Agradeço ao Arialdo por essas e outras réplicas cujo extenso conteúdo vai nos permitir uma análise lógica com elevado grau de precisão, o que implica reduzir ao máximo as interpretações subjetivas tão a gosto dos ideólogos da esquerda e da direita.  

 

Dada a diversidade dos assuntos, proponho discutirmos um a um, começando pela China. Outro assunto que considero de fundamental importância é o que estou denominando "ideologia do dicionarismo” que atribui aos dicionaristas o direito sagrado de definirem as palavras quando o que eles fazem é simplesmente coletar as definições (ou conceitos) elaborados ou adotados por terceiros. Isso não significa é claro, que os dicionários devam ser relegados a segundo plano, mas que devem ser utilizados com o espírito crítico associado ao maior rigor semântico possível, visando contribuir para a redução da ambiguidade inerente à linguagem, ao contrário do que fazem hoje quando elevam a polissemia e a sinonímia ao grau máximo, como se fossem grandes virtudes linguísticas.

 

A minha definição  de capitalismo começa com o conceito da  “propriedade privada dos meios de produção”, gerenciada de tal forma que seus proprietários podem fazer suas empresas crescerem sem limites pré-estabelecidos. A existência hoje de empresários BILIONÁRIOS atuando na China me parece ser uma prova evidente de que o país do Mao aderiu ao capitalismo, o mesmo tendo ocorrido na falida URSS, que deu origem a um Putin no lugar de um Stalin.

 

A definição de capitalismo e de outros termos a ele associados, como por exemplo “política”, carece sim de um consenso lógico-semântico. O capitalismo é um sistema cuja economia é chamada de mercado. Porém há aqueles que visualizam uma economia de mercado não capitalista. Ora, onde vigora a propriedade privada dos meios de produção a economia só pode ser de mercado, ou de “mercado capitalista”, mesmo nos países como a China onde existe um número significativo de empresas estatais.

 

Empresas estatais ao lado de empresas privadas não constituem o tal “socialismo de mercado”, que até prova em contrário é uma falácia ideológica. A China a exemplo do que ocorreu com os Estados Unidos vai assumir a liderança do “capitalismo mundial”, mas até lá o poder econômico mundial vai contar com a liderança não apenas da China como também dos Estados Unidos  e das grandes corporações. A diferença entre o capitalismo americano e o chinês reside principalmente no fato de os EUA não terem adotado o modelo social-democrata que vigorou na Europa. Entretanto, como a China chegou tardiamente ao capitalismo, o seu crescimento poderá não ser suficiente para atingir o mesmo padrão social que vigorou em alguns países europeus, como a Alemanha. Há uma crise em marcha no capitalismo que provavelmente impedirá a perpetuação do “milagre chinês”.

 

A divergência política entre os EUA e a China*  acabou com a queda do muro de Berlim, ou no máximo se restringe hoje a interesses geo-politicos, socialismo marxista à parte.   

 

A grande disputa agora se dá no campo econômico, onde poderia ocorrer a contribuição da China para “civilizar” o capitalismo, o que teria como pré-requisito a desconcentração do capital e a eliminação da pobreza. Mas se o capitalismo, por definição, gera riqueza de um lado e pobreza do outro, não há como acabar com a pobreza, e sim apenas reduzi-la ao máximo possível. REDUZIR A POBREZA NA CHINA, o que está ocorrendo a olhos vistos, não implica substituir o capitalismo pelo tal “socialismo de mercado”.

 

Acabar com o processo de financeirização do capitalismo, retomando a ênfase do lucro na produção de bens é um caminho para reimplantar a social - democracia que vigorou por um tempo na Europa após a 2ª. Guerra mundial. Enfim onde há empresas gerando lucro (ou mais valia) o sistema é capitalista. E nos países sub-desenvolvidos a social democracia se estabelece também através de programas sociais ao estilo lulo-petista** como o Bolsa Família, o programa Minha Casa Minha Vida e tantos outros. Mas como sem dinheiro ninguém pode viver, não há outro caminho para se reduzir a pobreza, inclusive na China senão incluindo-se a implantação da “renda básica universal” que já está sendo discutida na Europa.

