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-Dead communism, it only remains to mankind to civilize capitalism or continue to march toward the abyss, led by psychopaths of power - Mtnos Calil 
- Please forget that dream - Adriano Benayon

        I -  A última mensagem deste debate até a presente data (4/11/2016), por Mtnos Calil

                   Análise cientifica do capitalismo com Adriano Benayon: is it possible? 

1. Se eu fosse dono de um editora bem sucedida, convidaria o nosso professor de "história econômica do Brasil" para escrever um livro sobre esta matéria, contando inclusive, se fosse necessário, com a colaboração de outros historiadores e economistas independentes do Establishment. Diante da falta de estrutura para tal empreitada estou fazendo um levantamento das aulas digitais já ministradas pelo nosso professor, além das consultas ao seu livro "Globalização versus Desenvolvimento".

O que me motivou a fazer isso, foi o fato de ter identificado no trabalho do nosso professor, a presença do espirito cientifico, isento das anacrônicas ideologias da esquerda e da direita. Ao criticar os males do capitalismo, notadamente a concentração de capital, Adriano Benayon faz isso de forma bastante objetiva, tal qual um historiador interessado na narrativa dos fatos, livre das interpretações subjetivas ou mesmo das distorções ou manipulações, como ocorre amiúde nos livros de história. Adriano faz um diagnóstico do capitalismo e de suas vicissitudes inerentes, sem recorrer a qualquer pressuposto ideológico. 

2. Por outro lado, este espírito cientifico presente no diagnóstico dos problemas econômicos da humanidade,  desaparece quando o mesmo autor se coloca na posição de "terapeuta das enfermidades do capitalismo".  Ao contrário do que sugere o senso comum, essa divergência de método entre o diagnóstico e a terapia não deve estranhar, porque existem em todas as áreas da ciência problemas não resolvidos. Existem até mesmo enfermidades triviais como dor de cabeça e hipertensão cujas causas são mal conhecidas, devido inclusive à sua diversidade. Sempre haverá problemas a resolver, pois os mesmos são inerentes à existência humana.

Contribui para essa divergência entre o diagnóstico e a cura dos males do capitalismo, a  falta de uma visão multidisciplinar através da qual se estabeleça uma associação entre os problemas econômicos e os decorrentes problemas sociais, com outras disciplinas, as quais, segundo a cultura da hiper-especialização ainda reinante em nosso mundo acadêmico, são completamente ignoradas pela grande maioria dos especialistas em economia, política e sociologia. 

Assim, por exemplo, a concentração de capital é vista como uma decorrência natural do próprio funcionamento do sistema capitalista, sem a interferência relevante de fatores psicológicos, biológicos e outros, desvinculados do capital, tomado como conceito puramente econômico, como se não existisse uma “psicologia do dinheiro”. Será que o agora o tão vangloriado “espírito animal” dos empreendedores e capitalistas teria encontrado tanto êxito no processo de concentração de capital se não houvesse uma predisposição psicológica pela acumulação de dinheiro e do poder a ele associado?A cobiça desenfreada pela riqueza e a ambição desmesurada pelo poder já haviam sido criticadas enfaticamente não apenas pelos filósofos gregos Platão e Aristóteles, como também por Jesus de Nazaré. 

3. Civilização do capitalismo. 

a) O capitalismo é eterno? 

Nenhum sistema social, político ou econômico pode ser eterno. Isso parece óbvio. Porém a longevidade do capitalismo depende antes de mais nada dos significados que sejam atribuídos ao termo. Atualmente a expressão “economia de mercado” tem sido utilizada como sinônimo de capitalismo. O Dr. Adriano não apenas rejeita essa sinonímia como sugere a economia de mercado como alternativa ao próprio capitalismo. Neste caso haveria então duas economias de mercado, sendo uma capitalista e outra não capitalista? O fato é que até agora, seja por falha de nossa compreensão, seja por falha da exposição do autor, não conseguimos captar a diferença entre as duas economias de mercado, visto que a sugerida pela autor mantém intacta uma das premissas fundamentais da economia capitalista que é a amaldiçoada por muitos “propriedade privada”, e em particular, dos meios de produção (as empresas).

