IMLB - Instituto Mãos Limpas Brasil

Missão: Ser a Entidade mais ética da História do Brasil

Diretor de Redação

Mtnos Calil

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NO BRASIL, um motorista do Senado, ganha mais para dirigir um automóvel, do que um Oficial da Marinha, para comandar uma fragata!

Giuliano - A mente humana é repleta de mistérios, e a tentativa de desvendar estes mistérios é o que nos faz ter a esperança de um dia alcançar a eterna busca do ser humano, a FELICIDADE.

Mtnos - De fato a mente humana é repleta de mistérios, o que exige um forte investimento em pesquisas cientificas. Mas o que temos visto desde os anos 90, é uma atenção prioritária dos cientistas ao cérebro, como se a mente não tivesse uma autonomia em relação ao mesmo. Para estes cientistas a mente é um sub-produto do cérebro. Como o cérebro é selvagem por natureza, estariamos então condenados a esta terrível dominação? Parece que sim, como revela o recuo que estamos vivendo em nosso processo civilizatório. 

Giuliano - Seria muito deprimente descobrirmos que a felicidade está na busca e não no objetivo?

Mtnos - De fato a felicidade ainda não é considerada pela maioria dos humanos como o principal objetivo da vida. A grande maioria das pessoas tem como prioridade a SOBREVIVÊNCIA. E muitos se referem à felicidade como algo que se pode viver apenas em alguns momentos. 

Giuliano - O mundo moderno nos faz atropelar as etapas da vida, vivemos para comer, enquanto deveríamos comer para viver.

Mtnos - Isso depende do significado que se atribua ao verbo “viver”. O corpo vive para comer, enquanto o espírito come para viver. Mas a palavra espírito é ambígua. Por outro lado comer é pré-requisito da vida, como o dinheiro é pré-requisito da felicidade. O dinheiro não compra a felicidade, mas a existência dela depende dele. 

Giuliano- Idolatramos uma cédula de papel que nomeamos como dinheiro, e passamos nossa vida toda desgastando nossa saúde para juntá-lo e ao conseguirmos, queremos mais; enquanto isso a vida passa.

Mtnos - O dinheiro foi a pior das invenções humanas, ao lado da bomba atômica.

Giuliano - Criamos nossos filhos baseados em competição.  Enfim, apenas seguimos o curso da vida e muitas vezes não deixamos que nosso lado racional fale mais alto do que nosso lado instintivo.

Mtnos - O ser humano tem, portanto dois lados: o racional e o instintivo, que vivem em conflito. Apesar de todo o desenvolvimento da ciência, o instintivo está sobrepujando o racional, inclusive porque os cientistas têm dado pouca atenção a este conflito.

Giuliano - A melhor forma de entender a mente humana é pensar fora da caixa e agir logicamente, não emocionalmente.

Mtnos -Isso se aplica à compreensão de qualquer coisa, quando essa compreensão é guiada pelo espírito cientifico.

Giuliano - O que você valoriza? Trocar de carro? Comprar um apartamento? Ter uma experiência agradável em hotel de luxo? Ganhar dinheiro? Ter poder na sociedade local? Se você se identificou com a descrição acima, sinto informar que está contaminado pelo segundo maior mal do século: a tão temida AMBIÇÂO. A ambição como tudo na vida, tem seu lado positivo em pequenas doses, pois nos movimenta como humanos, não nos deixando acomodar; porém, quando em excesso, nos faz escravos da eterna busca pelo inatingível.

Mtnos - A imensa  maioria das pessoas é OBRIGADA a fazer do dinheiro a máxima prioridade de sua vida. A ambição (desmedida) é privilégio de pouquíssimas pessoas.

Giuliano - Quando me refiro “ao segundo mal do século” é porque o primeiro é a ANSIEDADE.

Mtnos -Existem vários “males do século”. A ansiedade é sem dúvida um deles. O stress é outro. O esgotamento do sistema político em que vivemos é outro. A crise econômica mundial é outro.

Giuliano- A cada dez pessoas que entrevistei para escrever este artigo, onze eram ansiosas. A ansiedade é manifestada de diversas formas; é esperar pelo que virá, sofrer ou vibrar por antecedência, criar expectativas sobre algo que ainda não ocorreu. Sentir vontade compulsiva de coisas que não sabemos nem sequer quais são.