Seria o bolsa-família exportado para o mundo com os devidos aperfeiçoamentos.

 

*Existe hoje uma simbiose entre os EUA e a China (“Chimérica”) cuja ruptura só trará prejuízo a estes dois líderes da economia mundial com reflexos imediatos para o resto do mundo. A China subsidia hoje o déficit orçamentário americano com mais de um trilhão de dólares! Em troca os EUA importam toneladas de produtos chineses de preço acessível à população americana. Quem sai ganhando mais nesta simbiose? Se a China prioriza a exportação, o mercado interno não fica prejudicado? Afinal os exportadores representam apenas uma pequena parte da população. Não seria esse “mercantilismo” danoso às camadas mais pobres da China Do seu lado, os EUA saem beneficiados porque quanto mais títulos da dívida pública venderem, menor será a taxa de juros. O problema se localiza muito mais na taxa de juros do que no montante da dívida.

   

**Alerta para os anti-petistas genéticos: não estou, ao citar os programas sociais implantados nos Governos Lula, legitimando a corrupção por ele comandada. A principal razão que a meu ver levou Lula a aderir à corrupção não foi a corrupção como fim mas sim como meio para conquistar o poder e nele se manter. E ele só foi afastado do poder porque as zelites com as quais se associou não precisavam mais dele.  Moro foi o instrumento legalizador deste afastamento.

 

Quanto a Bolsonaro é provável que ele seja dispensado pelas mesmas zelites  em prazo mais curto que o de Lula, já que o capitão está perdendo apoio até das FFAA, às quais, diga-se de passagem, ele nunca representou. Bolsonaro teve o apoio do Establishment porque não havia outra opção eleitoral para tirar o PT do poder. Isso significa que por falta de quadros – e também devido a seu desprezo congênito pelos pobres- a direita não está conseguindo capitalizar com segurança o fracasso da esquerda. Isso só confirma o retrocesso – ou melhor, a falência – do sistema político vigente no Brasil e no mundo ocidental . Esse sistema é de uma democracia representativa que  representa mais os interesses dos donos do poder e de seus aliados do que os da maioria dos eleitores. 

 

Mtnos Calil - Coordenador Nacional do IMLB -  Instituto Mãos Limpas Brasil 

 

 

De: Arialdo Pacello [mailto:[email protected]]
Enviada em: segunda-feira, 22 de julho de 2019 18:03à
Assunto: RE: Para quem acha que a China abandonou o socialismo.

Mtnos Calil faz algumas análises interessantes. Acredito que ele é honesto, preparado, e que está à busca da verdade. Mas algumas de suas análises são, a meu ver, maniqueístas. Ele separa os conceitos em estratos absolutos, fechados, herméticos. Ou é do bem ou é do mal. Ou é capitalista ou é comunista. Ou é materialista ou é idealista. É o que fazem alguns cristãos que conheço, alguns ateus, e alguns radicais e fundamentalistas.

Mas pergunto: o que é o comunismo para Calil? E o que é o capitalismo?

Eu mesmo respondo, em parte:

 – O comunismo de Karl Marx-Engels não é o comunismo de Stálin. O capitalismo do economista inglês John Maynard Keynes (e do presidente Franklin Delano Roosevelt) é muito diferente do neoliberalismo (ou liberalismo clássico, ou fundamentalismo de mercado) dos economistas da Escola Austríaca Ludwig von Mises e Friedrich Hayek (adotado por Margareth Thatcher no Reino Unido e por Bush pai, Bush filho e Donald Trump nos EUA)!

Calil, o comunismo não está morto. O comunismo é uma ideia. O capitalismo não está morto. O capitalismo é uma ideia, um sistema. Ambos têm os seus valores, mas ambos estão sujeitos a controvérsias e aos efeitos do processo dialético.


