IMLB - Instituto Mãos Limpas Brasil

Missão: Ser a Entidade mais ética da História do Brasil

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Mtnos Calil

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NO BRASIL, precisamos urgentemente de um CHOQUE DE MORALIDADE, nos TRÊS PODERES DA REPÚBLICA, vale a pena tentar, participe do Instituto Mãos Limpas Brasil.

 

É o que sugere este banqueiro entrevistado por Joana Cunha da FSP.

 

SAO PAULO - SP - 21.09.2015 - Retrato de Ricardo Lacerda sócio-fundador do BR Partners, banco de investimento. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress, MERCADO) Trax ID: 10043593A Caption Writer: 1547 ORG XMIT: Ricardo Lacerda

Ricardo Lacerda, presidente do banco BR Partners, em São Paulo

 

Não vamos perder tempo comentando essa medíocre pseudo-salvação. Lembramos apenas que o desenvolvimento de uma nação depende das indústrias nacionais e que o Brasil precisa se reindustrializar. Se o capital estrangeiro servir para isso, tudo bem. Não é o que a China capitalista fez? Abriu as portas para o capital alienígena, mantendo-o, porém, sob controle do Estado. 

Folha - A economia entra numa nova etapa, mas ainda há incertezas políticas. O que prevê?

 

Ricardo Lacerda - A economia se estabilizou e começa lentamente a mostrar recuperação. A reconquista da credibilidade na política monetária do Banco Central permitirá uma forte redução nos juros ao longo de 2017. A confiança dos empresários e consumidores vai aumentar e isso trará de volta o crescimento. Não acho que a economia vai bombar a ponto de salvar a política do buraco, mas as coisas estão no caminho certo.

 

A Lava Jato mudou o jeito de fazer negócio? Como ela influencia a visão do investidor?

 

Ela acabou com a percepção de completa impunidade que sempre existiu no país. Expôs a bandalheira de empresários próximos do poder com políticos corruptos e mandou vários deles pra cadeia. Antes da Lava Jato bastava ser rico pra ter status. Agora a sociedade cobra atitude ética dos empresários. Mas, pra mudar de fato a forma de fazer negócio no Brasil, é preciso reduzir o tamanho do Estado, em duas frentes: um programa agressivo de privatização de estatais e um plano para reduzir a burocracia e o controle do Estado sobre a iniciativa privada. Só isso pode reduzir corrupção e atrair investimento.

 

Como avalia o governo hoje?

 

Esse governo acertou na equipe econômica e tem grande capacidade de articulação política no Congresso. São vantagens sobre o anterior. Mas há limitações para um governo de transição, sem apoio popular, obrigado a lotear cargos e refém de políticos suspeitos.

 

Como avalia ajuste fiscal?

 

A atual equipe econômica tem as melhores cabeças para definir o ajuste que o país precisa. A aprovação da PEC do Teto foi importantíssima e mudou a percepção da solvência do Estado. O próximo desafio é a reforma da Previdência. A dúvida é o que efetivamente sairá daquilo que está tramitando no Congresso. Esse governo não tem uma agenda absolutamente transparente, mas com vitórias tão contundentes nas presidências da Câmara e Senado, cresceu seu cacife para aprovar reformas. Diante da dificuldade em gerar superavit fiscais no atual quadro econômico, a reforma da Previdência é crucial.

 

Quando vamos resgatar protagonismo e confiança?

 

Houve enorme decepção com o último ciclo de investimentos. Primeiro, porque o crescimento não veio. Segundo, porque o governo Dilma tinha mentalidade contrária à iniciativa privada. Terceiro, porque com a crise econômica veio a política, que escancarou a fragilidade das instituições, esfrangalhadas pelo apagão moral que acometeu Brasília. Destruiu-se muita riqueza no Brasil nos últimos cinco anos. Investidor machucado demorará a voltar. Mas somos uma grande economia, daremos a volta por cima.

 

Como a indicação de Alexandre Moraes ao STF, Edison Lobão na CCJ e o ministério de Moreira Franco comprometem a confiança do mercado?

 

Há um temor que o governo use seu capital político para livrar a cara de aliados em vez de aprovar reformas. Há também o risco de voltarmos a ver manifestações. Muitos dos que foram às ruas lutar contra a corrupção estão perplexos com essas nomeações.

 

Como está o apetite dos investidores estrangeiros por empresas brasileiras?

 

O apetite continua alto, mas há muita cautela ao negociar. Após muitos anos, estamos ouvindo novamente investidores mencionando preocupação com o cenário político ou econômico na hora de comprar ativos no país. Vi alguns até desistindo de olhar oportunidades em razão disso. Mas creio que tudo se normalize com a iminente retomada do crescimento.

 

O sr. acredita na retomada dos IPOs? Os investidores estão dispostos a pagar bem?

 

Acho que veremos alguns IPOs neste ano. Ninguém comprará Brasil sem fazer a lição de casa, sem olhar retornos. O ciclo será de mais cautela do que o de 2004 a 2007 ou o de 2009 a 2013.

 

O que espera das concessões?

 

Exceto pelos aeroportos, em que parece haver grande interesse, creio que teremos dificuldades. O governo precisa criar um modelo de concessões com o intuito de atrair capital privado, principalmente o estrangeiro. Quando o investidor olha o Brasil, vê tudo confuso, burocrático. Parece que estamos fazendo favor de deixar o investidor colocar seu dinheiro aqui.

 

11/02/2017  

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