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Diretor de Redação

Mtnos Calil

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NO BRASIL, um Diretor que é responsável pela garagem do Senado, ganha mais do que um Coronel do Exército, que comanda um Regimento de Blindados.

 

Segundo  a EXCELENTE matéria do jornalista José Fucs publicada  no Estadão 20 dias após a posse de Bolsonaro, existem 6 grandes correntes ideológicas atuando no Ministério da República:

 

Militares -  liberais -  lavajatistas – políticos -  evangélicos - olavistas, compondo o que ele denominou com muita propriedade de “babel ideológica” que está provocando sérios conflitos que poderão afetar gravemente a governabilidade.  

 

Sabemos que  Bolsonaro não tem o perfil de liderança capaz de gerenciar estes conflitos. Ele necessita de uma assessoria que o ajude a administrar os conflitos. Porém, o seu principal assessor, o General Heleno, por maior que seja a sua habilidade politica, está inserido numa das correntes.

 

 

Porém, tamanha é a confusão reinante na babel, que uma administração de conflitos eficaz exigiria que algumas correntes fossem alijadas do poder.

 

Um dos pontos “calientes” dos conflitos e que afeta diretamente o bom desempenho da economia, a qual  depende agora desesperadamente de capital estrangeiro, é a reforma da previdência, uma condição sine qua non imposta pelo “mercado” (leia-se oligarquia financeira) para investir no Brasil. Mas aí para a sorte do Presidente, quem vai resolver este imbróglio não é ele e sim o Congresso Nacional, seja qual for o projeto que a babel decida encaminhar aos parlamentares.

 

Procurando manter-se numa posição neutra em relação às consequências nefastas que poderão advir das confusões “babalescas” José Fucs assim se manifesta:

Só o tempo vai dizer se o presidente conseguirá administrar as divergências entre as alas e se ele vai enfrentar o problema sem causar grandes solavancos. Para manter unida a frente heterogênea que lhe dá suporte, Bolsonaro terá de mostrar que está preparado para atuar como um magistrado nos conflitos.

 

Bolsonaro atuar como um magistrado? Bem... só se para isso ele fizer duas coisas: 

 

  1. Psicanálise com um analista freudiano não ortodoxo – e portanto multidisciplinar
  2. Um curso de teatro para representar bem os papéis que a administração da babel exigir. Diga-se, a propósito, que Bolsonaro tem uma excelente aptidão para a encenação teatral, que foi uma das razões fundamentais da sua vitória . Como vivemos numa sociedade do espetáculo, os eleitores frustrados com Lula e o PT precisavam de uma alternativa espetacular e foram atendidos nesta expectativa. Queriam ver Lula e o PT alijados do Poder e esse “sonho” foi lhes presenteado por Bolsonaro. *

 

*Depois deste êxito milagroso , seria até injusto esperar de Bolsonaro que fosse combater a corrupção na politica. O essencial era tirar o PT do poder, o que não é coisa fácil devido ao “aparelhamento” do Estado feito ao longo de 14 anos. Não dá para exonerar todos os petistas que ocuparam este espaço, porque isso desestruturaria alguns setores da administração pública.

 

 

Hoje a governança pública está condenada a ter como prioridade máxima o bom desempenho da economia. Tudo indica que Guedes, Bolsonaro e cia. Ltda (bem limitada por sinal), se entenderão com o Congresso para fazer as reformas que satisfaçam os investidores, com base neste principio estratégico – fazer as reformas necessárias de maneira gradual e progressiva para assim evitar uma revolta do povo ou até mesmo dos funcionários públicos e militares. 

 

 

Quanto à corrupção ela foi um tema importante para eleger Bolsonaro. Agora, com Moro no Governo, basta adotar uma estratégia branda para não revoltar os políticos que devem constituir a base do Governo no Congresso. Reconhecemos que Moro está atuando com maestria na função de politico, fazendo bom uso da sua competência oratória. Mas para ele não ter sua imagem abalada, a melhor coisa a fazer é mudar para o STF, que é um centro de excelência em matéria de discursos.   

 

 

O Poder Judiciário e o Poder  Legislativo competem entre si, ora judicializando a politica ora politizando o judiciário e se servem das leis que alguns fabricam e outros interpretam a seu bel prazer.

 

 

Fique agora, se quiser,  com o jornalista José Fucs que nos forneceu os detalhes da Babel Bolsonarista.

 

 

Mtnos Calil – Nem direita, nem esquerda: realidade volver!  Como fazer isso? Só existe um jeito que é remover os vírus ideológicos instalados em nossa mente, o que requer um tratamento orientado pela lógica, que denominamos “logicoterapia”.