O próprio termo “liberal” tem significados completamente diferentes nos EUA e no Brasil. No Brasil, é termo adotado pela direita dos banqueiros privados, pela FIESP/CNI, pela FEBRABAN e pelos egressos da Escola de Chicago; nos EUA, é adotado por pessoas com orientação ideológica à esquerda, ligados a universidades progressistas, como Paul Krugman (Nobel de Economia 2008) e Joseph Stiglitz (Nobel de Economia 2001) entre tantos outros.


O liberalismo clássico está associado ao surgimento do capitalismo industrial do século XIX, que trouxe um inegável aumento de riqueza para poucos, mas trouxe a disseminação de favelas, pobreza, ignorância e doenças para muitos. É a expressão de brutal desigualdade. Este é o capitalismo adotado no Brasil. Prega o Estado mínimo, a privatização, o lucro sem limites e estimula a ganância,  o egoísmo, e o aumento da desigualdade.


 Já o liberalismo moderno percebeu as mazelas do liberalismo clássico, e passou a defender a “criação de um Estado intervencionista e promotor”. (O Mercado jamais se preocupou com a justiça social e com a redução das desigualdades. O Mercado absoluto provoca desigualdade,  miséria e pobreza. Cabe ao Estado a inevitável intervenção regulatória). Eu digo, sem medo de errar, que, no Brasil, o liberalismo clássico (= riqueza para poucos, e favelas, doenças e fome para muitos) é aquele adotado por Jair Bolsonaro, general Heleno e general Mourão, Paulo Guedes, João Dória, Ronaldo Caiado e muitos outros. Ou seja, é representado pelo PSL, pelo DEM e pelo PSDB atual, completamente desfigurado por Dória, que está expurgando os idealizadores do PSDB original, que, pelo menos, tinha algumas ideias sociais-democráticas. Hoje, a sigla do partido não mais corresponde às práticas de seus atuais líderes.


Já pedi ao Calil que considere a dialética hegeliana. Que verifique como a história é repleta de intermináveis teses, antíteses e sínteses.


Já expliquei ao Calil que não existe socialismo puro ou capitalismo puro em lugar nenhum do mundo. Andrew Heywood, diretor de duas faculdades na região metropolitana de Londres, diz em seu pedagógico livro “Ideologias Políticas – Do liberalismo ao fascismo”, que:

 “...a escolha entre o socialismo ‘puro’ e o capitalismo ‘puro’ é sempre uma ilusão, uma vez que todas as formas econômicas mesclam, de diferentes maneiras, características de ambos os sistemas. De fato, os socialistas modernos tendem a ver o socialismo não tanto como uma alternativa ao capitalismo, mas como um meio de atrelar o capitalismo a objetivos sociais mais amplos”.


Vejam, por exemplo, os países nórdicos (Dinamarca, Suécia, Noruega, Islândia, Finlândia): eles conseguem combinar uma economia de livre mercado com um amplo estado de bem-estar social. A mescla ali, entre princípios capitalistas e socialistas, é tão grande que os norte-americanos mais conservadores dizem que a Escandinávia é socialista. Porém, os próprios escandinavos criticam o sistema como excessivamente capitalista. Uma das principais consequências dos princípios socialistas adotados nesses países é a redução das desigualdades sociais. É também a alta tributação do capital. Coisa que, no Brasil, estamos longe de alcançar, pois nosso país está entre os dez países mais desiguais e perversos do planeta, porque aqui é o paraíso dos rentistas. Os ricos praticamente não pagam impostos. E Bolsonaro e Paulo Guedes querem nos colocar no primeiro lugar do mundo do ranking da desigualdade!


