IMLB - Instituto Mãos Limpas Brasil

Missão: Ser a Entidade mais ética da História do Brasil

Diretor de Redação

Mtnos Calil

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NO BRASIL, um Diretor que é responsável pela garagem do Senado, ganha mais do que um Coronel do Exército, que comanda um Regimento de Blindados.

FRANCISCO DAUDT

A doença de nossa democracia, que se tornou patente nos últimos tempos, é principalmente de valores. O que vale, e o que não vale, no senso comum que nos domina? Percebo que a louvável compaixão pelos desvalidos degenerou-se numa crença arraigada do esquerdismo: "Em nome da luta contra a desigualdade, vale tudo!" Vale o roubo? Vale! Vale a ditadura do proletariado? Vale! O bolivarianismo? Vale! A mentira, o aparelhamento do Estado, a corrupção por uma boa causa? Valem! O abolimento da lógica e do pensamento crítico? Valem! O coitadismo militante, a adoração de um líder que se julga acima do bem e do mal? Valem! A destruição da democracia em nome de defendê-la? Vale! "Fazer o diabo" para conquistar o poder e se manter nele? Vale!

Penso que, mesmo enquanto o pus sai desse cancro, precisamos considerar meios mais dignos de buscar os ideais da democracia: igualdade perante a lei; igualdade de oportunidades. Precisamos repensar o que vale e o que não vale para cada um de nós.   

GREGORIO DUVIVIER

Nenhuma reforma que preste jamais será capitaneada por Eduardo Cunha e sua gangue -todos sujos de lama até o pescoço. A primeira coisa seria dissolver o Congresso e pedir novas eleições -sem financiamento empresarial. Enquanto isso não acontece, legalizaria a maconha e impostaria o consumo -a verba gorda iria para saúde. Legalizaria o aborto e ofereceria de forma gratuita e segura pelo SUS. Retiraria a isenção tributária das igrejas -pastores pagariam imposto como todo mundo-, e os impostos iriam para a educação. Demarcaria terras indígenas e desapropriaria latifúndios. Daria incentivos aos agricultores de orgânicos. Taxaria mais a herança e menos o consumo. Taxaria mais a renda e menos o trabalho. Isentaria de imposto as bicicletas para incentivar o uso. Investiria na infraestrutura ferroviária em vez da rodoviária. Na energia solar e eólica em vez da nuclear ou hidrelétrica. Quando finalmente elegessem o Congresso, esse seria muito melhor e mais limpo, porque estaria lá representando o povo, e não bancos ou empreiteiras.

GUILHERME BOULOS

O maior desafio colocado hoje é construir uma nova saída para a crise. Uma saída que seja popular, que faça o andar de cima pagar a conta. Precisamos de uma reforma tributária, com taxação de fortunas e lucros, precisamos de uma auditoria da dívida pública e de uma redução profunda dos juros no país. Enfim, é necessário um programa que permita a ampliação dos investimentos públicos, com distribuição de renda e enfrentamento dos privilégios históricos da elite brasileira. Na contramão das políticas de austeridade, que afundam sociedades por onde passam. Junto a isso, precisamos de iniciativas que radicalizem a democracia no país. Se esta crise mostrou algo é o esgotamento do sistema político tal como está. É também a infâmia representada pelo monopólio das comunicações. É preciso transformar o sistema político, ampliando a participação popular e combatendo seu aprisionamento pelos interesses privados. É preciso também democratizar as comunicações no país. Só avançaremos nesses caminhos com muita mobilização, fortalecendo a luta popular.

HENRIQUE MEIRELLES

A prioridade é restaurar a confiança de trabalhadores, empresários e investidores. Só a confiança trará de volta os investimentos e o consumo, pilares para a retomada do crescimento. Para restaurar a confiança, é necessário sinalizar claramente que o Estado brasileiro é capaz de cumprir suas obrigações fiscais e adotar medidas pró-crescimento, como reformas e investimentos em infraestrutura.

JOÃO PEREIRA COUTINHO

Como observador estrangeiro, concordo com vários políticos e politólogos brasileiros: o Brasil deveria ponderar seriamente uma mudança do seu sistema presidencialista para um modelo semipresidencialista. Como em Portugal, por exemplo: os eleitores elegem uma assembleia e o presidente convida para formar governo quem tiver maioria parlamentar. O papel do presidente (eleito diretamente por sufrágio universal) seria promulgar as leis conformes à Constituição e só em casos excepcionais (como perigo para o regular funcionamento das instituições) poderia dissolver a assembleia e convocar novas eleições.

JOSÉ SIMÃO

O PAU VAI COMER! Qualquer que seja o resultado! O que está acontecendo no Brasil é guerra pelo poder. Tipo duas facções brigando pra ver quem vai tomar conta da boca de fumo! E a intolerância política, religiosa e moral vai demorar pra terminar. O brasileiro entrou nessa de I LOVE ODIAR!

JUCA KFOURI

Embora, como usual, a economia seja o motivo que fez a crise brasileira ficar do tamanho que ficou, é claro que sem uma REFORMA POLÍTICA de verdade, com a introdução da rechamada -recall para os íntimos-, voltaremos sempre ao mesmo ponto.