O Dr. Adriano considera a ideia de  civilizar o capitalismo como sendo “ completamente destituída de lógica”.  Porém no seu livro Globalização versus Desenvolvimento, ele cita administração de vários países capitalistas, como por exemplo a Coréia do Sul como exemplo a ser seguido pelo Brasil. Além disso cita em seus artigos as fases desenvolvimentistas da economia brasileira, que ocorreram dentro do sistema capitalista, como foi o caso de Getulio que criou a Petrobrás – é lógico que o sistema capitalista admite a existência de empresas estatais.

A estatização de uma parte da economia chinesa, não significa , é claro, que o capitalismo chinês, na sua essência se distingue do ocidental. Com o retorno da China ao capitalismo, se criou neste país uma cultura (tardia) de glorificação da riqueza através da divulgação do número crescente de bilionários chineses. 

O capitalismo assumiu recentemente, com a queda do comunismo na URSS e na China uma hegemonia absoluta que nunca teve desde o século XIX. Portanto se consolidou, pondo por terra a tese de que teria curta duração. Não é eterno, mas pode ter vida longa. 

b) O capitalismo é civilizável? 

O Dr. Adriano considera a ideia de  civilizar o capitalismo como sendo “ completamente destituída de lógica”.  Porém no seu livro Globalização versus Desenvolvimento, ele cita a administração de vários países capitalistas, sendo a Coréia do Sul um deles,  como exemplo a ser seguido pelo Brasil. Além disso, menciona em seus artigos as fases desenvolvimentistas da economia brasileira, que ocorreram dentro do sistema capitalista, como foi o caso de Getulio que criou a Petrobrás – é lógico que o sistema capitalista admite a existência de empresas estatais.

A estatização de uma parte da economia chinesa, não significa , é claro, que o capitalismo chinês, na sua essência se distingue do anglo-americano. 
Com o retorno da China ao capitalismo, se criou uma cultura de glorificação inédita da riqueza através da divulgação do número crescente de bilionários chineses. A riqueza está se tornando uma virtude na China, o que é um bom indicador de como a esquizofrenia social pode acabar com as velhas e boas tradições. 


A ideia de civilização do capitalismo, para ser aceita ou rejeitada, deve passar por uma análise multidisciplinar. Antes de desqualificar simplesmente a ideia, como faz o Dr. Adriano precisamos verificar se a própria humanidade é civilizável. Segundo as convenções culturais vigentes, nós estaríamos vivendo num estágio civilizado do desenvolvimento humano. 

O homem civilizado se distinguiria do não civilizado, com base em critérios culturais que não levam em conta a permanência  dos instintos selvagens que continuam ativos em nossos dias. Para a percepção desta selvageria basta levarmos em conta as inúmeras formas de violência, inclusive as guerras e ações terroristas, para constatarmos que a humanidade ainda está a meio caminho do seu processo civilizatório, que se encontra hoje numa fase regressiva, estimulada pela queda do comunismo (ou do falso comunismo, esse detalhe é irrelevante para o tema em discussão).

A queda do comunismo contribuiu de forma decisiva para tornar o capitalismo mais selvagem ainda, pela simples razão de que ele deixou de ter um inimigo poderoso. Como a psicologia do poder explica, os homens, que ambicionam o poder, quando livres de controle, levam sua ambição ao paroxismo como bem demonstrou a crise americana dos subprimes (pessoas contempladas com crédito sem ter a condição de quitá-lo).

A pergunta “O capitalismo é civilizável”  tem estreita ligação com o processo de civilização da própria humanidade. O fato é que a concentração de renda existente hoje no mundo, em que apenas cerca de 80 pessoas concentram riqueza equivalente à riqueza possuída por 3,5 bilhões de pessoas (cf. relatório da Oxfam, ONG britânica) é obviamente anticivilizatória. Hoje o avanço do processo civilizatório da humanidade depende de avanço equivalente que venha a ocorrer no capitalismo.

Se isso não for possível, como declara convictamente o Dr. Adriano, a lógica sugere que a humanidade continuará aguardando por uma oportunidade para completar seu processo civilizatório, aumentando, assim de forma acentuada o risco de se auto-destruir. E se não se destruir, continuará regredindo a estágios mais primitivos de sua existência, com a contribuição do desenvolvimento tecnológico que tem alimentado  de forma eficaz para a esquizofrenia social, como muito bem revela o uso crescente do celular que está formando uma nova classe de neuróticos obsessivos,compulsivos e robotizados.