Ha-Joon Chang, sul-coreano, professor de Economia, há mais de 20 anos, na University of Cambridge, universidade pública do Reino Unido, nos diz em sua magnífica obra “ECONOMIA: MODO DE USAR” que se lermos apenas publicações como The Economist ou The Wall Street Journal podemos ser levados a acreditar que o sucesso econômico de Cingapura se deve exclusivamente ao livre comércio e ao livre mercado. Mas que essa conclusão irá se desfazer quando soubermos que quase a totalidade das terras de Cingapura pertencem ao governo, 85% da moradia é fornecida por uma agência governamental (o Conselho de Desenvolvimento Habitacional) e 22% da produção nacional vem de empresas estatais. Chang afirma que não há nenhuma teoria econômica – seja neoclássica, marxista, keynesiana ou o que for – capaz de explicar o sucesso dessa combinação de livre mercado e socialismo.


Enquanto isso, no Brasil de Bolsonaro, Paulo Guedes e dos Chicago Boys que foram nomeados para destruir as principais empresas públicas brasileiras --  a começar do garotão, filho do amigo de Paulo Guedes, que colocaram para presidir o BNDES (aliás, só para procurar a tal “caixa-preta”) --  cortam verbas das universidades públicas, do programa Minha Casa Minha Vida, cortam financiamentos de longo prazo e asfixiam empresas produtivas; destroem o Programa Mais Médicos, perseguem servidores do INPE, do INCRA, do IBAMA, da FUNAI; permitem que grileiros e mineradores invadam terras indígenas; estancam a reforma agrária; querem policiar e cercear as atividades dos professores; atacam jornalistas; censuram instituições de cultura... E colocam banqueiros privados, que não têm nenhuma preocupação com a justiça social, para mutilar todas as nossas principais instituições públicas!


Análises maniqueístas podem nos levar ao erro, ao engano. Quem já leu um pouco sobre o pensamento dos grandes filósofos, sejam gregos, socráticos, pré-socráticos ou pós-socráticos; cristãos ou não cristãos; antigos ou contemporâneos, verá que ninguém concorda absolutamente com ninguém. Todos se opõem de alguma forma.


Karl Marx foi, para mim, um dos maiores pensadores que a humanidade já teve. Ele se opôs com veemência às injustiças que presenciou na Inglaterra, onde viu as mazelas da exploração do homem pelo homem; onde viu crianças de 5 anos, mulheres grávidas e homens idosos trabalhando 14 horas por dia, em condições desumanas, em troca de precária ração alimentar.  Ele e seu amigo Engels promoveram com suas ideias, com seu “Manifesto do Partido Comunista”, com “O CAPITAL”, e com tantas obras de valor, talvez a maior revolução do pensamento e das relações sociais e econômicas. Mas não se pode dizer que eles foram perfeitos. De minha parte, atrevo-me em dizer que eles falharam ao defender a “ditadura do proletariado” e ao dizer que “a religião é o ópio do povo”. É que o proletariado é composto por seres humanos, os mesmos seres humanos que compõem as elites exploradoras. Não é a religião que é o “ópio do povo”. O “ópio do povo é a ignorância, é o fanatismo, o fundamentalismo. E isto pode ocorrer em quaisquer instituições, sejam elas religiosas ou políticas, sejam elas civis, sejam elas militares. Vejam as distorções que os “humanos” provocaram no comunismo, criando “A Nova Classe” criticada por Milovam Djilas; vejam as distorções que Torquemada e outros tantos “bispos” provocaram na religião católica, mandando para a fogueira os “hereges”. Vejam as distorções que certos militares, como o capitão Bolsonaro e o coronel Brilhante Ustra, por exemplo, provocaram, e estão provocando, na “ética” das Forças Armadas, promovendo a tortura ou fazendo a apologia dela, ou praticando o nepotismo descarado, ou se vinculando a milícias. 

