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No Brasil, um Assessor de 3º nível de um Deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou mero estafeta de correspondências, ganha mais que um Cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo e a sua vida, buscando curas e vacinas para salvar vidas.

Na Alemanha, as doenças mentais tornaram-se a principal causa de aposentadoria precoce, no Brasil, notificações por doenças mentais cresceram 1324%.

chris devers / Flickr

As consequências do sistema econômico custam vidas, lesões fatais, traumas em famílias em todo o mundo. Não importa se é uma economia rica e desenvolvida, como o caso da União Europeia, onde em cada grupo de quatro cidadãos um tem algum distúrbio mental. Ou que a cada nove minutos ocorra um suicídio – 58 mil conforme os dados oficiais ainda do final da década passada.

No Brasil em 2013, foram registradas 53.646 mortes violentas- uma a cada 13 minutos - a maioria de jovens da periferia das regiões metropolitanas. Uma pesquisa do Ministério da Saúde apontou a morte de 1.118.651 pessoas entre 1991 e 2000 – mais de 309 mil homicídios, 62.800 suicídios e 309.212 mortes por acidentes e violência no trânsito. A Organização Mundial de Saúde estima que sete milhões de pessoas morreram em consequência da poluição atmosférica e por poluição domiciliar .

Em São Paulo morreram 99.084 entre os anos de 2006-2011, conforme pesquisa do Instituto de Sustentabilidade e Saúde, dirigido pelo pesquisador da USP, Paulo Saldiva. Desde o ano passado o ar contaminado e o poluente material particulado passaram a ser consideradas causas ambientais de mortes por câncer – de pulmão, na sua maioria. No Rio de Janeiro ocorreram 36.194 mortes no mesmo período. Somadas as duas frotas de veículos das maiores capitais brasileiras – SP e RJ – o total ultrapassa 10 milhões de veículos. A poluição causa doenças no sistema cardiovascular e pulmonar, e embora o Brasil tenha um programa de monitoramento do ar há 25 anos, apenas 1,7% dos municípios mantém estações de monitoramento. Em São Paulo existem 86, no Rio de Janeiro 80 e no Rio Grande do Sul 20, são os estados mais avançados nesta questão.

Dois milhões de mortes por acidentes de trabalho

A professora e juíza do trabalho Martha Furtado de Mendonça Schmitt, de Belo Horizonte, elaborou uma pesquisa sobre o trabalho e saúde mental na visão da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Os acidentes fatais no mundo causaram a morte de dois milhões de trabalhadores e os não fatais atingiram 330 milhões. As doenças relacionadas ao trabalho atingem 100 milhões de trabalhadores no mundo. O custo atual dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho é equiparado a 4% do PIB mundial. Os maiores problemas de saúde relacionados foram o estresse e as disfunções músculo-esqueléticas", registra a pesquisadora.

Martha Schmitt também aponta para o número crescente de casos de Karoshi – palavra japonesa que significa morte por excesso de trabalho – no país asiático, tendo por causas a tensão, alta demanda e excesso de obrigação em acatar ordens. Na Alemanha os casos de faltas ao trabalho por transtornos mentais dobrou nos últimos anos. Desde 1995, as doenças mentais tornaram-se a principal causa de aposentadoria precoce – a percentagem dobrou a partir de 1980.

Já no Reino Unido o Departamento de Trabalho e Aposentadoria Inglês aponta as doenças mentais e os distúrbios comportamentais como os responsáveis pelo maior gasto do setor - que junto com as doenças relacionadas ao sistema nervoso são a causa da metade das despesas com os benefícios por incapacidade, num total de 3,9 bilhões de libras. Em março de 2010, a Organização Internacional do Trabalho atualizou a Recomendação 194, incluindo as desordens mentais e comportamentais. No Brasil, ainda citando a pesquisadora mineira, em 2007 foram registrados 653.090 acidentes e doenças do trabalho. As notificações por doenças mentais cresceram 1324%, em segundo lugar as doenças osteomusculares registraram crescimento de 893%.