A tecnologia está ao mesmo tempo criando robots humanizados e seres humanos robotizados, porque o livre mercado tão aclamado pelos liberais faz o que quer, sem controle do Estado a quem caberia humanizar a sociedade.  Se a humanização desse lucro aí sim, poderiamos esperar que o mercado cumprisse essa função do Estado. Mas o Estado é submisso ao mercado, ao qual a humanidade por sua vez é submissa, porque o mercado atende aos seus  mais primitivos desejos e fantasias. Entre o Estado e a iniciativa privada consolida-se hoje uma das alianças mais pérfidas e auto-destrutivas da história da humanidade. 

 

 

II- Adriano Benayon comenta mensagem enviada anteriormeente por  Mtnos

Prezado Mtnos

Permito-me entremear alguns comentários meus no corpo desta mensagem.

Mtnos Calil – respondendo a esta pergunta de Guilherme Fregapani: 

" qual a razao de tanto empenho em exportar comodities se paises que praticam esse tipo de exportacao normalmente empobrecem e sao transformados, economica e culturalmente, em colonias? Com o passar do tempo, para o pais exportador, ficam os buracos, o solo degradado e a  pobreza, enquanto que para as “metropolis” ficam a riqueza e o desenvolvimento" 

MC - Como o Brasil não se industrializou só lhe resta exportar commodities.

Adriano Benayon -  O Brasil se industrializara, com grande impulso de indústrias locais, principalmente em SP, mas também em outras unidades federativas, graças sobretudo a:

 a)   o isolamento forçado de 1914  a 1946 (guerras mundiais e depressão dos anos 30);

b)   a imigração, com uma parte considerável de gente proveniente de países com razoável nível cultural, embora a maioria fosse de camponeses, ocorrida com intensidade de 1870 a 1914, principalmente;

c)    as políticas sociais e de desenvolvimento liderado pelo Estado, nos diversos governos de Vargas (1930 a 1945 e 1951-1953);

MC - Juscelino Kubitschek foi um dos principais agentes do atraso do nosso país, quando implantou aqui a industria automobilística estrangeira, enquanto outros países construíram suas próprias fábricas.

AB. Correto. JK consolidou, manteve e ampliou as medidas absurdamente entreguistas, introduzidas pelo governo egresso do golpe de 1954, em que Café Filho foi mero fantoche, comandado por militares pró-EUA e políticos udenistas (para a UDN alinhar-se à política norte-americana era cláusula do Estatuto): para isso Eugênio Gudin e Otávio Gouveia de Bulhões, economistas ligados a Londres-NY foram os executores da política, materializada principalmente pelas Instruções 113 e seguintes, a partir de janeiro de 1955.

JK foi um completo traidor; eleito com os votos getulistas, radicalizou a desnacionalização da indústria, com subsídios fantásticos para favorecer o domínio dela por carteis de empresas multinacionais. Levou o País a inusitada alta da inflação, crise de contas externas etc..

Sua política causou a derrota do candidato apoiado pelo governo, facilitando a vitória do opositor  Jânio Quadros, eleito com a bandeira de austeridade (símbolo: a vassoura para varrer a sujeira, a corrupção). Não conseguiu pôr a casa em ordem: foi hostilizado pelo agressivo entreguista Carlos Lacerda e encontrou, logicamente um Congresso, resistente a políticas com alguma seriedade. Sentiu que não dava para governar com tal Congresso, como voltou a ser na Nova República. Tentou golpe, mas não teve êxito. Conclusão a bagunça entreguista de JK, acabou dando nessa instabilidade, interrompida pelo golpe de 1964, que, embora realizando muita coisa positiva, pecou por submeter-se ao sistema financeiro angloamericano. 

JK, carreirista e ambicioso, só pensava em voltar em 1965. Por isso, achou ótimo que o candidato governista à sua sucessão fosse Lott, militar austero, circunspecto, que perdia votos cada vez que abria a boca. A jogada era perder, para que o opositor herdasse a bomba deixada por JK (inflação, déficits e dívida externa inadministráveis). Como o povo tem memória curta, após o fracasso do sucessor, o populista e demagogo JK julgava que seria eleito.