Mtnos - No Brasil de hoje, como em grande parte do mundo, uma das principais causas da ansiedade é a falta de dinheiro.

Giuliano- Ansiedade nos afasta da serenidade e principalmente de algo que em minha opinião é o mais importante para a vida, o EQUILIBRIO.

Mtnos -Tanto a mente como o corpo, para se manterem em equilíbrio precisam de uma constante terapia preventiva. Mas no caso dos transtornos emocionais/mentais a sociedade não tem dado a mínima atenção necessária. Na verdade é a sociedade como um todo que é – e sempre foi – desequilibrada. A diferença de hoje em relação ao passado é que o nível de desequilíbrio chegou a um ponto insustentável. E para designar este tipo de desequilíbrio eu e a psicóloga Elza Pádua lançamos mão, coincidentemente, da expressão “esquizofrenia social”, sendo que ela publicou um livro com esse título.

Giuliano- Equilibrar-se é manter-se estável em cenários instáveis. Portanto equilibrar-se é viver!

Mtnos -Equilibrar-se é necessário para viver bem. Porém o significado do “viver bem” ainda não adquiriu um consenso universal.

Giuliano- Não pensem que este escritor é totalmente equilibrado ou pouco ansioso, pessoas que convivem comigo ou me conhecem poderão me achar hipócrita em orientar vocês a algo que nem eu mesmo pratico. Ainda assim, como um médico que bebe tratando cirrose hepática, resolvi expor aquilo que a vida me ensinou, e quem sabe desta forma fazer das minhas palavras uma verdade praticada.

Mtnos - Parabéns por sua autenticidade. Rollo May em seu livro “O homem à procura de si mesmo” fala na “coragem de ser autêntico”. Os franceses criaram um bom adágio para designar este transtorno do médico que bebe tratando da cirrose do seu cliente: "Faire et dire sont deux choses" (Fazer e falar são duas coisas), que é mais sutil do que o nosso "Faça o que eu digo e não o que eu faço".

Giuliano- Se assumir o erro é o primeiro passo para a mudança, porque nós seres humanos temos tanta dificuldade nisso? Por causa do egocentrismo.  Esta característica é mais um problema que a sociedade moderna enfrenta: colocarmo-nos em evidência, nos sentirmos mais importantes e melhores do que os outros, achar que o mundo gira ao nosso redor. 

Mtnos - O egocentrismo que dificulta a aceitação de nossos erros é causado pela fragilidade do ser humano em admitir as próprias fragilidades. Trata-se de um mecanismo de fuga de si mesmo porque as nossas mazelas interiores nos são insuportáveis. Por isso NEGAMOS a existência destas mazelas que foram estudadas em profundidade por Freud. 

Giuliano- Este mal é exclusivo dos seres humanos. Somos os únicos animais a possuir, e adquirimos isso como um instinto de sobrevivência, ainda que hoje não precisássemos mais dele. Na idade antiga, aonde os alimentos e recursos eram escassos, pensar em si mesmo nos tornaria vivos; hoje a situação está diferente, porém continuamos neste darwinismo emocional.

Mtnos - O egocentrismo é um mal social que para ser extirpado exigiria uma reeducação do ser humano, tarefa para a qual faltam os reeducadores. Os próprios educadores precisam ser reeducados.

Giuliano- A melhor parte de identificarmos os problemas da sociedade moderna, é que temos totais condições de corrigi-los, e para mente nunca é tarde, sempre é possível.

Mtnos - A mente é propriedade do ser humano que faz mau uso dela, inclusive porque pouco a conhece. Para conhecer-se a si mesmo o homem precisa conhecer os seus mundos mental e emocional. Mas já se passaram mais de dois mil anos quando alguém disse "Conhece-te a ti mesmo" e que se viu é que  os humanóides se recusam a seguir este conselho. Por que se recusam? Porque não têm coragem de encarar as suas mazelas internas. Internas, mas que se manifestam com toda a virulência externamente. 

Giuliano- Desta forma conseguiremos a felicidade plena? Não. Porém, sem duvida teremos muito mais momentos felizes e nos conformaremos com os momentos difíceis a ponto de não tirarmos o foco do nosso principal objetivo, viver cada dia.