KIM KATAGUIRI

Com Dilma ou sem Dilma, a democracia brasileira tem de resolver os problemas da crise de representatividade, da harmonia entre os Poderes da República e dos absurdos custos de campanha, que incentivam a corrupção. Deputados estaduais e federais são eleitos por intermédio do sistema proporcional, que, além de tornar as eleições caras por obrigar os candidatos a fazer campanha no maior número de cidades possível, também distancia o eleitor do representante pelo fato de os votos serem, em regra, dispersos. Além disso, o sistema presidencialista faz com que os candidatos tenham de gastar fortunas em suas campanhas rodando o país inteiro em busca de votos, o que dá margem para que um líder que perdeu a legitimidade popular ou a base parlamentar se mantenha no poder, paralisando o país. A melhor maneira de solucionar esses problemas é adotar um modelo de voto distrital e o sistema parlamentarista. Assim, os eleitores votarão apenas em candidatos de suas respectivas regiões, e, consequentemente, as campanhas serão mais baratas. Além disso, a campanha do chefe do governo terá o mesmo custo da campanha de um deputado.

LAURA CARVALHO

A questão que mais assusta na economia brasileira hoje é a dinâmica do mercado de trabalho, tanto do ponto de vista do nível de emprego quanto do poder de compra dos salários. O processo virtuoso de crescimento com redução das desigualdades salariais durante os anos 2000 sustentou-se, em grande medida, no dinamismo do consumo de bens e serviços que demandam mão de obra pouco qualificada. Tal processo, ainda que apresentasse desafios para a sua continuidade, vem sendo revertido nos últimos anos de forma acelerada. A preservação dos empregos formais e a consolidação do menor nível de desigualdade de renda conquistados na última década depende da retomada dos investimentos públicos que, em um contexto de estagnação dos gastos privados e do comércio mundial, é o único fator autônomo que poderia gerar expectativas favoráveis nos agentes econômicos.

LUIZ FELIPE PONDÉ

Apontaria duas faces do mesmo problema, o populismo de esquerda, que deverão ser enfrentadas nos próximos anos no Brasil. A primeira face é econômica e social, e se constitui numa marca do país nos últimos mandatos do PT. O populismo é uma praga bem latino-americana. Caracterizado pelo gasto público desmedido, tem como meta tratar o povo como eterno dependente e, assim, torná-lo infantil e incapaz de entender que a vida econômica não tem garantias. Marca de um Estado gastador que se oferece como "pai dos pobres". A outra é o cerceamento do acesso nas universidades a uma bibliografia que não seja a de esquerda, tornando nossos alunos míopes, achando que não há vida inteligente para além de Marx e Foucault. O Brasil, fica, assim, menos capaz e mais cego.

MARCOS JANK

A crise doméstica jogou a agenda internacional do Brasil para segundo plano. Missões oficiais têm sido canceladas por falta de recursos, representações no exterior não conseguem cobrir gastos correntes e o Brasil não está honrando o pagamento das organizações internacionais. No curto prazo, não temos ambiente para retomar a agenda perdida da política comercial e dos acordos internacionais. Mas é hora de recuperar o tempo perdido. É preciso racionalizar a estrutura diplomática, fechando representações menos importantes para viabilizar as demais. É fundamental melhorar a coordenação entre os ministérios. Na promoção comercial, por exemplo, Itamaraty e Apex deveriam somar recursos e evitar duplicidades. Em vez dos holofotes dos megaeventos e das missões esporádicas ao exterior, ampliar a presença física e a ação diária junto aos reguladores dos países chave. Em vez de pedidos unilaterais de acesso ao país alvo, desenvolver parcerias estratégicas de longo prazo que beneficiem os dois lados. Países menores e com menos recursos que o Brasil têm mostrado resultados admiráveis. Basta olhar onde os navios estão atracando e por quê. 

NIZAN GUANAES

O Brasil não irá longe sem reformas que possibilitem crescimento sustentável. Para competir no século 21, precisamos de leis mais modernas e compatíveis com o futuro. Não adianta determinar direitos maravilhosos se não conseguimos sustentá-los. Nosso país tem um potencial enorme, que só reformas poderão destravar.

PEDRO PASSOS

Para atingir um crescimento econômico e social maior e mais duradouro, teremos que garantir a qualidade da educação, acelerar as concessões de infraestrutura, rever programas do governo para reduzir o tamanho do setor público, promover as reformas trabalhista, tributária e previdenciária e descomplicar a vida das empresas e dos cidadãos. Não é pouca coisa.

Será ainda indispensável fincar o alicerce da integração à economia mundial, por meio, entre outras medidas, de firme abertura de mercado, de forma a gerar o quanto antes maior concorrência, fator de destaque para impulsionar o desenvolvimento tecnológico e os ganhos de produtividade das empresas brasileiras.

REINALDO AZEVEDO

O governo, qualquer que seja, tem de enviar ao Congresso uma emenda parlamentarista com voto distrital puro, já para 2018, submetendo, depois, o resultado, se aprovado, a referendo. O sistema de governo não faz os ladrões, mas os ladrões tomam o sistema de governo com mais facilidade no presidencialismo. Essas mudanças levarão necessariamente à qualificação do Congresso, ao barateamento das campanhas eleitorais, a uma maior proximidade do eleitor com o eleito e a uma redução do número de partidos. Três medidas se fazem urgentes para tirar o país do buraco: 1) total desoneração de investimentos em infraestrutura, com um "fast-track" legislativo que facilite a entrada de recursos nessa área; 2) fim da distinção entre as Previdências do setor público e do setor privado para os novos servidores e elevação do tempo de contribuição; 3) permissão para contratos de trabalho alternativos à CLT. Não é preciso mexer nos chamados "direitos trabalhistas". Basta que as partes possam celebrar novas formas de acordo.

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