IMLB - Instituto Mãos Limpas Brasil

Missão: Ser a Entidade mais ética da História do Brasil

Diretor de Redação

Mtnos Calil

Login

"Antigamente os cartazes nas ruas com rostos de criminosos oferecia recompensas, hoje em dia pede votos...
E o pior é que o BRASILEIRO dá...

Eco e Narciso (Detalhe), Óleo sobre tela, John William Waterhouse, 1903, Museu Nacional, Liverpool - ilustração do artigo de Maria Laurinda Ribeiro de Souza 

O narcisismo deixou de ser um tema exclusivo da psicanálise no sentido dos transtornos emocionais individuais. Hoje, com a expansão desenfreada da sociedade de consumo onde o consumidor é tratado como "rei" (rei do simulacro, é claro), o narcisismo assumiu uma feição corporativa e grupal, deixando de ser uma neurose individual tipica da psicanálise. No narcisismo de grupo, o individuo projeta seu narcisismo para a uma identidade coletiva como  um time de futebol,  uma nação, ou qualquer instituição corporativa, a exemplo da OAB que virou o FAROL da sociedade brasileira. Ao invés da imagem da entidade ser reproduzida na água, como no mito de narciso, ela é construida na mente de seus dirigentes que passa a iluminar uma nação inteira. Quanto narcisismo hein? 

OAB é porto e farol da sociedade, diz presidente na posse da Bahia

Salvador - O presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, participou da recondução de Luiz Viana Queiroz ao posto de presidente da Ordem na Bahia. A cerimônia, realizada nesta quinta-feira (21) em Salvador, marcou também a posse da nova diretoria da Seccional e de seus conselheiros. “OAB deve ser porto e farol da sociedade brasileira”, afirmou Marcus Vinicius no evento.

Ao saudar o presidente reeleito, Marcus Vinicius relembrou as funções primordiais da Ordem: defender a valorização e as prerrogativas do advogados e zelar pelas causas da República. “A OAB da Bahia é vanguardista e timoneira de muitas causas do Brasil, fruto da tradição pioneira do Estado onde a nação brasileira começou. O presidente Luiz Viana tem todos os requisitos para enfrentar essa quadra histórica com altivez, pois representa esta Ordem que é porto e farol. Uma OAB que se apresenta como a instância segura para a travessia das crises e aponta caminhos para superação das mazelas”, afirmou.

Para o presidente do Conselho Federal, uma reforma política profunda é a única saída para atravessar a atual crise política, ética e econômica. “A OAB zela por causas que são importantes para melhorar nosso país, que passam fundamentalmente por uma reforma política que combata a corrupção e faça com que o povo vote sem o abuso do poder econômico influenciando nas eleições. Combater a corrupção administrativa começa com o combate à corrupção eleitoral. Nossa prioridade será a criação dos comitês de combate ao caixa 2 eleitoral, medida fundamental para o benefício da sociedade”, explicou.

Por fim, Marcus Vinicius relembrou a trajetória de sua gestão, iniciada há três anos com o apoio da OAB da Bahia. Segundo o presidente, três princípios guiaram este exitoso trabalho: OAB não deveria ser comentarista de casos mas protagonista de causas, não devendo ter função de fazer prejulgamentos, mas localizar causas da república que são fundamentais. Também a Ordem não poderia atuar como governo ou oposição, sendo seu único partido a Constituição e sua ideologia o Estado Democrático de Direito. Outra medida foi a gestão compartilhada, na qual todos os advogados se sentissem parte da entidade.

O presidente do Conselho Federal também elencou parte das 43 principais conquistas de sua gestão, principalmente no que concerne à valorização da classe, como a Súmula Vinculante do STF que assegura o caráter alimentício dos honorários, o Novo CPC, o Novo Código de Ética e a construção de 73 sedes de Ordem em todo o país, trazendo mais dignidade aos advogados.

Em seu discurso de recondução, Luiz Viana Queiroz relembrou as dificuldades de se advogar na Bahia, explicando que os colegas o chamaram para liderar a advocacia nessa difícil travessia, juntamente com os diretores e conselheiros seccionais. “Não existem mares fáceis na travessia de quem busca justiça. Advogar na Bahia é um inferno! Nada é fácil, mas tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, citou.

“Sonho com o dia em que advogar na Bahia seja um trabalho árduo, mas não infernal, em que hipócritas não terão lugar na prática forense.  Sonho com o dia em que não seja mais necessário defender nossas prerrogativas”, afirmou. Viana propôs ainda um pacto pela legalidade com objetivo de superar a grave crise do Judiciário baiano, com envolvimento de todos os atores, clamando também para que OAB se porte como mediadora da unidade nacional em busca de diálogo para a superação da crise. “Não existem formulas fáceis para solucionar problemas. Temos que montar o cavalo da história. O passado é um só, o futuro são muitos”, disse.

