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Para petistas e tucanos, espólio da candidata do PSB, que ficou em 1º lugar no Estado de Eduardo Campos, é crucial

Berço político do ex-governador Eduardo Campos, morto em um desastre aéreo no dia 13 de agosto, e terra natal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Pernambuco está no centro da disputa deste 2.º turno pelo Palácio do Planalto. 

Sétimo maior colégio eleitoral do Brasil e segundo do Nordeste, com 6,5 milhões de eleitores, o Estado é visto pelos tucanos como o caminho mais viável para reduzir a grande vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre Aécio Neves (PSDB) em uma das regiões mais populosas do País. A petista terminou o 1.º turno com 16,3 milhões dos votos nordestinos, o que a ajudou a ficar em primeiro lugar no quadro geral da votação realizada no domingo. Já o tucano teve 4,2 milhões de votos na região e Marina Silva (PSB), 6,4 milhões. 

Embora perca em número de eleitores para a Bahia (10 milhões) e fique muito próximo do Ceará (6,3 milhões), Pernambuco se transformou em palco privilegiado da disputa por ter dado 44% de seus votos a Marina, que está fora da corrida presidencial. Os 2,3 milhões de votos dados no domingo à candidata do PSB - mais que o dobro dos 904 mil obtidos pela ex-ministra em 2010 - tornaram-se cobiçados não só pelo volume, mas por serem os com maior potencial de transferência em seu espólio. Marina cresceu no Estado em função da proximidade com Campos e da estrutura partidária do PSB pernambucano.

Esse simbolismo de Pernambuco faz lembrar a disputa por Ohio, na eleição presidencial dos Estados Unidos em 2004. O sistema eleitoral americano elege o ocupante da Casa Branca por meio de delegados estaduais - quem tem mais eleitores num determinado local leva todos os votos. Naquele ano, a campanha à reeleição do republicano George W. Bush enfrentava o democrata John Kerry em uma corrida acirrada. Ohio foi o Estado mais disputado e de fato foi decisivo no resultado final - no caso, para a recondução do republicano. Outra peculiaridade: nenhum candidato republicano conseguiu chegar à Casa Branca sem vencer em Ohio.

Retomada. Apesar de ter registrado no Estado seu pior desempenho, 5,9%, Aécio recebeu o apoio dos principais correligionários locais de Campos e a sinalização da família do ex-governador e espera, com isso, reverter esse placar tão baixo - em 2010, José Serra ficou com 17,4% dos votos.

Eleito governador no 1° turno, Paulo Câmara coordenará a campanha de Aécio no 2° turno ao lado do prefeito do Recife, Geraldo Júlio. Ambos são do PSB e afilhados políticos de Campos. A avaliação dos aecistas é que, com o apoio do grupo político do ex-governador e o de Marina, o candidato herde a maior parte desses eleitores. 

"A logística da campanha estadual do PSB,  da qual participamos, já está pronta. Na pior das hipóteses Aécio vai para a casa dos 2 milhões de votos no Estado", afirma o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), um dos coordenadores da campanha de Aécio no Nordeste. Para o senador José Agripino (DEM-RN), coordenador geral da campanha de Aécio, é "evidente" que o tucano crescerá no Estado com o apoio do PSB. Pesquisas internas do PSDB mostram que o tucano já lidera a corrida eleitoral no Recife. 

Já no PT o clima é de pessimismo. Depois de governar a capital do Estado por três mandatos e contribuir para seguidas vitórias a Lula e Dilma, o PT de Pernambuco se esfacelou. No dia 5 de outubro, o partido não conseguiu eleger um deputado federal sequer no Estado. Uma facção do partido chegou a abandonar a orientação nacional para apoiar o PSB.

Segundo a presidente do diretório estadual do PT pernambucano, Teresa Leitão, a expectativa é de que a maior parte dos votos de Marina migre para Aécio. "Acho que podemos ficar com aqueles votos mais de opinião", disse ela. 

O PT nomeou o senador Humberto Costa para coordenar a campanha de Dilma no Estado, mas até agora a direção nacional ainda não sinalizou quais serão as diretrizes da estratégia local. O PT pernambucano pediu agendas com Lula e Dilma, mas ainda não teve resposta. "Mandamos um orçamento para Brasília, mas ainda não foi aprovado", disse Teresa. Enquanto aguarda uma indicação de rumo, o partido tenta se mobilizar. Depois de garantir o apoio formal do candidato derrotado ao governo, Armando Monteiro (PTB), e do PC do B, o PT marcou duas reuniões para esta quinta-feira, 9, com o objetivo de reunir dirigentes, prefeitos, vereadores e demais parlamentares do partido e legendas aliadas para se engajarem na campanha de Dilma. 

 

PEDRO VENCESLAU E RICARDO GALHARDO - O ESTADO DE S. PAULO

09 Outubro 2014 | 07h 00

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