 

Vejam as distorções que Edir Macedo, Silas Malafaia e outros “bispos” e falsos pastores mercenários provocaram nas religiões ditas evangélicas, utilizando-se da “religião” para extorquir fieis inocentes e se enriquecerem pessoalmente. Vejam a destruição que os banqueiros privados brasileiros conseguiram promover, aniquilando a vida de mais de 60 milhões de famílias de consumidores e de milhões de pequenos empresários honestos e trabalhadores, que ficaram endividados até o pescoço por conta de juros criminosos! Vejam as distorções que certos juízes e certos procuradores conseguiram promover no conceito da Justiça brasileira, condenando sem provas, agindo sem isenção e com parcialidade e inegável partidarismo!

 

Vejam as distorções que o Parlamento brasileiro, com maioria de corruptos, latifundiários, falsos evangélicos, empresários sonegadores, conseguiu promover com sucessivos golpes, a começar pelo impeachment de Dilma Rousseff, uma mulher honesta, incorruptível, e contra a qual jamais provaram qualquer crime de reponsabilidade!



Calil, ao invés de você repetir constantemente sobre as “falácias” da China, você deveria analisar as “falácias” dos EUA e as “falácias” do Brasil atual! (Aliás, sobre as falácias do Brasil atual você até tem falado alguma coisa).


Não se pode dizer que a China é a perfeição. Mas se pode afirmar que a China, nos últimos trinta anos, passou de um país atrasado e subdesenvolvido para a 2ª potência mundial, com previsão de que, dentro dos próximos dez anos, será a 1ª potência! Não se pode negar que a China é o país com maior crescimento econômico do mundo nos últimos 25 anos, com crescimento médio de 10% ao ano no PIB, coisa inimaginável nos EUA e em muitos outros países. Não se pode negar que centenas de milhões de pessoas saíram da pobreza nos últimos anos na China. Isso só está acontecendo porque a China conseguiu se libertar, graças a Mao Tse-Tung e outros líderes, das amarras e da exploração do Reino Unido. O mesmo fenômeno aconteceu com a Índia, que, graças a Mahatma Gandhi, se libertou do império inglês.


“Desde 1978, quando as reformas econômicas foram instituídas, a participação do governo (chinês) na economia tem diminuído grandemente. A produção industrial de empresas estatais caiu lentamente, embora algumas empresas estratégicas, tais como a indústria aeroespacial, tenham permanecido sob o controle total do estado. Enquanto que a participação do governo no gerenciamento da economia reduziu e a participação de empresas privadas e forças de mercado aumentaram, o governo ainda tem uma grande participação na economia urbana. Com suas políticas sobre questões, tais como a produção agrícola, o governo ainda detém uma grande influência no desempenho do setor rural. A Constituição Chinesa de 1982 especifica que o estado tem o dever de guiar o desenvolvimento econômico do país por meio de grandes decisões sobre política e prioridades econômicas, e que o Conselho de Estado, que exerce o controle executivo, teria que direcionar as suas atividades para preparar e implementar o plano econômico nacional e o orçamento estatal.”


Calil, veja isto:

A maior parte das instituições financeiras da China é estatal, e 98% das ações bancárias também são estatais. Os instrumentos que comandam as políticas fiscais e financeira são controlados pelo Banco Popular da China e pelo Ministério das Finanças, ambos controlados pelo Conselho de Estado. O Banco Popular da China substituiu o Banco Central da China e gradualmente tomou o controle de bancos privados.”


Na China, apesar de sua abertura para o mercado e para os empreendimentos privados estrangeiros, o governo continua controlando mais de 100.000 empresas estatais, que são responsáveis por mais de 40% de sua produção. Além de manter o sistema financeiro sob total controle estatal, a China mantém setores estratégicos como aviação, indústria petroquímica, indústria do aço, de máquinas e equipamentos e outras sob a esfera do governo.


Afinal, a Escandinávia é socialista ou capitalista? Cingapura é socialista ou capitalista? A China se declara como um “socialismo à moda chinesa”. Mas o que pensam os norte-americanos?