Na Europa custa de 3 a 4% do PIB

A União Europeia firmou um Pacto pela Saúde Mental em 2008, com metas para todos os estados membros, em consequência das “incidências significativas sobre os sistemas econômico, social, educativo, penal e judicial”, além disso a “estigmatização, a discriminação e o desrespeito aos direitos e a dignidade a pessoa doente continua a ser uma realidade, que se opõe aos valores europeus fundamentais”. A doença mental custa a União Europeia de 3 a 4% do PIB, sobretudo através da perda de produtividade. Ou seja, além da falta ao trabalho, as doenças mentais são uma das principais causas de aposentadoria e pensões por invalidez. Em 2014, o Parlamento Europeu decretou o “Ano Europeu do Cérebro e das Doenças Mentais”.

Na China, onde os migrantes deixam suas famílias para trabalhar nas fábricas dos centros industriais, os filhos “deixados para trás”, sofrem de ansiedade e depressão, um índice que atinge 15% das crianças, segundo Zheng Yi, presidente da Sociedade Chinesa de Psiquiatria da Criança e do Adolescente. A depressão já é considerada um problema de saúde pública pela Organização Mundial de Saúde e atinge 400 milhões de pessoas. Nos Estados Unidos o problema tem um contorno mais complicado porque envolve diretamente a indústria farmacêutica.

Os psiquiatras que elaboram o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), considerado uma referência não somente nos EUA, mas para outros países, são comprovadamente ligados à indústria. E tem aumentado o número de doenças de uma maneira absurda.

Experimento nocivo

A questão se tornou tão grave que o Instituto Nacional de Saúde Mental (NHI) decidiu excluir de financiamento as pesquisas que se baseiam nas categorias do guia. O psiquiatra Allen Frances, autor do livro “Saving Normal” – Salvando os normais -, que participou da elaboração do guia, denunciou a dobradinha médico-indústria:

"Estamos transformando os problemas diários em transtornos mentais e tratando-os com comprimidos... parte do problema é que o sistema de diagnóstico é muito frouxo... mas o principal problema é que a indústria farmacêutica vende doenças e tenta convencer os indivíduos de que precisam de remédios. Eles gastam bilhões de dólares em publicidade enganosa para vender doenças psiquiátricas e empurrar medicamentos”, disse ele em uma entrevista.

O transtorno do momento é o de déficit de atenção e de hiperatividade. Num mundo digital, onde as crianças já viram celebridades na internet, desde que saem da barriga da mãe e são fotografadas diariamente, logo em seguida, ganham o seu primeiro celular, é inevitável que o sistema nervoso acelere. O inconveniente da agitação é tratado com remédio, e os Estados Unidos são campeões na produção e consumo da Ritalina, o medicamento indicado para estes casos – são 38 toneladas produzidas e 34 consumidas.

Diz o psiquiatra Allen Frances : “o TDHA ocorre em 3% das crianças, mas é diagnosticado em 11% e, ridiculamente, em 20% dos adolescentes homens. Nós estamos fazendo um vasto e descontrolado experimento em nossas crianças, banhando seus cérebros imaturos com produtos químicos fortes sem saber seus efeitos de longo prazo”.

Morrendo à míngua

No Brasil, o Ministério da Saúde considera que 3% da população apresentam transtornos mentais severos e persistentes, mas de 9 a 12% - ou seja, até 15% da população -, em todas as faixas etárias apresentam transtornos mentais leves e necessitam de cuidados eventuais. Também registra a dependência de álcool entre os 12 e 65 anos em 9 a 11% da população.

No momento em que os burocratas da diplomacia mundial começam a reunião preparatória para a próxima Conferência do Clima em Lima - a COP ocorrerá em 2015 na capital da França - é fundamental ter em conta o seguinte: a população mundial tem problemas gravíssimos no seu cotidiano, como consequência do sistema econômico, que só aumenta a concentração de renda na mão de uma elite cada vez menor, e deixa a grande maioria numa corrida sórdida por sobrevivência. E, no dia a dia, vai perdendo a batalha econômica, para uma elite que não quer saber se as condições de vida no Planeta estão piorando, o que significa que vai piorar ainda mais a vida de milhões de pessoas. Muito antes dos governantes se dignarem a traçar metas de mudanças no sistema econômico, onde somente o poder financeiro comanda, ou muito mais difícil, definirem metas de redução de consumo de petróleo, que significa reduzir frotas de veículos e mudar os sistemas de transporte no mundo – além é claro de acabar com o poder das petrolíferas e as ligações do mercado com a elite árabe - milhões de trabalhadores continuarão morrendo à míngua, doentes, enlouquecidos, e pior, se considerando culpados.

Najar Tubino 

01/12/2014

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