 

 

Divergências afetam frente de apoio a Bolsonaro

 

Vinte dias depois da posse, conflitos entre alas ideológicas causam fissuras no governo

 

José Fucs, O Estado de S.Paulo

20 Janeiro 2019 | 05h00

 

Ao completar os primeiros vinte dias, o governo Bolsonaro começa a revelar os traços básicos de seu perfil. Com as movimentações iniciais dos 22 ministros e as nomeações de boa parte dos ocupantes do segundo e terceiro escalões, tornou-se possível identificar algumas marcas do novo governo. É um período curto para tirar conclusões definitivas, mas já dá para ter ao menos uma ideia do que pode vir por aí.

 

 

Em meio a declarações desencontradas e recuos do presidente e de seus ministros em anúncios de medidas oficiais, ficou clara a existência de uma babel ideológica no governo, que gerou diversos conflitos desde a posse, em 1.º de janeiro.

 

 

Aparentemente, as divergências até agora não deixaram feridas profundas. Mas podem ameaçar a unidade da grande frente formada para eleger Bolsonaro, refletida no novo Ministério, se os conflitos aumentarem, em vez de diminuírem, nas próximas semanas e meses.

 

 

A frente inclui seis grandes grupos, com pesos diferentes na administração e influência distinta junto ao presidente – os militares, os liberais, os lavajatistas, os políticos, os evangélicos e os ideólogos e olavistas, que seguem as teorias do pensador e escritor Olavo de Carvalho.

 

 

(veja o quadro aqui: https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,divergencias-afetam-frente-de-apoio-abolsonaro,70002686641

 

 

Em paralelo, com forte influência sobre as decisões do presidente e uma identidade maior com militares e olavistas, opera o núcleo familiar, composto pelos três filhos de Bolsonaro: Flávio, senador eleito pelo Rio de Janeiro, suspeito de envolvimento em operações irregulares com funcionáriosEduardo, deputado federal por São Paulo e talvez o mais influente da troika, e Carlos, vereador no Rio, todos integrantes do PSL, o mesmo partido do pai.

 

 

Mosaico ideológico

 

 

Muitas vezes, esses grupos têm ideias e visões divergentes e contraditórias sobre o País e o mundo. Não por acaso alguns analistas estão chamando esse processo de “balcanização”, em referência à divisão de poder entre grupos conflitantes ocorrida na Península Balcânica, localizada na região sudeste da Europa, entre o início dos séculos 19 e 20.

 

 

De certa forma, o mosaico ideológico montado pelo novo governo também existia nas gestões do PT e mesmo do PSDB. Agora, porém, a fragmentação parece mais acentuada, talvez porque os grupos só tenham se aproximado para valer após as eleições e, em alguns casos, só depois da posse.

 

 

Um exemplo que ilustra com perfeição o “cabo de guerra” travado dentro do governo é a disputa pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), entre a ala liberal, liderada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e a ala dos olavistas, representada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

 

 

Guedes contava com a transferência da Apex para sua órbita, com o objetivo de dinamizá-la e transformá-la numa ferramenta poderosa de negócios no exterior. Mas o órgão, que já foi ligado ao extinto Ministério do Desenvolvimento, Comércio Exterior e Serviços, acabou ficando mesmo com o Itamaraty, onde já estava no governo Temer. A decisão foi consumada apesar dos sinais emitidos por Araújo de que poderá levar em conta aspectos ideológicos na atuação da Apex, em prejuízo de uma filosofia mais pragmática do comércio internacional.

 

 

Pivô das divergências. 

Para completar o quadro, Araújo ainda nomeou dois diretores da Apex ligados a Eduardo Bolsonaro – a empresária Letícia Catelani e o advogado Márcio Coimbra, ex-assessor parlamentar do Senado, que acompanhou o filho do presidente em sua recente viagem aos Estados Unidos. Letícia teria sido responsável pela tumultuada saída do ex-presidente da empresa, Alex Carreiro, substituído pelo diplomata Mário Vilalva apenas uma semana depois de nomeado.

 

 

Numa outra frente, o grupo dos lavajatistas, capitaneado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, levou a pior num conflito com a ala dos políticos, à qual pertence o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, talvez o grande pivô das divergências no governo desde a eleição de Bolsonaro. Moro, a quem a Fundação Nacional do Índio (Funai) era ligada até ser transferida para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, havia determinado a exoneração de Azelene Inácio, diretora de Proteção Territorial do órgão. Mas uma semana depois Onyx ainda não havia levado adiante a decisão e publicado o desligamento de Azelene no Diário Oficial da União.

 

 

Nas próximas semanas, novas disputas do gênero estão no radar. No início de fevereiro, com o provável encaminhamento do projeto de reforma da Previdência ao Congresso, tudo indica que as tensões vão se acentuar entre a ala dos militares, que defende em público a manutenção dos privilégios da categoria – com a exceção do vice-presidente, o general Hamilton Mourão –, e a dos liberais, que apoia uma mudança ampla, englobando o pessoal da caserna.