Mtnos - A felicidade plena somente pode ser conquistada por algumas pessoas privilegiadas que podem mergulhar no seu mundo interior. Podemos pensar em diferentes graus de felicidade, sendo que um deles pode ser expresso com estas simples palavras: “alegria de viver” .

Giuliano- A felicidade não depende do que recebemos, mas sim de como processamos o que recebemos da vida. Coisas boas e ruins acontecem o tempo todo; ainda assim, como encaramos tudo isso é que nos torna mais ou menos felizes.

Mtnos - Sem dúvida!  Por isso alguém disse que fa elicidade não consiste na ausência de problemas, mas na capacidade de lidar com eles.

Giuliano- Conforme sabemos, não vivemos sozinhos, mas sim em sociedade, portanto leva a outra questão muito importante: a CONVIVÊNCIA. Conviver é viver em conjunto, o que é uma tarefa mentalmente difícil levando em consideração que já temos como características humanas o egocentrismo, a ansiedade e a ambição. 

Mtnos - As dificuldades da vida em conjunto são inerentes à própria vida, independente dos processos mentais. Não existe vida sem problemas, nem para as pobres árvores machucadas pelas tempestades. 

Giuliano- Ainda assim se adquirirmos o EQUILIBRIO como característica, poderemos entender que a convivência depende de concessões e compreensão.

Mtnos - As concessões são uma forma de compensação para os conflitos e não uma solução.

Giuliano- Abrir mão daquilo que acreditamos ser verdade e respeitar a verdade do próximo é o primeiro passo para a boa convivência, compreender o ponto de vista e a forma de pensar do próximo é tão importante quanto.

Mtnos - Não existe a minha verdade e a do outro. E a crença na verdade é uma contradição.

Giuliano- Conviver é essencial, afinal ainda que algum de nós não queira, vivemos em sociedade, e a única forma de prosperarmos é trabalhando em conjunto; afinal juntos somos mais fortes.

Mtnos - Nós, humanóides, não estamos preparados para viver em sociedade de forma harmônica e equilibrada.

Giuliano- Conviver deve ser algo natural, porém ainda assim devemos ter nossa satisfação pessoal sem depender de outras pessoas para isso. A felicidade deve estar dentro de nós.

Mtnos - Quem vive sozinho jamais poderá ser tão feliz quanto alguém que vive na companhia de quem ama – e por quem seja amado. O homem sendo um ser social somente pode ser plenamente feliz se conviver com a felicidade do outro.Mais do que isso:  conseguir ser feliz sentindo a felicidade do outro! O amor é a sintese da felicidade, quando dois viram um. 

Giuliano- Para que isso aconteça precisamos nos livrar de outro mal moderno, a INSEGURANÇA.

Mtnos - O homem nasce mais inseguro do que um simples filhote de galinha. Basta lembrar que precisamos de muitos meses para aprender a andar enquanto os animais já nascem sabendo como fazê-lo

Giuliano- A insegurança nem sempre demonstrada e protegida por uma “capa emocional” é mais comum do que imaginamos. Ela é causada por excesso de proteção ou baixa exposição solo aos eventos traumáticos da vida. Isto faz com que a pessoa apenas sinta-se protegida ou segura a decidir algo quando tiver um apoio alheio.

Mtnos - Na sociedade maluca e violenta em que vivemos, não temos mais segurança nem em sair às ruas.

Giuliano- Devemos depender dos outros ou complementar os outros?

Mtnos - A vida é uma mutua dependência. O homem  independente não existe. Nascemos dependentes de pai e mãe  e morremos dependendo de alguém que nos enterre ou nos transforme em cinzas. 

Giuliano- A boa notícia é que a insegurança pode ser curada, e nunca é tarde para recomeçar, porém ela depende de outra qualidade que o ser humano possui e talvez a maior dela, pois garante todas as outras: a CORAGEM.

Mtnos - Existem então dois tipos de insegurança:  a psicológica como manifestação de uma fragilidade e a racional provocada pelo instinto de sobrevivência. Se o homem não sentisse medo, não teria sobrevivido. 

Giuliano- A coragem é que movimenta a vida, ela nos faz conquistar aquilo que parece ser impossível; afinal o impossível é uma questão de opinião, ainda assim ela não deve ser confundida com a imprudência; voltamos a importante questão que rege a vida, o equilíbrio.

