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Mtnos Calil

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No Brasil, um Assessor de 3º nível de um Deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou mero estafeta de correspondências, ganha mais que um Cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo e a sua vida, buscando curas e vacinas para salvar vidas.

 

<b>Paula Cesarino Costa, atual ombudsman</b>

Paula Cesarino Costa, atual ombudsman da Folha de São Paulo - Foto de Eduardo Knapp/Folhapress

 

1) Ombudsman da FSP –  Ombfsp

Notícia ruim é notícia boa" é uma daquelas máximas repetidas à exaustão no meio jornalístico para justificar o domínio de notícias negativas na imprensa e na mídia, em geral. Abundam nas primeiras páginas casos de corrupção, escândalos, desemprego, crimes, violência, desastres, terrorismo.

 

Ombudsman da ombudsman  - Ombomb

a) “Notícia ruim é noticia boa” é uma forma de comunicação que afronta a mais simples semântica

b) Noticias sobre escândalos e crimes variados DESPERTAM AS EMOÇÕES dos leitores e por isso têm maior audiência

 

2) Ombfsp

A mídia cria esse viés de notícias negativas ou responde à preferência da audiência por más notícias em vez de buscar as boas notícias? Pergunta difícil.

 

Ombomb – Pergunta difícil para quem é funcionário do jornal. A mídia não “cria viés” algum. A missão sagrada dela é conquistar a audiência. As más notícias dão maior audiência do que as boas. Imagine esta duas notícias sobre um temporal em São Paulo:

a) Em meio ao maior temporal, ninguém morreu na cidade.

b) Em meio ao maior temporal, desabaram 27 árvores, destruindo 10 automóveis e tirando a vida de dez pessoas.

A sra.  tem dúvida sobre qual das duas notícias teria maior impacto, e portanto, maior índice de leitura (ou de acesso)?

 

3) Ombfsp

Duas pesquisas que parecem contraditórias, mas não o são, dimensionam a dificuldade que os jornalistas encontram em satisfazer o leitor.

 

Estudo do Pew Research Center reuniu 165 pesquisas nacionais sobre as preferências por notícias nos últimos 20 anos nos EUA. Relatos de guerra e reportagens sobre terrorismo estão no topo do interesse desde 1986, quando o estudo começa.

 

Cada vez mais frequentes, histórias sobre desastres naturais causados pelo homem perderam interesse nesse intervalo. Notícias envolvendo dinheiro foram as que se tornaram mais atraentes com o tempo.

 

A segunda pesquisa demonstrou que leitores compartilham mais notícias positivas do que notícias negativas. O estudo liderado pelo psicólogo Jonah Berger, autor do livro "Contágio: Por Que as Coisas Pegam" (Leya, 2014), mostrou que histórias que despertaram emoções –especialmente positivas– eram mais propensas a serem compartilhadas pelos leitores.

 

Ombomb – Que interpretação conciliatória... Antes de mais nada teríamos que saber qual foi a amostra da pesquisa desse psicólogo para examinarmos a sua representatividade estatística. Porém mesmo que o resultado anunciado seja correto, o fato de as pessoas preferirem compartilhar boas notícias não significa obviamente que a mídia deveria ter a mesma preferência. A mídia vive das más notícias, prezada Ombsf. A maior fonte de receita vem das notícias e reportagens que despertam os instintos primitivos do ser humano. Os leitores não têm culpa disso. A culpa é das emoções que os jornalistas vivem proclamando, porque é muito mais fácil sentir do que pensar.

 

4) Ombfsp

Jornal com marca crítica que muitos leitores confundem com ranzinzice, a Folha sempre se manteve atenta à necessidade de valorizar notícias positivas.

 

Em 14 de julho de 1991, o jornal lançou a seção "Boa Notícia", que permaneceu na primeira página até 19 de janeiro de 2006. Em 14 de junho de 2010, a seção voltou a ser publicada por período mais curto, tendo sido novamente interrompida.

 

Ombomb – Uai... a sra. mesma está revelando através destas interrupções que a tal “Boa noticia” não teve a audiência necessária para se manter na 1ª. pág.

 

4) Ombfsp

No início deste ano, o jornal rebatizou a seção, agora chamada "Dias Melhores", e anunciou tem o intuito de "oferecer informações positivas e inspiradoras".

 

Ombomb – Olha o erro da digitação “anunciou tem o intuito de”.  Eis um bom assunto para a sua coluna – a FSP e o Estadão estão cometendo erros deste tipo com frequência cada vez maior.

