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"Antigamente os cartazes nas ruas com rostos de criminosos oferecia recompensas, hoje em dia pede votos...
E o pior é que o BRASILEIRO dá...

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Donald Trump está a 55 dias de se mudar para a Casa Branca, e já há quem aposte em seu despejo.

 

Especulações de que o presidente eleito poderá sofrer um impeachment se debruçam sobretudo em sua cartela de negócios no exterior, o que pode gerar conflito de interesses com políticas externas de sua gestão. Fora dos EUA, o empresário tem ao menos 150 companhias em 25 países, segundo a CNN.

 

Os casos variam. Ele tanto licencia a "marca Trump" (como uma vodca já fora do mercado) como tem propriedades internacionais com seu nome (entre elas um hotel no Rio).

 

Produtos da Donald J. Trump Colletion (de óculos escuros a gravatas) e da Trump Home (linha para casa que inclui lustres) têm etiquetas de países como China e Turquia –ainda que Trump seja duro com empresas que retirem suas plantas dos EUA, chegando a eliminar biscoitos Oreo da dieta após a fabricante transferir operações para o México.

 

É difícil precisar o alcance de sua rede global, já que ele ainda não divulgou anos de declarações de Imposto de Renda. Dono de estimados US$ 4,5 bilhões, fortuna que supera a soma patrimonial dos 43 antecessores, Trump já disse que não pretende liquidar seu império corporativo –o que levanta questões éticas, mas não legais.

 

Diz que passará o bastão para os filhos. O problema é que três estão em sua equipe de transição, e há sérias dúvidas de que o pai não conversaria com eles sobre decisões administrativas.

 

Na semana passada, duas condutas que mostram dificuldade em separar público e privado. Trump levou a filha Ivanka para um encontro com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe. Dias depois, três parceiros indianos na construção de uma Trump Tower em Mumbai publicaram uma foto ao lado de Trump –Ivanka e o irmão Eric estavam na reunião.

 

O futuro mandatário nega que usará seu poder em benefício próprio. "Antes da eleição, já era bem sabido que eu tenho interesses em propriedades no mundo todo. Apenas a mídia trapaceira faz barulho sobre isso!"

 

Trump pode não ser obrigado a se desfazer de seus negócios, mas há margem constitucional para incriminá-lo. Ele não poderia, por exemplo, aceitar presentes e pagamentos de governos estrangeiros sem aval do Congresso.

 

Exemplo de conflito de interesses: o Banco da China aluga espaço num prédio de Trump em Manhattan, e o Trump Hotel em Washington tem atraído líderes de fora. Cerca de cem diplomatas, do Brasil inclusive, lá bebericaram champanhe da marca Trump na semana passada, em evento da comunidade, segundo o "Washington Post".

 

DIFÍCIL, NÃO IMPOSSÍVEL

Hoje, é improvável que Trump sofra um impeachment, já que republicanos controlam Senado e Câmara, e tudo indica que a maioria continuará quando parte do Congresso for renovada em 2018.

 

Um cenário possível, contudo: notório "fio desencapado", ele pode se indispor com seu partido. O colunista do "New York Times" projetou: "O cara provavelmente vai renunciar ou sofrer impeachment em menos de um ano".

 

O professor da American University Allan Lichtman, que previu a vitória de Trump, aposta no mesmo desfecho: o Congresso teme Trump "por não conseguir controlá-lo", e ele "certamente" daria motivo para ser afastado, "fazendo algo que comprometa a segurança nacional ou que o enriqueça".

 

Supondo que aconteça. "Mas quem os progressistas preferem: Trump, o demagogo, ou [Mike] Pence, o ideólogo?", questiona Jeet Heer, editor da "New Republic".

 

Se com Trump não há certeza de nada, com seu vice sabe-se o que esperar –conservadorismo linha-dura. Uma amostra: Pence ganhou nota A da Associação Nacional do Rifle, por suas posições pró-armas, e sancionou uma lei para assegurar que fetos abortados sejam cremados ou enterrados, num claro recado de que os considera pessoas e, logo, aborto equivale a assassinato. 

 

ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
DE NOVA YORK

Folha de São Paulo

26/11/2016 

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