Afinal, o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (National Health Service – NHS), criado em 1948, um dos mais abrangentes e respeitados serviços públicos de saúde do mundo é ideia capitalista ou socialista?

“O socialismo de mercado teve início na China no final da década de 1970, quando Deng Xiaoping implantou reformas econômicas no país. Uma das principais medidas foi a abertura da economia chinesa ao mercado econômico exterior. Porém, o Partido Comunista Chinês continuou controlando a política chinesa.” E são mais de 100.000 as empresas estatais chinesas, que respondem por mais de 40% da produção do país. E o sistema financeiro está sob total controle do governo.


Arialdo Pacello
 


De: "Mtnos Calil" <[email protected]>
Enviada: 2019/07/21 03:13:17

Assunto: Para quem acha que a China não aderiu ao capitalismo.
 

A falácia  de que a China é  governada por um partido chamado “comunista” não passa de  uma retórica semântica que imagino sirva para tapear uma parte da população chinesa.

 

O sistema chinês não é de “capitalismo de estado”. Isso não existe nem nunca existiu, porque o pré-requisito do sistema capitalista é a propriedade privada dos meios de produção.

 

Ocorre que o Estado também pode ser proprietário de uma parte destes meios. As empresas estatais, quando bem gerenciadas, não atrapalham o capitalismo. Pelo contrário, podem até ajudá-lo, como a China está provando.

 

Outra confusão conceitual que existe a respeito do capitalismo é que ele só existe e se desenvolve com a democracia. Ora, se num país vigora a propriedade privada dos meios de produção, pouco importa o regime político nele vigente. É claro que uma ditadura pode ser capitalista.

 

Segue abaixo uma matéria que prova matematicamente que a economia vigente na China é capitalista.

 

E assim sendo, num mundo globalizado, a prosperidade da China vai depender sim do que vier a ocorrer com a economia mundial que está passando por um alívio devido ao bom desempenho  da economia americana, o qual porém, segundo alguns especialistas é passageiro. Não será portanto a China que vai tirar o capitalismo da maior crise de sua história que está bem ilustrada na Europa, que sempre foi e continuará sendo uma das peças chaves do capitalismo.

 

Porém o conceito de “crise do capitalismo” não deve ser reduzido a ele próprio. A crise pela qual ele está passando é apenas uma de um conjunto de crises que transcendem a economia e que são provocadas pelas vicissitudes da sociedade humana que não consegue dominar seus instintos chamados “primitivos” embora eles pertençam à própria natureza humana cuja agressividade inata pode levar à destruição da espécie ou a uma catástrofe nuclear que continua sendo uma ameaça real, como revela, por exemplo o atual conflito entre EUA e Irã que está criando um grave transtorno no Brasil como revela outra matéria, também reproduzida abaixo.

 

Não há alternativa: ou os EUA e o Irã entram num acordo, ou as consequências podem ser devastadoras.

 

Abraços

 

Mtnos Calil

Lição sobre a China atrai empresários

Com blocos e canetas nas mãos, executivos de primeiro escalão lotam aulas e viagens ao país asiático para entender o futuro dos negócios

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2019 | 12h00

No início do mês, cerca de 40 executivos e empresários de primeiro escalão sentaram-se num auditório, com caderno, caneta na mão e celular pronto para fotografar. Por quase duas horas, tornaram-se alunos atentos, para tentar entender o que está por trás do avanço avassalador de gigantes como Alibaba, Tecent, Baidu e outras. Queriam também buscar inspiração para tornar os negócios mais criativos, produtivos - e sobreviventes ao terremoto causado pela tecnologia.

No caso, o encontro aconteceu no Brooklin, para convidados da consultoria GS&MD. Comandantes de marcas tão diferentes quanto a empresa de logística Caramuru e as redes varejistas Kipling e Restoque assistiam ao especialista em mercado chinês In Hsieh, associado à consultoria, levá-los a uma imersão na cultura e no mundo dos negócios naquele país.

