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Diretor de Redação

Mtnos Calil

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NO BRASIL, um Diretor que é responsável pela garagem do Senado, ganha mais do que um Coronel do Exército, que comanda um Regimento de Blindados.

 

À frente do superministério da Justiça e da Segurança Pública, ex-juiz da Lava Jato terá pela frente as facções do crime organizado, índices de Caro  leitorO governo Bolsonaro chegou e, com ele, a nova era Moro. O ex-juiz da Lava Jato, que largou 22 anos de toga, tornando-se alvo de ceticismos e críticas, assume o tão celebrado superministério da Justiça e da Segurança Pública.

 

Prepare-se, Moro: os desafios de seu "Plano Real" contra a criminalidade são muitos, de várias faces e matizes. Não que você já não esteja habituado às provocações e ao jogo sujo que o enfrentamento ao crime proporciona.Em cinco anos de Lava Jato, afinal, sobraram-lhe coragem e determinação para enfrentar o mais poderoso crime organizado, o dos doleiros, dos empreiteiros, de altos executivos da Petrobrás e dos políticos até então ditos intocáveis, gente de prestígio, afinal. 

 

 

Muitos dirão que, por essa época, você tinha nas mãos a pena pesada do juiz. Uma canetada sua mandava para o xadrez próceres dessa República tão castigada – quem poderia imaginar que um dia iriam para atrás das grades Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, João Vaccari, Renato Duque, Léo Pinheiro, Marcelo Odebrecht, Antonio Palocci, Aldemir Bendine… E Lula também lá!

 

E agora, Moro? Sem a caneta e sem a toga, você terá o mesmo poder de fogo? Os incrédulos alimentam a tese frívola de que você trocou o estilingue pela vidraça. Inverteram-se os papéis da sua vida. 

 

Em entrevista ao Estadão, você detalhou como pretende enfrentar a corrupção e os malfeitos na administração pública – missão que, de resto, já conhece bem. Além disso, aguarda-o logo ali um outro crime organizado, o das facções bestiais, que arrancam a cabeça do inimigo no machado, que enfrentam desabridamente as forças de segurança, que mantêm severo domínio do sistema penitenciário, como o Estadão tem informado reiteradamente.

 

No seu caminho também se ergue uma onda de crimes violentos que varre inclemente as regiões urbanas até os territórios mais remotos do País. O que poderá fazer para unir os Estados na estratégia para golpear tamanho flagelo?

 

Nos últimos dias, você se reuniu com o ministro Jungmann. Soube que trataram, claro, da segurança pública, seus gargalos e limitações.

 

Qualificar e estimular as polícias urbanas é tarefa difícil. Esta é uma obrigação dos Estados, mas o ministro da Justiça e da Segurança Pública está aí para o que der e vier, tem sua parcela de responsabilidade. O Brasil detém sinistro índice de violência, um dos maiores do mundo. Muita atenção aqui, Moro.

 

Sim, o perigo pode estar logo ali, muito perto de seu novo endereço, na Esplanada. Eu estou falando do Congresso, onde certamente deputados e senadores o espreitam e torcem o nariz para o juiz da Lava Jato – uns o veem com ressalvas e reservas, outros com ressentimentos. E outros mais com sectarismo.

 

A menina dos seus olhos é um grupo de projetos de lei para, como você próprio define, "aprimorar o quadro legal contra a corrupção e crime organizado".

 

Em seu ousado projeto de superministro, já disse publicamente que "a ideia geral é resgatar parte das propostas das 10 Medidas contra a Corrupção" – lembre-se, uma iniciativa da força-tarefa do Ministério Público Federal na Lava Jato que empacou na má vontade e nos interesses não republicanos de parlamentares que esmagaram o texto original.

 

Em novembro, logo após dar o "sim" ao convite de Bolsonaro, você declarou. “A ideia é que essas reformas sejam propostas simples e possam ser aprovadas em um breve tempo. Sem prejuízo que propostas mais complexas sejam apresentadas. A ideia é apresentar alguma coisa simples, e de fácil aprovação no âmbito do Congresso.”

 

É certo que você não está isolado nessa nova jornada. Tem ao seu lado a Polícia Federal, corporação que conquistou o respeito de quase todo o País, por sua loquacidade no combate ao colarinho branco. Procuradores da República, estratégicos na ofensiva contra os malfeitos na administração pública, exaltam seu nome e seus métodos. Extraordinário apoio popular o colocou nessa cadeira.

 

Você recrutou um time de primeira linha para compor seu gabinete – a delegada Érika, que abriu a Lava Jato, vai para o DRCI; o auditor Roberto Leonel, chefe da Inteligência da Receita na grande operação, chega para o COAF; o delegado Pontel, seu braço-direito; e o Valeixo para a direção-geral da PF. Enfim, um esquadrão de elite, aparentemente, munido de carta branca do governo, aparentemente.

 

Tem agora uma boa oportunidade para reforçar sua cruzada pela prisão em segunda instância, que tantas vezes defendeu em entrevistas ao Estadão.

 

Certamente, o Congresso deverá ser um obstáculo em relação ao projeto de lei que sonha para um Brasil melhor.

 

Você poderá tentar contornar essa resistência com diálogo, em meio a um clima favorável. Mas tem ciência e consciência de que as iniciativas não dependem totalmente de novas leis.

 

Sim, engana-se quem acha que Sérgio Moro ficará refém do Congresso.

 

 

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