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                                                                    A ideologia do Papa Francisco passada a limpo     

Estimulado pelos ideólogos progressistas do Mãos Limpas,  Dra. Guilhermina Coimbra e Dr. Jacob Blinder, resolvi passar a limpo a ideologia política do Papa Francisco que poderia ser classificada como “socialismo democrático cristão”.

Me refiro apenas à ideologia política, que divide a cúpula do Vaticano entre conservadores e progressistas, o que corresponde à anacrônica divisão dos humanos em esquerda e direita. Há muito tempo que a Igreja católica está dividida entre esquerda e direita, sendo o nosso Papa atual, obviamente de esquerda.

As criticas que o Papa Francisco tem feito ao capitalismo, se estivéssemos nos anos 60 do século passado, provavelmente provocariam a sua renúncia. Mas certamente com esse discurso ele não seria eleito, pois naquela ocasião não teria espaço para desfilar com sua agitada bandeira marxista.. O que aconteceu então com o Estado do Vaticano que “descambou” para esse esquerdismo marxista, a ponto de eleger como governante um Papa cujo discurso vai se radicalizando a cada dia que passa? Onde o Papa pretende chegar?  E porque foi eleito apesar de ser o representante da ideologia marxista?  Vamos tentar responder a estas perguntas ainda que apenas introdutoriamente.  

É marxista o discurso do Papa Francisco? Sim, é!

Estou dizendo que o discurso é marxista e não que o autor do discurso seja marxista e lembro a propósito, que  “ser marxista” varia de acordo com o sabor ideológico das diversas correntes que se intitulam marxistas.. Se Marx estivesse vivo e continuasse pensando o que ele pensava no século XIX, com toda a certeza ficaria exultante ao ouvir estas incríveis declarações feitas pelo Papa no dia 9 de julho de 2015, na Bolívia, tecendo criticas arrasadoras ao capitalismo:

  •          E por trás de tanto sofrimento, tanta morte e destruição, sente-se o cheiro daquilo que Basílio de Cesareia chamava «o esterco do diabo»: reina a ambição desenfreada de dinheiro. O serviço ao bem comum fica em segundo plano. Quando o capital se torna um ídolo e dirige as opções dos seres humanos, quando a avidez do dinheiro domina todo o sistema sócio-econômico, arruína a sociedade, condena o homem, transforma-o em escravo, destrói a fraternidade inter-humana, faz lutar povo contra povo e até, como vemos, põe em risco esta nossa casa comum.(a Terra). Não quero alongar-me na descrição dos efeitos malignos desta ditadura subtil: vós conhecei-los!  (...) Os seres humanos e a natureza não devem estar ao serviço do dinheiro. Digamos NÃO a uma economia de exclusão e desigualdade, onde o dinheiro reina em vez de servir. Esta economia mata. Esta economia exclui. Esta economia destrói a Mãe Terra. A economia não deveria ser um mecanismo de acumulação, mas a condigna administração da casa comum. Isto implica cuidar zelosamente da casa e distribuir adequadamente os bens entre todos.
  •          Reconhecemos que este sistema (o capitalismo) impôs a lógica dos lucros a qualquer custo, sem pensar na exclusão social ou na destruição da natureza?" Se é assim, insisto, digamos sem medo: queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas. Este sistema já não se aguenta, os camponeses, trabalhadores, as comunidades e os povos tampouco o aguentam.(...) . Um sistema que, apesar de acelerar irresponsavelmente os ritmos da produção, apesar de implementar métodos na indústria e na agricultura que sacrificam a Mãe Terra (...) continua a negar a milhares de milhões de irmãos os mais elementares direitos econômicos, sociais e culturais. Este sistema atenta contra o projeto de Jesus. (...) Este sistema é insuportável: não o suportam os camponeses, não o suportam os trabalhadores, não o suportam as comunidades, não o suportam os povos.
  •          Que posso fazer eu, recolhedor de papelão, catador de lixo, limpador, reciclador, frente a tantos problemas, se mal ganho para comer? Que posso fazer eu, artesão, vendedor ambulante, carregador, trabalhador irregular, se não tenho sequer direitos laborais? Que posso fazer eu, camponesa, indígena, pescador que dificilmente consigo resistir à propagação das grandes corporações? Que posso fazer eu, a partir da minha comunidade, do meu barraco, da minha povoação, da minha favela, quando sou diariamente discriminado e marginalizado? Que pode fazer aquele estudante, aquele jovem, aquele militante, aquele missionário que atravessa as favelas e os paradeiros com o coração cheio de sonhos, mas quase sem nenhuma solução para os meus problemas? Muito! Podem fazer muito. Vós, os mais humildes, os explorados, os pobres e excluídos, podeis e fazeis muito. Atrevo-me a dizer que o futuro da humanidade está, em grande medida, nas vossas mãos, na vossa capacidade de vos organizar e promover alternativas criativas na busca diária dos “3 T” (trabalho, tecto, terra), e também na vossa participação como protagonistas nos grandes processos de mudança nacionais, regionais e mundiais. 
  •          O novo colonialismo assume variadas fisionomias. Às vezes, é o poder anônimo do ídolo dinheiro: corporações, credores, alguns tratados denominados «de livre comércio» e a imposição de medidas de «austeridade» que sempre apertam o cinto dos trabalhadores e dos pobres. Os bispos latino-americanos denunciam-no muito claramente, no documento de Aparecida, quando afirmam que «as instituições financeiras e as empresas transnacionais se fortalecem ao ponto de subordinar as economias locais, sobretudo debilitando os Estados, que aparecem cada vez mais impotentes para levar adiante projetos de desenvolvimento a serviço de suas populações». Noutras ocasiões, sob o nobre disfarce da luta contra a corrupção, o narcotráfico ou o terrorismo – graves males dos nossos tempos que requerem uma ação internacional coordenada – vemos que se impõem aos Estados medidas que pouco têm a ver com a resolução de tais problemáticas e muitas vezes tornam as coisas piores.
  •          (...) cooperativas de catadores de papelão são exemplos desta economia popular que surge da exclusão e que pouco a pouco, com esforço e paciência, adota formas solidárias que a dignificam. Quão diferente é isto do fato de os descartados pelo mercado formal serem explorados como escravos! (...) Da mesma forma, a concentração monopolista dos meios de comunicação social que pretende impor padrões alienantes de consumo e certa uniformidade cultural é outra das formas que adota o novo colonialismo. É o colonialismo ideológico. Como dizem os bispos da África, muitas vezes pretende-se converter os países pobres em «peças de um mecanismo, partes de uma engrenagem gigante»