 

Não foi o único encontro do tipo. A cena tem repetido-se com alguma frequência em eventos promovidos por outras empresas, sobretudo ligadas à área de inovação. “O Vale do Silício é a meca da inovação, mas a China, nos últimos anos, virou referência para empresários de vários segmentos”, diz Pedro Englert, presidente da consultoria StartSe, que promove encontros semelhantes.

 

Há 28 anos, a GS&MD leva executivos aos Estados Unidos para conhecer inovações das varejistas americanas. Só que o auditório repleto de executivos novatos e veteranos de vários setores lotou por causa da China. 

 

“Já levamos ao país 70 executivos, presidentes ou donos de empresas de diversos setores, varejo, indústria, mas os bancos têm predominado”, disse Eduardo Yamashita, diretor de operações da GS&MD.

 

Capitalismo de Estado

 

Governado pelo partido comunista e com a perspectiva de se tornar a maior economia do planeta em dez anos, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a China virou modelo para as empresas capitalistas. 

 

Cerca de 15 anos atrás, as gigantes chinesas eram empresas de “garagem”. Uma das estratégias para se chegar lá, segundo Yamashita, é que as empresas são estruturadas em grandes ecossistemas. São companhias independentes, cujos negócios são altamente interdependentes. A geração de valor resulta das competências de cada empresa dentro desse universo interligado. “Fora do ecossistema, essas empresas não são nada”, diz ele. 

 

Um exemplo é o Alibaba, avaliado em cerca de US$ 500 bilhões, e que mudou a forma de fazer varejo, segundo Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo. A empresa nasceu como plataforma de exportação, conectando empresas da China com o resto do mundo. Evoluiu no comércio eletrônico por meio plataformas com propostas diferentes. Depois avançou para criação de solução de tecnologia, de logística para entregas e de pagamento de compras (Alipay). Sobre essa base, afirma Terra, foram erguidos negócios inovadores nos segmentos de e-commerce, supermercado, shopping, loja de departamento com uma velocidade impressionante. 

 

Não foi a única citada. A Luckin Coffee, concorrente chinesa da Starbucks, por exemplo, abriu 2.450 lojas em 14 meses.

 

Para Yamashita, uma das dificuldades de quem visita o país é entender a necessidade de crescer rapidamente para não ser engolido pela concorrência. Para isso, nos primeiros anos os ganhos são reinvestidos no negócio. Na cabeça do chinês, afirma Yamashita, o importante é o modelo de negócio ser sustentável - nesse momento o lucro não é variável-chave. “O empresário brasileiro fica louco com isso, pois é uma quebra de paradigma muito grande na forma de conduzir os negócios”, diz.

 

Outro segredo das empresas chinesas para se transformar no modelo hoje mais cobiçado por companhias de diferentes setores é a velocidade com a qual colocam em prática as inovações. “Enquanto o Vale do Silício pensa a inovação, a China executa e isso impressiona muito quem participa das nossas viagens”, diz Yamashita. 

 

As informações apresentadas à plateia são uma forma de instigar os participantes a visitarem o país asiático. No caso da GS&MD, um roteiro de 12 dias, com visitas guiadas, de negócios e turismo, e hospedagem em hotéis cinco estrelas, pode custar até R$ 40 mil.

 

Nos últimos dois anos, a StartSe, que tem escritório no Vale do Silício levou cerca de 500 executivos à China. O “programa educacional” de cinco dias, como prefere designar a viagem Englert, sai por US$ 4,5 mil e não inclui hospedagem. A China ganhou tanta importância que, em 2017, a consultoria abriu escritório em Pequim e, há seis meses, outro em Xangai.

