Quando o grupo Globo se manifesta veementemente – e várias vezes por dia – contra um Presidente da República, o esperado é que o presidente seja defenestrado. Mas com Temer a situação é diferente porque ele pode contar com o apoio dos seus velhos e novos amigos do Congresso. Além disso, Temer só pode ser despedido se a constituição e as leis em vigor darem o devido respaldo jurídico.

 

O mercado e seus porta-vozes (com destaque para os economistas)  também querem a saída imediata de Temer. Já existe um consenso de que para a recuperação da economia é necessário que Meirelles e sua equipe trabalhem em paz sem as turbulências provocadas pela crise política.

Diante disso não seria bom para o país e para o próprio Presidente-Tampão que pedisse demissão? Porque ele não renuncia?

 

Segundo a declaração do deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), divulgada Pelo G1 em 18/05/2017, seriam dois os motivos da tenaz (e temerosa) resistência do ex-aliado de Dilma:

 

“A insistência de Temer de permanecer agarrado no poder tem dois objetivos: primeiro, se proteger das consequências criminais que pesarão contra ele quando deixar a Presidência e, segundo, ganhar tempo para conduzir o Congresso a uma eleição indireta em que ele eleja o próximo presidente”

 

Nessa altura do imbróglio imagino que Temer não esteja tão amalucado a ponto de querer ser presenteado com uma eleição indireta, restando apenas a busca pela impunidade, que justificaria todo o esforço diuturno que ele tem feito para se manter no poder até o final de 2018. O mesmo esforço no sentido contrário tem feito a Globo.

 

Quem você acha que vai ganhar essa disputa? Para os  14 milhões de brasileiros desempregados e mais alguns milhões que desistiram de procurar emprego fará alguma diferença significativa se ganhe a Globo ou Temer?

 

Vera Magalhães, em seu artigo publicado no Estadão (v.abaixo) encontrou um termo muito interessante para qualificar Temer se ele permanecer no cargo: “ECTOPLASMA”. Esse termo designa um complexo processo mediúnico difícil de descrever. Mas deixo aqui uma boa noção do significado, extraída da Wikipedia:

 

“O termo ectoplasma, largamente utilizado no cinema em filmes e desenhos animados onde aparecem fantasmas, ganhou certa popularidade, e teria tido acepções não necessariamente condizentes com os conceitos religiosos ou parapsicológicos, nem por isso menos verdadeiro considerando que trata-se de suposição.

 

“É no Espiritismo, consoante seu crescimento ocorrido no Brasil, entretanto, que o vocábulo ganhou definições mais específicas, estabelecendo-se conceitualmente como a substância base para as manifestações físicas decorrentes de supostos fenômenos mediúnicos.”

 

A política brasileira está inundada de ectoplasmas. As empresas fantasmas, por exemplo, constituem um dos organismos onde jorra uma quantidade gigantesca de dinheiro real que a Receita Federal poderia capturar. Mas por razões que a própria razão desconhece, os dirigentes da receita se recusam a aceitar a proposta do seu próprio auditor aposentado – Luiz Otávio da Rosa Borges – que liquidaria com esse ectoplasma, bastando para isso divulgar os falsos endereços dos fantasmas. Os endereços existem mas nele se localizam apenas os ectoplasmas.

 

Mtnos Calil