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Segundo partido, ex-diretor da Petrobras ofendeu a honra da legenda.

O PT apresentou queixa-crime contra o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, por difamação. A queixa foi protocolada no Juizado Especial Criminal do Foro Central da Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná. De acordo com o PT, Costa imputou falsamente crime a terceiros e ofendeu a honra do partido em  depoimento à Justiça.

O ex-diretor foi preso pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas em todo o país. Segundo a PF, cerca de R$ 10 bilhões teriam sido movimentados ilegalmente. As investigações chegaram até Costa após a PF identificar suspeitas de irregularidades em contratos da estatal. Costa ainda é suspeito de manter negócios com o doleiro Alberto Youssef, também preso pela operação.  

arte petrobras (Foto: Editoria de Arte/G1)

Na semana passada, o ex-diretor da estatal e Youssef detalharam em depoimento à Justiça Federal do Paraná suposto esquema de pagamento de propina envolvendo contratos oriundos da Petrobras. Entre os partidos beneficiados estariam o PT, PP e PMDB - todos negam as acusações. Youssef e Costa firmaram acordo de delação premiada com a Justiça, em que se comprometem a dar detalhes do suposto esquema em troca de abrandamento das penas.

Nesta segunda-feira (13), o presidente do PT, Rui Falcão, disse a jornalistas que o teor do depoimento de Paulo Roberto Costa "sãodenúncias infundadas, sem provas e não atingem a nossa presidenta nem nossa campanha".

Falcão informou também que pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) acesso ao conteúdo dos depoimentos prestados pelo ex-diretor da Petrobras.

Segundo Rui Falcão, a legenda quer saber se há menção sobre integrantes do partido. "O que nós queremos saber é se existe algo referente a pessoas do PT. É isso que queremos saber e por isso apresentamos os pedidos ao senhor Rodrigo Janot [PGR] e ao ministro Teori Zavascki [relator dos processos relativos à Operação Lava Jato no STF]", disse nesta segunda.

No documento entregue ao STF e à PGR, a assessoria jurídica do partido pede acesso à íntegra dos depoimentos “para que se possa conhecer por inteiro as acusações, esclarecer os fatos e refutar as inverdades propaladas”, diz trecho do documento.

Detalhes do suposto esquema
No depoimento à Justiça, Costa disse que diretores da estatal cobravam propinas de 3% sobre todos os contratos firmados com fornecedores e empreiteiras. O ex-dirigente da Petrobras explicou como funcionava a divisão da propina entre as legendas partidárias.

Segundo ele, parte da propina cobrada das empresas era direcionada para atender a PT, PMDB e PP e foi usada na campanha eleitoral de 2010.

De acordo com o depoimento de Costa, o PT recolhia para o seu caixa 100% da propina obtida em contratos das diretorias que a sigla administrava na empresa, como, por exemplo, as de Serviços, Gás e Energia e Exploração e Produção. Se o contrato fosse de uma diretoria que pertencia ao PP, o PT ficava com dois terços do valor e o restante era repassado para a legenda aliada.

Da cota do PP, detalhou o ex-diretor, 60% eram repassados para a direção do partido, 20% eram usados para emitir notas fiscais e outros 20% eram divididos entre ele e o ex-deputado José Janene, já falecido.

Sobre o PMDB, Costa disse que a sigla costumava indicar o diretor da área internacional da Petrobras, e que também obtinha uma parte do rateio da propina. Ele, no entanto, não detalhou qual o percentual que ficava com os peemedebistas.

No dia em que os depoimentos foram divulgados pela imprensa, o presidente nacional do PT já havia divulgado nota na qual dizia repudiar "com veemência e indignação" as declarações "caluniosas" de Paulo Roberto Costa. Na nota, Falcão disse que o PT "desmente a totalidade das ilações de que o partido teria recebido repasses financeiros originados de contratos com a Petrobras".

Tesoureiro do PT
Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef também afirmaram em seus depoimentos, tomados separadamente pelo juiz federal Sérgio Moro, que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, era o "operador" da cobrança de propina pelo partido.

Segundo Youssef, que, de acordo com a denúncia, também operava o esquema de corrupção montado dentro da Petrobras, ele se reuniu "uma ou duas" vezes com o tesoureiro petista para tratar da Petrobras. Indagado pelo magistrado sobre se Vaccari tinha conhecimento do esquema de cobrança de propina, o doleiro foi taxativo: "Com certeza".

Em nota oficial, a Secretaria de Finanças do PT, da qual Vaccari é o titular, declarou na ocasião que o dirigente petista nunca tratou de contribuições financeiras do partido, "ou de qualquer outro assunto", com Paulo Roberto Costa. Segundo o comunicado, o depoimento prestado por Costa "está carregado de afirmações distorcidas e mentirosas". A secretaria informou na última semana que todos os que investiram contra a "honra e reputação" de Vaccari serão processados civil e criminalmente.

Do G1, em Brasília

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