 

Alavancas

- Urbanização

300 milhões de chineses migraram do campo para as cidades

- Escala global

Modelo mental de obsessão por crescimento

- Classe média

300 milhões de chineses ingressaram na classe média

- Educação

7,5 milhões por ano concluem faculdade

- Internet

800 milhões de acessos

- Governo

Tem forte presença nos negócios

 

 

Exportadora dos navios iranianos parados no Porto de Paranaguá contesta posição da PGR

Empresa Eleva Química alegou 'estranhar' posicionamento de Raquel Dodge, que concordou com suspensão de liminar que obrigava Petrobras a abastecer petroleiros atracados no Paraná

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Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2019 | 16h41

RIO - A exportadora Eleva Química, que contratou os dois navios cargueiros com bandeira do Irã que aguardam para abastecer no Porto de Paranaguá, no Paraná, contestou neste sábado, 20, a posição da Procuradoria Geral da República (PGR) sobre o caso.

 

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF), na noite de sexta-feira, manifestação favorável à suspensão de uma decisão judicial liminar que obrigou a Petrobrás a fornecer combustível às embarcações iranianas. A estatal se nega a vender combustível às embarcações, pois teme sofrer punições nos Estados Unidos, que vêm impondo sanções ao Irã.

 

A Eleva Química, cujo nome vinha sido mantido em sigilo pois o processo no Tribunal de Justiça do Paraná estava em segredo, teve seu nome revelado na manifestação de Dodge, publicada no site da PGR. Neste sábado, a empresa brasileira disse “estranhar” o teor da manifestação da PGR e voltou a alertar para os riscos na demora da liberação do navio, citando a “iminência de uma crise humanitária”.

 

Desde o início do impasse, a exportadora diz que não tem fornecedores alternativos de combustível e alega que, como levará alimentos (milho) ao Irã, as sanções dos Estados Unidos não se aplicariam. Já a Petrobrás vem dizendo que teme ser retaliada em suas atividades no mercado americano, onde atua, e garante que não é a única fornecedora.

 

O impasse foi parar no Judiciário e o presidente do STF, Dias Toffoli, suspendeu uma liminar do Tribunal de Justiça do Paraná que havia obrigado a Petrobrás a fornecer o combustível. Segundo os advogados da Eleva Química, Toffoli pediu manifestações da Advocacia Geral da União (AGU) e da PGR para decidir. O caso deve ser julgado pelo plenário do STF, que só retorna às atividades em agosto.

 

Na manifestação da PGR, Dodge afirma que a Eleva Química não provou ter direito subjetivo de comprar o combustível da Petrobrás e que possui alternativas para adquirir o produto de outros fornecedores. Além disso, existiria uma questão de ordem pública envolvida na ação e que foi demonstrada pela União por meio do Itamaraty, que são as relações diplomáticas estabelecidas pelo Brasil e que poderiam ser afetadas pela medida judicial.

 

Conforme a nota divulgada pela exportadora neste sábado, além dos danos à carga, a permanência dos navios no Porto de Paranaguá pode resultar em problemas ambientais e colocar em risco a saúde dos tripulantes das embarcações. “A empresa exportadora brasileira estranhou o parecer da Procuradoria Geral da República (PGR), pois já é de notório conhecimento que não existem sanções possíveis ao comércio de alimentos e remédios e a carga do navio é exclusivamente de milho, não tendo tal ponto sequer sido citado no referido parecer”, diz a nota.

 

Os dois cargueiros parados em Paranaguá são o Bavand, carregado com milho, e o Termeh, que trouxe ureia do Irã. Os navios estão presos no porto desde o mês passado. “A demora num desfecho para o caso gera o risco de uma grave crise ambiental no Porto de Paranaguá pelo fato de a carga conter níveis elevados de conservantes para manter sua integridade durante a viagem. Há também a iminência de uma crise humanitária, já que há 50 tripulantes a bordo confinados há um mês e meio no local sem poder desembarcar”, prossegue a nota da Eleva Química.

 

Ainda segundo a empresa, a falta de combustíveis deixará os navios à deriva, “sujeitos à força de vento e mar, podendo causar danos à navegação, aos tripulantes, a outras embarcações e, no extremo, levar ao fechamento do Porto de Paranaguá”.