IMLB - Instituto Mãos Limpas Brasil

Missão: Ser a Entidade mais ética da História do Brasil

Diretor de Redação

Mtnos Calil

Login

NO BRASIL, um Diretor que é responsável pela garagem do Senado, ganha mais do que um Coronel do Exército, que comanda um Regimento de Blindados.

 

queda de Geddel Vieira Lima da Secretaria de Governo, em novembro, marcou o agravamento da crise política que aflige a administração de Michel Temer (PMDB). Agora, percebe-se que o presidente teve sorte de se livrar com alguma antecedência do fiel aliado.

 

O então responsável pelas negociações políticas entre o Planalto e o Congresso havia sido flagrado em lobby desavergonhado por interesses particulares. Pressionava a pasta da Cultura, com conhecimento de Temer, a rever o embargo de obras em um edifício no qual havia comprado apartamento.

 

Embora o governo tenha procurado minimizar o episódio, sua gravidade era inconteste —da proverbial promiscuidade entre o público e o privado ao abuso de autoridade para afrontar a decisão de um órgão técnico, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

 

Do desrespeito à ética e ao decoro, entretanto, o noticiário em torno do ex-ministro evolui agora para as suspeitas de corrupção em sentido mais estrito e deplorável.

 

Com a deflagração nesta sexta-feira (13) da Operação Cui Bono? ("a quem beneficia?", na tradução do latim), da Polícia Federal, vieram à tona detalhes de investigação acerca da conduta de Geddel Vieira Lima à frente de uma das vice-presidências da Caixa Econômica Federal de 2011 a 2013.

 

Descobriu-se que ele tratava de operações de crédito do banco público com ninguém menos que Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o ex-presidente da Câmara dos Deputados cassado por seus pares e, desde outubro, preso em caráter preventivo.

 

De acordo com o Ministério Público, há indícios de que ambos participavam de conluio para favorecer empresas "dispostas a realizar negociações ilícitas".

 

Comprovem-se ou não todas as suspeitas, é absurdo o bastante que um dirigente de instituição financeira pública dê satisfações de medidas internas a qualquer cacique político —tanto pior se tiver ficha corrida extensa, como Cunha.

 

Também evidente é o risco no qual incorreu Temer ao povoar seu primeiro escalão com velhas raposas do varejo partidário e do loteamento de estatais, numa estratégia para solidificar sua sustentação no Congresso.

 

Se o governo pode comemorar vitórias parlamentares, exemplos presentes e passados dos piores vícios da vida pública teimam em minar sua estabilidade. Antes de Vieira Lima, dois peemedebistas de alto calibre, Romero Jucá e Henrique Eduardo Alves, já haviam deixado o ministério de forma vexatória.

 

A economia até suscita esperanças de melhora, mas a política vive sob tensão sem trégua —e uma não caminhará sem a outra.

 

14/01/2017

 

Pin It

Logo TAYSAM Web Design 147x29

Selo Google1