Mais uma vez traindo as forças que o haviam apoiado, JK, vendo Goulart perdido, colaborou com o golpe militar, apoiando o candidato escolhido pelos EUA (Castello Branco), e angariando-lhe votos no  Senado. Os presidentes militares seguintes não foram vinculados a Washingon, e começaram a ser desestabilizados, quando o império percebeu que eles tomavam medidas visando à autonomia do País. Só que esses governos militares não perceberam que, com a estrutura econômica decorrente do modelo dependente a partir de 1955, não teriam condições de resistir ao boicote do império angloamericano, mormente por terem dado continuidade à política de alinhamento com o sistema financeiro mundial governado pela oligarquia de bancos angloamericanos. Nessa área da Fazenda, ao contrário de outras, deixaram gente do tipo de Delfim Neto, cuja missão seria manter boas relações com esse sistema financeiro: receita infalível para afundar, exagerando nos subsídios à exportação (mais um prêmio às transnacionais), como se isso fosse deter a escalada do crescimento exponencial da dívida externa.

MC - Assim, as nossas “zelites” constituídas pela classe empresarial brasileira e por nossos (des) governantes fizeram do Brasil um mero balcão de negócios.

AB. Os empresários locais ficaram com duas opções: desaparecer ou ser cooptados e/ou corrompidos aliando-se às transnacionais, numa associação em que só poderiam perder, i.e, sendo gradualmente encolhidos.  Como aos militares, faltou-lhes visão política e econômica, e foram levados na conversa pelos serviços secretos e oficiais angloamericanos, com a estória de que o comunismo era a ameaça que se colocava para o Brasil.

MC - E hoje a turma do agronegócio se orgulha de estar evitando uma queda maior ainda do nosso PIB.

AB - O agronegócio é outra das desgraças que assola o Brasil: mais uma força que leva à concentração econômica e à destruição dos solos para servir os interesses imperiais: inviabiliza, entre outras coisas, o programa da biomassa, como fora concebido por Bautista Vidal e Severo Gomes, que daria autossficiência energética ao Brasil, com energia limpa, renovável e de efeitos econômicos e sociais estupendos, a qual favoreceria também a descentralização da produção, a economia familiar e o cooperativismo, gerando quantidade fantástica de empregos, geração de tecnologia na produção primária, na alcoolquímica e na química dos óleos vegetais, suscitando também desenvolvimento tecnológico numa área em que o Brasil tem condições de ser imbatível na capacidade competitiva.

Livre do sistema do agronegócio, dependente das tradings monopolizadoras das commodities, a agricultura do Brasil deixaria de alimentar porcos e galinhas do exterior exportando soja transgênica, devastadora dos solos com fertilizantes químicos, sementes transgênicas e pesticidas à base de agrotóxicos, e  exportadora de carne, desperdiçando terras aráveis nas pastagens.

Tornar-se-ia produtora de alimentos e matérias-primas de alta qualidade, no quadro de uma economia desenvolvida, descentralizada e sustentável, com boa distribuição de renda, e também renda total elevada.

MC - E nos últimos anos, ao invés de nossas zelites tomarem consciência do mal que fizeram ao Brasil,  promoveram o agravamento do mal,  com a agora chamada “desindustrialização”.

AB - A desindustrialização (hoje a indústria responde por só 10% do PIB, depois de ter chegado a 35% nos anos 70) nada mais é do que consequência do modelo dependente. No final dos anos 70, a desnacionalização já era muito grande, e, em consequência, o crescimento da dívida externa era galopante: daí a estagnação da economia, desde a década dos anos 80, com o País sob a chantagem de dívida; depois as privatizações e toda a sequência de infortúnios, infraestrutura errada e demais passos para o afundamento do País, realizando o objetivo do império, que conseguiu, intervindo em nossa política, impedir o surgimento de uma potência industrial no continente.

MC - Mas para os ingênuos da política, o PT é o grande responsável por tudo... quando não passou de um filhote bastardo de nossas zelites, apadrinhado por um general entreguista (Golbery) que fez a cabeça de outros generais, não entreguistas, porém ingênuos. Generais ingênuos? Existe isso?  É claro que existe. Qualquer ser humano pode ser ingênuo e principalmente as pessoas de boa índole como os generais não entreguistas. E ao devolver o poder para os civis corruptos, os nossos militares acabaram, sem querer, contribuindo para a crise em que nos encontramos. Também pudera: com FHC e Lula só podia dar nisso mesmo. Um narcisista medíocre metido a intelectual e o outro, um carreirista de botequim.

AB -  A estrutura da economia e a infraestrutura formadas desde 1955 a 1989 já levariam ao desastre com qualquer presidente: bastava a Constituição de 1988 e os Congressos que se elegem sob a predominância do dinheiro concentrado (como eu dizia aos alunos de ciência política, prevalece a função e(f)g, ou seja, eleição, função de grana.