A diretoria da Seccional da Bahia conta ainda com Ana Patrícia Dantas Leão (vice-presidente), Carlos Medauar Reis (secretário-geral), Pedro Nizan Gurgel (secretário-geral adjunto) e Daniela de Andrade Borges (tesoureira). Na mesa de honra estiveram presentes o reitor da Universidade Federal da Bahia, João Carlos Sales; a presidente do Tribunal Regional do Trabalho, desembargadora Maria do Socorro Santiago; o vice-presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, desembargador Jatahy Fonseca; e a vice-prefeita de Salvador, Célia Sacramento.

SAUDAÇÕES

Vice-presidente nacional da OAB e candidato único ao cargo de presidente nas próximas eleições, Claudio Lamachia também prestigiou a recondução de Luiz Viana Queiroz. “Mais um momento de muito simbolismo dentro do Sistema OAB. A recondução do presidente Luiz Viana pelo seu extraordinário trabalho desenvolvido nos últimos três anos é motivo de honra. Nós, do Conselho Federal, ficamos muito felizes de presenciar um momento como este, que traz espelho real da democracia: presidente reeleito pelo voto direto dos advogados da Bahia. Todos estamos muito felizes”, disse.

Lamachia também avaliou o cenário da advocacia e do país nos próximos três anos. “Nos próximos três anos, teremos inúmeros desafios, mas seguiremos buscando cumprir com a missão que os advogados nos outorgaram. A Ordem tem que cumprir seu papel de defesa intransigente das prerrogativas dos advogados, mas também tem que cuidar das causas do Brasil, cumprindo seu papel constitucional de defender a democracia e os direitos humanos”, explicou.

O advogado José Arruda, de Porto Seguro, discursou em nome dos presidente de Subseções da Bahia. Em uma fala apaixonada, traçou um histórico da atuação da entidade no Estado e no país. “OAB não é do adesismo de conveniência, é severa na critica e serene nos elogios. Uma entidade a favor das vozes minoritárias, ao lado da sociedade nas causas mais justas”, disse. “Ainda há um longo caminho a ser percorrido, com redefinição do seu protagonismo. Precisa navegar outros mares neste enredo. Se estivemos na vanguarda da redemocratização, temos que imprimir máxima eficácia às garantias de direitos fundamentais. OAB é a alma cívica da nação”, asseverou.

Cynthia Maria Lima também proferiu discurso, falando em nome dos conselheiros seccionais eleitos para o triênio 2016/2018. “OAB materializou máxima de mergulhar nas águas profundas da democracia, garantindo que ‘nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia’. Luiz Viana é líder que atravessará seu tempo”, disse, antes de citar área em que a entidade avançou nos últimos anos, como em prerrogativas, jovem advocacia, advocacia no interior, educação jurídica e inclusão digital para os desafios do PJe, além da maior presença de mulheres na Ordem.

A posse contou a presença de diversas autoridades de todos os poderes. Estiveram presentes os conselheiros federais eleitos pela Bahia: Fabrício de Oliveira Castro, Ilana Kátia Vieira Campos, Antonio Adonias Bastos, André Luís Godinho, Fernando Santana e José Maurício Vasconcelos Coqueiro. O presidente do FIDA, Felipe Sarmento. Diversos presidentes de Seccionais: Fernanda Marinela (AL), Paulo Maia (PB), Thiago Diaz (MA), Henri Clay (SE), Antônio Fabricio (MG), Marcelo Mota (CE), Paulo de Souza Coutinho Filho. O conselheiro do CNJ Luis Claudio Allemand. Também conselheiros federais, diretores de Caixa de Assistência, Escolas Superiores de Advocacia e outras autoridades.

Fonte: http://www.oab.org.br/noticia/29219/oab-e-porto-e-farol-da-sociedade-diz-presidente-na-posse-da-bahia?utm_source=3386&utm_medium=email&utm_campaign=OAB_Informa

 

O que é narcisismo?

Com base nas ressonâncias desse termo, Freud desenvolveu um dos conceitos mais importantes de sua teoria

Maria Laurinda Ribeiro de Souza

Muitas vezes a palavra “narcisismo” é utilizada no senso comum de maneira pejorativa, para designar um excesso de apreço por si mesmo. Para a psicanálise, trata se de um aspecto fundamental para a constituição do sujeito. Um tanto de amor por si é necessário para confirmar e sustentar a autoestima, mas o exagero é sinal de fixação numa identificação vivida na infância. 

A ilusão infantil de que o mundo gira ao nosso redor é decisiva nessa fase, mas para o desenvolvimento saudável é necessário que se dissipe, conforme deparamos com frustrações e descobrimos que não ser o centro do universo tem suas vantagens. Afinal, ser “tudo” para alguém (como acreditamos, ainda bem pequenos, ser para nossa mãe) é um fardo pesado demais para qualquer pessoa. Alguns, no entanto, se iludem com o fascínio do papel e passam sua vida almejando o modelo inatingível de perfeição. 