 

5) Ombfsp

O editor-executivo da Folha, Sérgio Dávila, diz que a demanda do leitor por boas notícias é forte. "Jornalismo também é apontar com exatidão e profundidade as notícias que indicam progresso, melhoria, superação."

 

Ombomb –Exatidão e profundidade nunca foram marcas do jornalismo. Estas duas qualidades requerem um padrão ético muito superior ao adotado pela mídia em geral. E ética não é obviamente uma mercadoria que tem boa aceitação em nossa sociedade, exceto é claro quando se trata de falar mal dos outros. A falta de ética é sempre dos outros...

 

5) Ombfsp

O cardápio de quarenta reportagens incluiu textos ligados a temáticas sociais, pesquisas de saúde e ciência, projetos comunitários, iniciativas de solidariedade e narrativas de superação pessoal ligadas à pobreza, educação e saúde.

 

A primeira reportagem descrevia projeto de oficinas em Portugal que ensinam idosos a grafitar. O leitor Gabriel de Oliveira Santos contestou: "É uma modalidade polêmica de arte, que interfere na propriedade terceiros e se impõe autoritariamente aos outros sem consulta, por isso não está sendo bem vista por grande parte da sociedade."

 

A reação explicita como não é tão simples nem óbvio eleger o que é bom exemplo. Esse é apenas um dos desafios. É preciso ter coragem e método ao fazer escolhas.

 

Acho a iniciativa louvável, mas incomoda que a saída encontrada para esta demanda dos leitores tenha ares de experiência requentada, em vez de inovadora.

 

Ombomb- Finalmente apareceu uma crítica ao jornal. Que alívio!

 

6) Ombfsp

Já existem no Brasil e no exterior vários sites, páginas e jornais que publicam apenas notícias positivas.

 

Ombomb- De volta à ingenuidade: se a FSP fizesse isso iria à falência rapidinho.

 

7) Ombfsp

O mundo mudou, o leitor mudou, e o jornal tem de mudar. Repetir uma fórmula do passado, apenas com nova roupagem, funciona?

Serviu para obrigar o jornal a publicar notícias boas, mas não mudou a forma de fazer e pensar o jornal. Reportagens positivas devem sair do nicho e passar a ser discutidas ao lado da investigação que poderá vir a derrubar um ministro.

 

Ombomb – Reportagem positiva ao lado da investigação que poderá vir a derrubar um ministro??? Haja criatividade hein?

 

7) Ombfsp

Políticas públicas de sucesso, por exemplo, são quase sempre ignoradas pelo jornal. Em geral, porque são mais difíceis de avaliar técnica e desapaixonadamente. São, entretanto, mais importantes em termos de penetração social e relevância histórica do que temas episódicos de superação -que também merecem ser editados com destaque.

 

Ombomb - Nossa Senhora! Se a FSP der a mesma importância  às “politicas públicas” que dá ao noticiário sensacionalista, vai perder muita, muita audiência.

 

8) Ombfsp

Folha não abandonará jamais sua vocação principal de investigar e fiscalizar os poderes estabelecidos –o que já faz com grau de excelência frequente. Não pode, entretanto, ser tomada pelo espírito de "fracassomaníacos", como se queixou um ex-presidente.

 

Ombomb -  O espírito da Folha é essencialmente mercadológico! E a voz do mercado costuma ser soberana.

 

8) Ombfsp

Precisa ter a ambição de alcançar uma nova maneira de apresentar notícias inspiradoras que também sejam relevantes. Esta preocupação deve estar refletida na pauta do jornal, na execução precisa da reportagem e na edição atraente do tema. Notícia é notícia, seja boa ou não. Independe de dias melhores. 

 

Ombomb – Creio que encontrei a solução para o seu dilema! A sra. está criando um “jornal imaginário” que poderia existir na vida real se a Folha lançasse outro produto com as qualidades que a sra. idealiza.  Mas será que ela estaria disposta a investir um bom dinheiro que demoraria, digamos, uns 3 anos para retornar? Um dos atributos deste jornal seria a "exatidão e profundidade" proclamadas pelo seu editor-executivo. 

 

Ps. Segue abaixo a matéria da Ombudsman publicada em 12/03/2017

 

Notícia boa é melhor do que notícia ruim?

Folha deve ter a ambição de apresentar de nova maneira notícias inspiradoras que também sejam relevantes

 

Notícia ruim é notícia boa" é uma daquelas máximas repetidas à exaustão no meio jornalístico para justificar o domínio de notícias negativas na imprensa e na mídia, em geral. Abundam nas primeiras páginas casos de corrupção, escândalos, desemprego, crimes, violência, desastres, terrorismo.

