IMLB - Instituto Mãos Limpas Brasil

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Mtnos Calil

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NO BRASIL, precisamos urgentemente de um CHOQUE DE MORALIDADE, nos TRÊS PODERES DA REPÚBLICA, vale a pena tentar, participe do Instituto Mãos Limpas Brasil.


Existem duas visões predominantes a respeito do futuro de curto prazo do Brasil que poderiam ser sintetizadas desta maneira simplista:

1. O Brasil vai quebrar

2. O Brasil não vai quebrar

Depois de analisar os conceitos de quebradeira apresentados na nota introdutória desta série (v. abaixo), cheguei à conclusão de que o Brasil já está quebrado. Para isso bastou fazer uso de 5 dos 34 significados atribuídos pelo Aurélio ao verbo quebrar. Vejamos um por um dos 5 significados:

*Reduzir a pedaços; fragmentar, despedaçar – o Brasil está fragmentado há muito tempo em pelo menos dois pedaços: um rico e outro pobre.

* Partir, romper, fraturar – aplica-se aqui o mesmo conceito de fragmentar.

* Diminuir a intensidade de; enfraquecer, debilitar, esfriar – o desemprego crescente e a  queda acentuada do PIB são dados suficientes para revelar o enfraquecimento do país.

* Interromper, cortar – o ciclo de desenvolvimento que o país vinha atravessando, foi bruscamente interrompido.

* Inutilizar, danificar; enguiçar, encrencar – a crise atual está inutilizando a mão de obra de milhões de trabalhadores e danificando/enguiçando/encrencando milhares de empresas e de centenas de órgãos públicos em todo o país.

Portanto, pode-se concluir com toda a certeza, que uma parte do Brasil já está bem quebrada. A questão que se coloca então não é se o Brasil vai quebrar e sim se ele vai continuar se quebrando e até quando a quebradeira vai prosseguir.

Para o ano de 2016 já existe um consenso universal de que o Brasil vai prosseguir em sua marcha recessiva.

A única dúvida que paira sobre o nosso futuro de curto prazo se resume nesta angustiante questão: quando começaremos a nos recuperar  e o que significará na prática essa recuperação. Por exemplo: cerca de 30 a 40 milhões de brasileiros saíram nos últimos anos da pobreza , passando a usufruir de alguns privilégios da classe média como ter automóvel, casa própria e  viajar de avião. Uma parte destes beneficiados inevitavelmente voltará ao estado de pobreza em que viviam antes de ter inicio o ciclo desenvolvimentista que coincidiu com os mandatos de Lula que aproveitou bem a fase positiva da economia mundial, marcada pela valorização de nossas commodities (produtos agrícolas, minerais e outros) para promover uma onda gigantesca de consumismo populista estimulada por uma política de crédito sem lastro. Em outras palavras: a demanda foi muito maior que a oferta. O parque industrial brasileiro não estava organizado para atender a demanda. Os governos brasileiros dos últimos 30 anos nada fizeram para levar à prática as tão faladas “reformas estruturais” que são essenciais para o aumento da produtividade industrial.

O resultado foi a DESINDUSTRIALIZAÇÃO CRESCENTE do país, que passou a depender do agro-negócio, como se o desenvolvimento de um país em pleno século XXI pudesse ser sustentado por commodities agrícolas. E paralelamente, graças à política de juros mais escorchante do planeta, a divida pública chegou na casa dos 3 trilhões de reais o que pode levar o país a um estado de insolvência. A emissão de moeda para pagar os juros da divida produziria, segundo os economistas do Establishment,  uma hiper-inflação.

Esta é uma das crises mais graves de toda a história do Brasil porque ela envolve um monte  de problemas que foram se agravando ao longo dos anos e que exigirão MUITO TEMPO para serem resolvidos. Para os otimistas esta crise será superada da mesma forma que as crises dos anos 80 e 90 o foram. Esse otimismo aplicado à crise atual significa que daqui a 10 anos, se tudo correr bem, vamos retomar as taxas elevadas de crescimento do PIB que já  tivemos no passado. Porém para isso serão essenciais as “reformas estruturais” que exigem muito dinheiro que o país não possui. E além de não dispor dos recursos necessários para construir as bases do seu desenvolvimento, o país tem uma divida impagável, que precisaria ser renegociada imediatamente. Mas nossos governantes nem falam no assunto! Talvez se a mídia pressionar eles comecem a fazer algo a respeito.