Diz o mito grego que Narciso era uma criança tão linda e admirada que sua mãe, Liríope, preocupada com esse excesso, levou-o até o sábio Tirésias. Ele lhe disse que o menino só teria uma vida longa se jamais visse a própria imagem. Por muito tempo essas palavras pareceram destituídas de sentido, mas os acontecimentos que se desenrolaram mostraram seu acerto. Na adolescência, Narciso era um jovem belíssimo, mas muito soberbo. Ao passear certo dia pelo campo, a jovem Eco o viu e se apaixonou por ele, mas o rapaz a repeliu. Um dia, cansado, Narciso dirigiu-se a uma fonte de águas límpidas. Eis então que a profecia se realiza: ao ver-se refletido no espelho das águas, enlouqueceu de amor pelo próprio reflexo. Embevecido, não tinha olhos nem ouvidos para mais nada: não comia ou dormia. Em vão, Eco suplicava seu olhar. Mas Narciso só olhava para si. Apaixonado, ensimesmado, busca para aplacar sua dor um outro que, sendo ele mesmo, não lhe responde. Realizase, então, seu destino: mergulha no espelho e desaparece no encontro impossível.

Sem a possibilidade de reconhecimento do que é a própria imagem e do que é o outro, o corpo de Narciso tornou-se pura miragem e desfez-se nas águas... E Eco, que só a Narciso perseguia, só por ele clamava, só nele vivia, petrificou-se e perdeu o poder de sua própria palavra. Narciso não cria laços; não partilha seu encanto. Perde-se na imagem de si. Eco também se perde e, no desencontro, entrega-se à repetição compulsiva, sem poder se separar da miragem idealizada. 

Com base nas ressonâncias desse mito Freud desenvolverá um dos conceitos mais importantes de sua teoria – o narcisismo. Mencionado pela primeira vez em seus escritos em 1909, é apresentado como uma fase própria do desenvolvimento humano, quando se realiza a passagem do autoerotismo, do prazer centrado no próprio corpo, para o reconhecimento e a busca do amor em outros objetos – diferentes de si. Passagem importante e cheia de inquietações já que implica a saída da gratificação por aquilo que é efeito apenas da própria imagem – “Narciso só reconhece o que é espelho” – para a realização de uma das conquistas mais importantes da cultura: a possibilidade de viver, aceitar e trabalhar com a alteridade e, portanto, com as diferenças. 

Freud aborda explicitamente esse conceito – efeito do confronto vivido por ele mesmo ao deparar com argumentos de Adler e Jung, que questionavam suas teorias acerca do lugar ocupado pela sexualidade na constituição da subjetividade e na compreensão das patologias. A legitimidade do conceito justificouse a partir da experiência freudiana com a clínica, naquilo que reconheceu como resistência dos pacientes em abandonar suas posições amorosas, nas manifestações da onipotência infantil e do pensamento mágico, nas doenças orgânicas e na hipocondria – quando toda a libido se volta para o corpo doente – e nos delírios de grandeza das psicoses. Em O mal-estar na civilização, de 1930, Freud diz que um dos grandes obstáculos do homem em sua busca pela felicidade, e que lhe traz maiores dificuldades, é o sofrimento resultante das relações humanas, pois elas nos colocam em confronto com aquilo que, não sendo espelho, nos solicita novos posicionamentos. 

Toda criança, ao nascer, é banhada por vários olhares e desejos. Quando se contemplar no espelho, não verá o simples reflexo físico de uma imagem, mas tudo o que esses olhares depositaram no seu corpo. É um momento fulgurante de “sua majestade, o bebê!”. Júbilo para a criança e para os pais, que veem renascer das cinzas sua própria imagem idealizada e todos os seus anseios irrealizados. Instante de narcisismo primário – constitutivo e alienante. O bebê será um herói, vencerá todos os perigos; trata-se de um momento necessário, mas cheio de riscos. Se não ocorre, a imagem de si pode não se constituir, pode se fragilizar, parecendo insuficiente. Se for excessivo, torna-se aprisionante, comprometendo o futuro, a possibilidade de construção de projetos e os ideais. 

Se tudo corer bem, a criança se desligará desse olhar primordial e escapará do destino fatal de Narciso – embeber-se, afogado, na tentativa de perpetuar o encontro com a imagem que as águas lhe devolviam. Os desdobramentos do narcisismo são de fundamental importância para a análise do mundo em que vivemos. A valorização da imagem e do sucesso a qualquer custo reduz a tolerância das mínimas divergências – o que Freud chamou de narcisismo das pequenas diferenças – e acirra os conflitos, seja nas pequenas discordâncias do cotidiano ou nos grandes conflitos bélicos. Se o outro não me satisfaz, se não é espelho daquilo que almejo, se tenta opor se às minhas vontades e ameaça minha autoestima, eu o aniquilo. O terreno é propício para preconceitos, fanatismos e violência. 

A tragédia vivida por Narciso não nos abandona. Deixa sempre restos que nos fazem seguir pela vida tentando reencontrar o olhar mágico que nos enlevava e nos dizia tudo que éramos. Busca incessante de certezas, de entrega passiva às ilusões...

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/o_que_e_narcisismo_.html

 
Pin It

Logo TAYSAM Web Design 147x29