Mtnos - Sem dúvida, a coragem é um dos motores da vida. Mas existem outros, como por exemplo, a curiosidade.

Giuliano- Vocês conseguem perceber a diferença entre ler algo e concordar e colocar em prática? O que muitas vezes nos impede de aplicar tudo àquilo que sabemos nos fazer bem é a falta de comunicação. Já que vivemos em sociedade e nossa felicidade está ligada a aquilo que processamos do que recebemos do mundo, conseguir comunicar o que nos agrada e desagrada é um grande passo para que sejamos mais satisfeitos em diversas questões.

Mtnos - Um dos maiores problemas da comunicação humana é a falta de clareza e precisão. Uma das causas deste problema é a velocidade do pensamento produzido pelo cérebro e que atropela a nossa mente o tempo todo. A solução deste transtorno exige uma reflexão com a finalidade de verificar o próprio pensamento antes de o mesmo ser exposto, o que convenhamos, tornaria a comunicação falada muito, muito difícil. Porém através do Sistema LPC - Lógica e Precisão na Comunicação, é possivel a alguns humanos falar com alto grau de clareza e precisão, depois de algum tempo de treinamento. 

Giuliano- Já se depararam com situações na qual apesar de estar você e outro individuo pensando a mesma coisa e mesmo assim não conseguem chegar a um consenso? Tudo isso ocorre por falhas na comunicação.

Mtnos - Para saber o que o outro realmente pensa, precisamos ouvir. E ouvir, ao contrário do que possa parecer, também exige um treinamento, tal qual o falar com clareza e precisão. E depois de ouvir, precisamos fazer perguntas complementares para o nosso interlocutor com a finalidade de compreendermos o que ele de fato quer dizer, sem apelar para interpretações subjetivas a respeito do que ele disse. 

Giuliano- Nossa linguagem é escrita e cria margens para interpretações. Portanto, nem sempre aquilo que estamos expondo é o que gostaríamos que a outra pessoa entendesse.

Mtnos - A falha não está na escrita em si que foi a segunda invenção mais genial da humanidade (a primeira foi a palavra), mas na forma que escrevemos e que em geral é carente de clareza e precisão.É comum até grandes escritores não informarem o significado que estão atribuindo às palavras chaves de seus textos. Voltaire com sua genialidade propôs a solução deste problema com esta simples recomendação: "Se queres conversar comigo, informe primeiro o significado dos termos que usas"

Giuliano- Portanto caros leitores, para buscar a tão esperada felicidade, precisamos segurar a ansiedade e viver um dia de cada vez, abrindo mão do ego, dosando a ambição, melhorando a comunicação para uma boa convivência e finalmente chegando ao equilíbrio.

Mtnos - Desculpe, caro autor, mas a conquista da felicidade exige muito mais do que isso, começando pela definição da própria palavra felicidade.

Giuliano- Se viver é um espetáculo que não permite ensaios, faça de uma forma que um dia você se orgulhe em assistir e aplaudir seu próprio número.

Mtnos - Reproduzo aqui a frase de Chaplin:

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.

a) Não sei se o psicanalista Rollo May se inspirou nesta frase ou foi contemplado com a mesma inspiração de Chaplin, quando associou a felicidade ao viver intensamente. Eu acrescentei ao pensamento de ambos o advérbio “diariamente”. E hoje, graças ao seu artigo, já consegui viver intensamente logo a partir da manhã deste dia, quando escrevi estas provocações benignas. Obrigado, meu caro autor.

b) Orgulhar-se de si mesmo é o primeiro passo para o narcisismo e aplaudir a si mesmo é a consagração do narcisismo. Os politicos em geral adorariam aplaudirem-se a si mesmos. Poderiam fazer isso olhando-se no espelho, seguindo o exemplo de Narciso que contemplava a própria imagem refletida na água. Olha o que Caetano Veloso falou se referindo ao narcisismo, na música "Sampa":  

"Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho"

A letra completa segue abaixo. Aguardo a sua réplica (ou tréplica?) para prosseguirmos neste instigante debate. 

Sampa
Caetano Veloso

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim, Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos Mutantes

E foste um difícil começo
Afasta o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva

Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os Novos Baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa

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