.

[Não creio que uma coisa tenha muito que ver com a outra.].

Nos EUA Obama é taxado de esquerdista, mas faz a política intervencionista ao estilo de Bush,  no oriente médio.

[Não vejo relevância nessa “taxação”, uma vez que o sentido dela é muito discutível e certamente está longe de ser unânime. Bem, na base do tudo é relativo, ele poderia ser situado um pouco mais à esquerda em matéria social, embora aí também deva ser repudiado por todos os que se consideram socialistas ou adeptos equilibrados do bem-estar social. De resto, que sentido há em se classificar tendências de pensamento num boneco, um puppet de quem o colocou lá?]

E o Putin, da esquerda...

...[AB. Putin não é de esquerda.Por ser nacionalista, alguns no Brasil o considerariam de esquerda, mas de modo questionável.]

...recoloca a Russia na disputa pelo poder político e mundial, também fazendo uso da guerra intestina em curso na Síria.

[AB. Não é guerra intestina. É intervenção político-ideológica e militar das potências angloamericanas e numerosos satélites regionais (sobretudo), incluindo o treinamento, financiamento e apoios diversos a terroristas e mercenários, incumbidos de participar da luta, em função da arbitrária decisão imperial angloamericana de que o presidente Saddam Hussein deve ser alijado do poder. O que a Rússia está fazendo é intervir, sobre tudo porque tem em seu território inúmeras regiões com forte presença muçulmana, que quer preservar dos terroristas genocidas formados sob encomenda pelo império anglo-americano. Quer cortar o mal pela raiz. Os angloamericanos estão há dois ou três anos dizendo que combatem o tal Estado Islâmico, terrorista e sanguinário, mas estavam só enrolando.]

E agora com a novidade hoje divulgada (5/10/2015)  que é  a retumbante aliança EUA-Japão e outros países,  através do “Transpacifico” para enfrentar a ascensão da China e seus novos aliados, o Brasil enfrentará mais dificuldades no comércio exterior. Quanto à Previdência Social, já está decidido o que vão fazer, no Brasil e em outros países: acabar com a aposentadoria dos mais “jovens”.

[AB. Além de problemático e limitado (ainda falta aprovação de parlamentos), não creio que afete muito o Brasil, embora este já esteja bem complicado sem isso.]

Só nos resta então, continuar aprendendo com seus diagnósticos.

[AB. Gentileza sua.]

Parece então que nem preciso mais incomodá-lo com o pedido do prognóstico, pois os rumos desta fase da história da humanidade já estão traçados, só restando aos mais pobres (incluindo-se neste grupo amplos setores da classe média) PRESSIONAR OS PODEROSOS PARA OBTER ALGUMAS CONCESSÕES. Gostaria de estar errado neste prognóstico e assim, ouvir seus contra-argumentos.

[Descreio de que pressões da classe média influenciem os tais poderosos, a não ser que ela  tenha argumentos de força, ou capacidade de afetar interesses dos poderosos, o que não têm revelado até aqui.].

Espero que morra logo o PT para os anti-petistas genéticos começarem a entender o que é a invisível corrupção sistêmica e como é selvagem o capitalismo que eles defendem contra um comunismo moribundo, para não dizer morto. Lembro  a propósito que existe o fenômeno psicológico de não se enterrar os mortos. Enquanto a morte de pessoas queridas às vezes não é aceita por razões afetivas, a  morte do comunismo provoca um vazio ideológico nos anti-comunistas do século XX, ainda vivos. Esse vazio ideológico fragiliza a “raiva mobilizadora” provocando uma “apatia emocional”.

[AB. Não. Mesmo admitindo essa estória de comunismo morto, de resto irrelevante para nossa avaliação do jogo de poder, isso não é problema para o império; ele sempre pode arranjar inimigos, como tem feito em todos os lugares do mundo. Outra coisa: não precisamos ser saudosistas da União Soviética nem da China de Mao, para reconhecermos que nosso destino depende de Rússia e China (nações, que não devem ser confundidas com ideologia política e social) se afirmarem e confirmarem como fatores de equilíbrio da balança de poder (principalmente militar) mundial.

E quanto as novas gerações, elas já nasceram numa época onde as ideologias já estavam se esvaziando, o que explica o descrédito generalizado na política por parte da nossa juventude.

Infelizmente, parece que estou certo neste prognóstico, amparado pela instabilidade que é inerente à própria história da humanidade, marcada por avanços e retrocessos. A morte do comunismo deu inicio a um  retrocesso, porque por pior que fosse, ele servia para conter a voracidade psicopática dos acumuladores e concentradores do capital. Isso não justifica, porém, nenhuma condescendência com as barbáries da antiga URSS stalinista.

[AB. Desculpe-me, mas creio que você se preocupa(va) muito com a ideologia zero, porque não se consegue livrar da ideologia. Só isso, a meu ver, justifica que esteja mencionando somente as barbáries atribuídas à URSS, stalinistas, algo de um passado quase remoto, e cometidas num Estado invadido por tropas estrangeiras desde sua fundação.

 Não sei porque omite as do império britânico e as de seu sucessor, o império angloamericano, cujos genocídios são fatos presentes - hoje e sem interrupção há séculos - e não justificáveis em termos defensivos, mas tão somente explicáveis no âmbito da predação, dominação e subjugação de recursos, de nações e de povos, sem falar na escala e na perversidade dos meios tecnológicos e outros. 

 

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