Diante desta dramática situação, não há espaço para qualquer otimismo em relação ao  futuro do país nos próximos 20 anos. O que pode ser discutido são apenas dois cenários distintos configurados numa mesma perspectiva não otimista.

Entretanto, quem tem por foco a realidade, deve deixar de lado posturas subjetivas como a do otimismo e pessimismo. A alternativa objetiva é o realismo. Porém uma visão do futuro mesmo que seja bem realista, não pode ser linear e pré-determinada. Determinismo e futuro são conceitos incompatíveis. Ninguém pode ter certeza sobre o futuro que está se construindo a partir de uma das maiores crises da história do Brasil. Por outro lado, o futuro não é totalmente imprevisível.

Se os alicerces deste futuro são frágeis, como ocorre com o Brasil de hoje, é claro que é altíssima a probabilidade de que o país não tenha um futuro brilhante no prazo de 20 ou 30 anos. Mesmo porque em toda a nossa história nunca ocorreu um futuro brilhante. Se tivesse ocorrido, o Brasil não teria chegado onde chegou agora, tendo um desempenho econômico em 2015 que só não foi pior que o da Venezuela.

Com base nestas considerações visualizamos apenas dois cenários para os próximos 10, 20 ou 30 anos. Não é possível fixar com segurança o prazo que será necessário para uma vigorosa recuperação do país. Essa recuperação pode, porém, significar simplesmente “sair da crise atual” e continuar na crise crônica de sub-desenvolvimento expressa na locução “pais do futuro”.

O cenário mais negativo

  1. A economia sofrerá um processo de estagnação ou apresentará um crescimento do PIB muito baixo – menos de 2%, em média.
  2. Os juros da divida pública levarão o país a uma crise de insolvência com desdobramentos imprevisíveis
  3. Grande parte dos direitos trabalhistas serão extintos
  4. Independente das taxas de inflação, a renda per capita sofrerá uma queda significativa
  5. Greves e manifestações de protesto serão uma rotina na vida dos brasileiros
  6. O sistema de segurança pública, considerado hoje por muitos especialistas como falido, continuará sua trajetória de declínio
  7. O sistema educacional, uma das necessidades fundamentais para tirar o país do atraso continuará sua trajetória de declínio
  8. A desindustrialização combinada com a desnacionalização da indústria, não será contida
  9. As reformas estruturais não serão realizadas porque o país não contará com os recursos necessários. Fala-se muito nestas reformas, mas pouco se leva em conta a quantidade gigantesca dos recursos necessários para realizá-las.

O cenário menos negativo

O cenário “menos” negativo se distingue do “mais” negativo, apenas pelo grau, conforme as próprias palavras indicam. Para visualizarmos este cenário basta aplicar aos itens arrolados acima, um grau de menor intensidade.

Isto significa que o Brasil não vai realizar suas imensas potencialidades nos próximos 30 anos.

Porém, como essa previsão pode ser considerada por alguns como pessimista, vamos através do contraditório, levantar os argumentos que justificam uma previsão segundo a qual o Brasil seria pela primeira vez na sua história colocado numa trilha de desenvolvimento irreversível.

( continua na próxima semana)


Nota introdutória

A resposta a esta pergunta depende do significado que seja atribuído ao termo quebrar.
Não consigo me livrar da perplexidade provocada pela liberdade sem limites que nós humanóides nos concedemos  para atribuir  os mais variados significados à mesma palavra, o que acaba prejudicando (ou mesmo falsificando) a compreensão da realidade, que as palavras deveriam expressar. Apesar de estar há anos focado quase que diariamente no significado das palavras,  não imaginei que uma palavrinha tão simples como “quebrar” fosse vitimada por tanta complexidade semântica.


Muitos dizem, por exemplo, que a Petrobrás quebrou. Mas ela não está funcionando? Quando por exemplo um carro quebra, ele continua funcionando?
Temos então que consultar o Aurélio para saber o que significa o verbo quebrar? Essa é demais, não é? Mas quando estamos falando de uma Nação do tamanho do Brasil, precisamos pelo menos informar o que queremos dizer com uma pergunta tragicamente alarmante como esta: “O Brasil vai quebrar?” – pelo menos, para o nosso alívio, ainda que momentâneo, a pergunta se refere ao futuro e não ao presente.