Claro que FHC, como agente pago do império, eleito e reeleito por meio de fraudes, foi importante para radicalizar o afundamento do País, e que Lula foi posto no 2º turno em 1989, por meio de fraudes nos registros de alguns tribunais eleitorais estaduais, afora golpes como impedir o transporte de eleitores de Brizola no interior. Lula foi metido na política pelo agente dos EUA, Golbery, e manteve o essencial das políticas de FHC.

Mas não convém minimizar a significação do tsunami devastador que foi a eleição de Collor, em mais uma jogada preparada de fora do País, para que este não tivesse chance de recuperação.

MC - E agora teremos um bode expiatório para continuarmos estagnados... arrumamos o culpado de tudo... É incrivel a ingenuidade da nossa classe média... assim até a Marilena Chauí poderia justificar seu “ódio de classe”. Mas para isso precisaria considerar a cúpula do PT como o setor mais degenerado da própria classe média, visto que Lula, Dirceu e Cia. não só emergiram para a classe média como chegaram a implantar a nova “burguesia esquerdo-petista”.

Será que o juiz Moro, tido pelos ingênuos como mais um salvador da Pátria, tem consciência de que não adianta prender milhares de corruptos se o pais não passar por uma profunda reforma sistêmica? É claro que os milhares de corruptos devem ir para a cadeia. Sem dúvida. Mas quem vai fazer o resto? Quem vai industrializar o Brasil fazendo uso da tecnologia que ignoramos?  Os militares teriam que tomar agora o poder, não mais para enfrentar o comunismo e sim para enfrentar o vendilhismo, civilizando o capitalismo brasileiro e levando adiante um programa do verdadeiro “desenvolvimento nacional”, isentos de qualquer americanofilia ou sinofilia.

AB - Sei que Mtnos não abandona essa ideia fixa de “civilizar” o capitalismo, ideia, a meu ver, completamente destituída de lógica: seria mais absurdo do que domesticar leões e outras feras. É ignorar a história e a lógica do poder: o capitalismo não é apenas um sistema econômico, é um sistema político, que desemboca na extrema concentração e no imperialismo. É uma ideia que não passa de “wishful thinking”. Além disso, já tentei explicar, umas 500 vezes, que capitalismo não deve ser confundido com economia de mercado, a qual deve ser preservada e cuidada pela política econômica. Se não o for ela acaba, e aí acaba tudo de bom que atribuem ao capitalismo.

MC - A democracia fracassou – ou melhor: a falsa democracia cujos grandes arautos foram FHC e Lula. 

AB - Claro que é falsa. De resto não existe democracia verdadeira com concentração econômica extrema: basta ver o fomento á mentira que ocorre mesmo nos países que muitos pensam ser democráticos, inclusive os modelos dos deslumbrados locais, como os EUA, a França, o Reino Unido e demais.

MC -Mas como já está bem claro, os militares não querem nem pensar em tomar o poder, talvez porque uma ruptura institucional pudesse provocar uma guerra civil. Uma outra guerra civil, além desta que está em andamento contra o crime organizado (e desorganizado). Outra razão é que os empresários, à diferença do que ocorria nos anos 60, preferem essa pseudo-democracia do que uma ditadura salvacionista.

AB.Que empresários? Já não temos mais isso, há muito tempo, como classe com influência na política do País. A última vez que a FIESP representou a indústria nacional foi na época de Roberto Simonsen, aí pelo final dos anos 40, início dos 50. Hoje o presidente da FIESP não representa coisa alguma. Que tipo de industrial é quem atua como vendedor de brinquedos chineses importados?

Não há empresários representativos em número suficiente: isso teria que ser reconstruído, se e quando o Brasil adotar política autônoma, quando tiver decidido politicamente voltar a ser uma Nação. Atualmente o que há são executivos de transnacionais e de bancos rentistas: bancos que ignoram e fazem questão de nem entender o que é economia produtiva, pois não se ocupam de financiamentos a ela, tendo enormes ganhos assegurados pelo indecente sistema da dívida pública.

MC - Morto o comunismo só resta à humanidade civilizar o capitalismo ou prosseguir na sua marcha em direção ao abismo conduzida pelos psicopatas do poder.

AB -  Please forget this dream.

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