 

A mídia cria esse viés de notícias negativas ou responde à preferência da audiência por más notícias em vez de buscar as boas notícias?

 

Pergunta difícil.

 

Duas pesquisas que parecem contraditórias, mas não o são, dimensionam a dificuldade que os jornalistas encontram em satisfazer o leitor.

 

Estudo do Pew Research Center reuniu 165 pesquisas nacionais sobre as preferências por notícias nos últimos 20 anos nos EUA. Relatos de guerra e reportagens sobre terrorismo estão no topo do interesse desde 1986, quando o estudo começa.

 

Cada vez mais frequentes, histórias sobre desastres naturais causados pelo homem perderam interesse nesse intervalo. Notícias envolvendo dinheiro foram as que se tornaram mais atraentes com o tempo.

 

A segunda pesquisa demonstrou que leitores compartilham mais notícias positivas do que notícias negativas. O estudo liderado pelo psicólogo Jonah Berger, autor do livro "Contágio: Por Que as Coisas Pegam" (Leya, 2014), mostrou que histórias que despertaram emoções –especialmente positivas– eram mais propensas a serem compartilhadas pelos leitores.

 

Jornal com marca crítica que muitos leitores confundem com ranzinzice, a Folha sempre se manteve atenta à necessidade de valorizar notícias positivas.

 

Em 14 de julho de 1991, o jornal lançou a seção "Boa Notícia", que permaneceu na primeira página até 19 de janeiro de 2006. Em 14 de junho de 2010, a seção voltou a ser publicada por período mais curto, tendo sido novamente interrompida.

 

No início deste ano, o jornal rebatizou a seção, agora chamada "Dias Melhores", e anunciou tem o intuito de "oferecer informações positivas e inspiradoras". O editor-executivo da Folha, Sérgio Dávila, diz que a demanda do leitor por boas notícias é forte. "Jornalismo também é apontar com exatidão e profundidade as notícias que indicam progresso, melhoria, superação."

 

O cardápio de quarenta reportagens incluiu textos ligados a temáticas sociais, pesquisas de saúde e ciência, projetos comunitários, iniciativas de solidariedade e narrativas de superação pessoal ligadas à pobreza, educação e saúde.

 

A primeira reportagem descrevia projeto de oficinas em Portugal que ensinam idosos a grafitar. O leitor Gabriel de Oliveira Santos contestou: "É uma modalidade polêmica de arte, que interfere na propriedade terceiros e se impõe autoritariamente aos outros sem consulta, por isso não está sendo bem vista por grande parte da sociedade."

 

A reação explicita como não é tão simples nem óbvio eleger o que é bom exemplo. Esse é apenas um dos desafios. É preciso ter coragem e método ao fazer escolhas.

 

Acho a iniciativa louvável, mas incomoda que a saída encontrada para esta demanda dos leitores tenha ares de experiência requentada, em vez de inovadora.

 

Já existem no Brasil e no exterior vários sites, páginas e jornais que publicam apenas notícias positivas.

 

O mundo mudou, o leitor mudou, e o jornal tem de mudar. Repetir uma fórmula do passado, apenas com nova roupagem, funciona?

 

Serviu para obrigar o jornal a publicar notícias boas, mas não mudou a forma de fazer e pensar o jornal. Reportagens positivas devem sair do nicho e passar a ser discutidas ao lado da investigação que poderá vir a derrubar um ministro.

 

Políticas públicas de sucesso, por exemplo, são quase sempre ignoradas pelo jornal. Em geral, porque são mais difíceis de avaliar técnica e desapaixonadamente. São, entretanto, mais importantes em termos de penetração social e relevância histórica do que temas episódicos de superação -que também merecem ser editados com destaque.

 

Folha não abandonará jamais sua vocação principal de investigar e fiscalizar os poderes estabelecidos –o que já faz com grau de excelência frequente. Não pode, entretanto, ser tomada pelo espírito de "fracassomaníacos", como se queixou um ex-presidente.

 

Precisa ter a ambição de alcançar uma nova maneira de apresentar notícias inspiradoras que também sejam relevantes. Esta preocupação deve estar refletida na pauta do jornal, na execução precisa da reportagem e na edição atraente do tema. Notícia é notícia, seja boa ou não. Independe de dias melhores. 

 

 

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