 

 

O próprio presidente terá de tomar partido nesta questão e pelo que se pode deduzir do que tem dito a tendência é ele cerrar fileira com os militares e a ala política representada por Onyx, também defensor de uma reforma mais branda, mesmo com o déficit da Previdência chegando à estratosfera e comprometendo o equilíbrio das contas públicas. “A melhor reforma é a que passa na Câmara e no Senado”, disse Bolsonaro, sugerindo que está pouco inclinado a apresentar um projeto mais duro para resolver o problema de vez, como propõe a ala liberal.

 

 

Vantagem militar. 

 

 

A avaliação da força dos grupos não pode ser feita apenas com base no número de ministérios conquistados por cada um. Ela tem de incluir seus tentáculos nos escalões inferiores em todas as pastas. Depende também do orçamento total controlado por cada ala, do impacto das pastas na economia e do grau de prestígio de seus representantes junto ao presidente e a seus filhos, cuja participação ativa no governo preocupa até os aliados mais próximos.

 

 

Dito isso e levando em conta apenas o primeiro escalão, pode-se dizer que os grupos militar e político, à frente de sete ministérios cada um, são os que concentram a maior fatia de poder no governo. Depois deles, vêm as alas liberal, com três ministérios, incluindo o Banco Central, lavajatista e olavista, com dois cada, e evangélica, com apenas um ministério.

 

Quando se consideram também as nomeações de segundo escalão claramente identificadas com uma das alas, o grupo militar leva larga vantagem, com nada menos que 32 representantes, espalhados por 13 ministérios, seguido pelos núcleos político, com 16 integrantes, liberal, com 13, olavista, com 12, lavajatista, com 10, e evangélico, com 3.

 

Cartilha. 

 

 

Conhecido até pouco tempo atrás por um contingente restrito de iniciados e seguidores, entre eles Bolsonaro e seus filhos, Olavo de Carvalho ganhou os holofotes e conquistou trincheiras importantes na nova gestão. “Vivi para ver um filósofo indicar mais gente para o governo que o MDB”, afirmou na semana passada o cineasta Josias Teófilo, diretor do filme O Jardim das Aflições, sobre a vida e a obra de Olavo. No primeiro escalão, o MDB amealhou apenas o Ministério da Cidadania, ocupado pelo deputado federal gaúcho Osmar Terra.

 

 

Além de ter indicado os ministros Ernesto Araújo, de Relações Exteriores, e Ricardo Velez Rodriguez, da Educação, duas áreas consideradas essenciais pelos seus pupilos para determinar o sucesso do governo, Olavo também é o “padrinho” de Filipe Garcia Martins Pereira, assessor internacional de Bolsonaro, instalado no Palácio do Planalto, de Carlos Nadalim, secretário de Alfabetização do Ministério da Educação, e de Adolfo Sachsida, secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, um território dominado por liberais que não rezam pela sua cartilha.

 

 

Como se pode observar, na babel ideológica do governo Bolsonaro, parece complicado os diferentes grupos falarem a mesma língua. Só o tempo vai dizer se o presidente conseguirá administrar as divergências entre as alas e se ele vai enfrentar o problema sem causar grandes solavancos.

 

 

Para manter unida a frente heterogênea que lhe dá suporte, Bolsonaro terá de mostrar que está preparado para atuar como um magistrado nos conflitos.

 

 

Divisor de águas

 

 

Segundo relatos de quem já teve contato com Bolsonaro e por tudo o que se pôde observar desde a campanha, ele tende a mudar de opinião conforme a visão de seu interlocutor sobre uma questão qualquer.

 

 

Ele também já mostrou que costuma falar sobre temas que não domina, antes de formar uma convicção a respeito do melhor caminho a seguir. Assim, acaba dando a impressão de ser uma espécie de biruta, que oscila de acordo com a direção do vento, gerando insegurança não só no mundo dos negócios, mas para todos os brasileiros que acompanham seus movimentos e têm de tomar decisões para si mesmos e suas famílias.

 

 

Como diz a expressão criada pelo poeta inglês John Donne (1572-1631) e imortalizada pelo escritor americano Ernest Hemingway (1899-1961), a grande questão é saber por quem dobrarão os sinos de Bolsonaro nos próximos meses e anos.

 

 

Aparentemente, nas primeiras semanas de governo, ele se curvou às alas política, militar e olavista nas questões que envolviam a economia, em detrimento da ala liberal, encarregada de conduzir as reformas de que o Brasil precisa para voltar a crescer.

 

 

Bolsonaro também demonstrou enorme interesse nas questões de costumes e educacionais, caras às alas olavista e evangélica, e nas de política externa, uma espécie de fetiche para os seguidores de Olavo. Sua postura em relação à reforma da Previdência pode ser um “divisor de águas” ou confirmar as previsões mais sombrias. Logo mais, se o envio da reforma previdenciária ao Congresso no início de fevereiro se confirmar, a gente saberá a resposta.

 

 

https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,divergencias-afetam-frente-de-apoio-abolsonaro,70002686641

 

 

 

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