Vejamos o que o Aurélio diz a respeito, na sua 2ª. e volumosa edição de 1986:
MEU DEUS... é inacreditável... unbelievable, incroyable, incredibile, increíble!
Como pode uma palavrinha tão simples receber 34 (trinta e quatro) diferentes significados?
Está aí a prova que nos faltava da existência de um fenômeno que os terráqueos ainda não descobriram – a esquizofrenia linguística.
Escolhi dos 34 significados 5 que parecem ser bem representativos do uso que se dá à palavra na língua portuguesa falada no Brasil:

* Reduzir a pedaços; fragmentar, despedaçar: quebrou o copo com raiva
* Partir, romper, fraturar:  Com o tombo quebrou a clavícula
* Diminuir a intensidade de; enfraquecer, debilitar, esfriar: As adversidades constantes quebram o  entusiasmo
* Interromper, cortar: os gritos quebraram o silêncio da noite
* Inutilizar, danificar; enguiçar,encrencar

Porém o Aurélio não disse nada a respeito das “empresas quebradas”. Um sentido corrente atribuído a essa expressão é que a empresa pode estar quebrada e continuar na ativa, para assim ter a oportunidade de saldar suas dividas e quando conseguir essa façanha, voltar ao funcionamento normal. Em 2005 foi criada no Brasil a lei da “recuperação judicial” que permite que a empresa e os seus credores façam um acordo visando o pagamento das dividas. Essa lei extinguiu a concordata com a finalidade de reduzir o número de falências, mas não deu os resultados esperados – a porcentagem das empresas recuperadas é de apenas 1%, segundo a “Corporate Consulting”.


Com base nestas considerações podemos então concluir que a Petrobrás está longe de ser uma empresa quebrada, inclusive porque está vendendo uma parte dos seus ativos para pagar suas dívidas. Uma empresa pode reduzir o seu faturamento pela metade e continuar funcionando normalmente, se tiver o capital de giro suficiente. O que aconteceu com a Petrobrás foi um encolhimento e não uma quebra. A Petrobrás não vai quebrar nunca, pois antes disso terá sempre “salvadores”  externos para comprá-la. Aliás, há muita gente interessada em privatizar a Petrobrás.   (privatizar na sua totalidade, pois uma parte dela já está privatizada.)

E o Brasil pode quebrar? A empresa quebra quando não tem mais dinheiro para pagar suas dividas. E um país? A semelhança entre uma empresa e um país é que ambos constituem um campo de atração para investimentos. E quando um país vai mal como o Brasil,  o fato de estar indo mal é um excelente negócio para os investidores, pela simples razão de que o preço dos ativos caem significativamente. Com a desvalorização do real, o grande negócio agora é comprar empresas nacionais. No caso da Petrobrás que é uma empresa estatal que aceita investimento externo, temos o George Soros como o seu maior investidor.

E afinal, o Brasil pode quebrar? Se for utilizado o mesmo sentido das empresas que quebram quando não têm como pagar suas dividas, está aí a maior divida da história de nosso país, que pode levar o país à BANCARROTA: – a famosa dívida pública que está hoje na casa dos R$3 trilhões. Mas os investidores estrangeiros sabem disso e no entanto estão investindo bilhões de dólares na compra de empresas nacionais. Como eles fariam isso num país que vai quebrar? Será que eles estão minimizando a gravidade da crise, a exemplo do que têm feito muitos economistas, que falam da crise ao mesmo tempo que visualizam uma recuperação no prazo de alguns anos?

Já existe um consenso a respeito da gravidade da crise, mas quanto aos seus desdobramentos há divergência, sendo que a maioria dos especialistas acreditam que o país não entrará num colapso e alguns afirmam que o maior problema da divida pública não está no seu tamanho mas sim nos juros. E quanto à atual taxa de juros, os dirigentes do Banco Central parecem estar tranquilos, alegando para justificar essa tranquilidade o fato de que a crise vai contribuir para a redução da inflação, devido à queda de poder aquisitivo da população. Sim a inflação vai se reduzir, às custas do SACRIFICIO do povo,  mas isso não será suficiente para  impedir uma quebra - ou colapso.

(continua na próxima semana) 

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