Fonte: http://pt.radiovaticana.va/news/2015/07/10/discurso_do_papa_aos_movimentos_populares_(texto_integral)/1157336

Entretanto, como o Papa deixa implícito, ele não está propondo nem acabar com o capitalismo, nem acabar com o dinheiro, o que não seria objetivo do “Projeto de Cristo”. Não propõe que o “exército” do Stedile aniquile com  a burguesia através das armas, como queria Marx. Assim, o discurso do Papa é marxista apenas no que diz respeito ao diagnóstico e não no que diz respeito à cura do mal.

E, curiosamente, ele mesmo critica o “diagnosticismo”, * sem usar este termo que acabei de cunhar para designar uma nova ideologia, que eu saiba ainda não catalogada – a ideologia do diagnóstico.

Essa ideologia confunde a teoria com a prática, esperando que o diagnóstico gere automaticamente a solução dos problemas diagnosticados, como se todos os problemas criados pelo homem ou pelo Diabo tivessem solução. Ignora que o dinheiro, por exemplo, sendo uma das principais causas das desgraças humanas, não pode ser extinto, o que permite apenas o controle dos males que provoca e não a sua cura.

* Diz o Papa: “Sofremos de um certo excesso de diagnóstico, que às vezes nos leva a um pessimismo charlatão ou a rejubilar com o negativo. Ao ver a crônica negra de cada dia, pensamos que não haja nada que se possa fazer para além de cuidar de nós mesmos e do pequeno círculo da família e dos amigos.”

O Papa Francisco faz criticas radicais ao capitalismo ( radicais do sentido de raízes) mas não propõe a sua extinção nem sabe qual seria a receita para transformá-lo, como assim “confessou”:

Queremos uma mudança que se enriqueça com o trabalho conjunto de governos, movimentos populares e outras forças sociais. Sabemos isto também! Mas não é tão fácil definir o conteúdo da mudança, ou seja, o programa social que reflita este projeto de fraternidade e justiça que esperamos. Neste sentido, não esperem uma receita deste Papa. Nem o Papa nem a Igreja têm o monopólio da interpretação da realidade social e da proposta de soluções para os problemas contemporâneos. Atrever-me-ia a dizer que não existe uma receita.

O que não é essa “confissão” senão a reedição com outras palavras do mito do igualitarismo, expresso na revolução francesa com a tríade “liberdade, igualdade e fraternidade” e no socialismo marxista, com o  fim das classes sociais e a extinção do Estado?  

Ao criticar esse individualismo que é um dos elementos básicos da natureza humana – e sem o qual a nossa espécie não teria sobrevivido – o Papa Francisco não apresenta nenhuma proposta concreta para resolver este e outros problemas que ameaçam a sobrevivência da mais cruel das espécies criadas por Deus. Também não explica porque Deus assiste passivamente às barbáries praticadas pelo homem que foi fruto de sua criação. Se Ele criou este ser bárbaro que se recusa a tornar-se civilizado, não tem nenhuma responsabilidade sobre os atos de sua criação? E para eximir Deus de qualquer responsabilidade, o Papa Francisco transfere aos pobres e miseráveis a missão de construir o futuro da humanidade:

Vós, os mais humildes, os explorados, os pobres e excluídos, podeis e fazeis muito. Atrevo-me a dizer que o futuro da humanidade está, em grande medida, nas vossas mãos (...)

como se o povo tivesse as armas necessárias para enfrentar os donos do poder.

Ideologia religiosa à parte, o Papa Francisco é portador de um espírito cientifico como raramente se vê na Igreja Católica. Como se sabe, essa Igreja combateu no passado ferozmente a ciência. O que, porém pode-se esperar deste Papa “revolucionário” e “cientifico” é apenas bons resultados no seu trabalho de defender e valorizar a instituição que preside. Nada no mundo vai mudar depois que ele encerrar sua peregrinação aqui na terra, que seja fruto de suas perorações.                                                                                           

Essa depuração  do pensamento papal revela uma presença fraca de vírus ideológico, que se manifesta de forma expressiva apenas na ausência da solução para os problemas diagnosticados. O diagnóstico é excelente – embora repita o que já se sabe há 200 anos, mas que nenhuma autoridade do Vaticano até agora expôs com tanta contundência e coragem. Por essa coragem o Papa Francisco mereceria uma vida eterna, cercado por anjos celestiais.  Se existisse a vida após a morte.  Vida após a morte? Mas a morte não é a negação da vida? Não é a negação da vida porque sem a morte não existiria vida? Que a morte seja pré-requisito da vida, vá lá. Mas viver depois de morto é algo no mínimo estranho, né? Até agora não vimos sequer um único depoimento de um morto dizendo que está vivo.

 

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