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Mtnos Calil

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No Brasil, um Assessor de 3º nível de um Deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou mero estafeta de correspondências, ganha mais que um Cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo e a sua vida, buscando curas e vacinas para salvar vidas.

Nota da redação: atribuir aos partidos o auto-engano não seria uma forma de ser condescendente com os mesmos?

 

 

O dom de se iludir

Cegos pelo autoengano, partidos acham que ludibriam o eleitor

 

Política e eleitoralmente moribundos, partidos brasileiros tiveram uma ideia. Tão velha quanto inútil, mas a única que lhes ocorreu para tentar contornar o obstáculo da merecida rejeição popular: por que não mudar de nome, espanar um pouco o pó dos estatutos e dar, enfim, o que se chama de um “tapa” no visual?

 

Por essa lógica, o PMDB voltaria a ser MDB, o DEM, que já foi PFL, seria rebatizado de Centro Democrático, o PEN a responder pelo dístico Patriotas, o PP a ser conhecido pelo nome de Progressistas, o PSDC a se chamar DC, o PSL seria o Livres e o PTdoB, Avante. Para chegar aonde, senhoras e senhores? Isso mesmo, a lugar algum, porque se trata de uma remodelagem de fachada.

 

Um dado é fato: promover alterações profundas que é bom, ninguém quer. Abster-se de antigos vícios e abrir mão de certas facilidades para enfrentar as dificuldades na direção de um rumo novo capaz de resgatar a credibilidade perdida dá trabalho e, sobretudo, requer sacrifícios cujo ponto de partida é a disposição de se pôr frente a frente com a autocrítica. Sem medo de, por algum tempo, ser infeliz diante dos entulhos desenterrados em público.

 

Fernando Henrique Cardoso e Tasso Jereissati que o digam. São os mais destacados patrocinadores do programa de televisão tucano que convida todos a “pensar no Brasil” e começa por reconhecer o próprio erro de aderir à prática do fisiologismo como se fosse algo natural. Estão sendo massacrados pela ala governista da legenda e alvos de uma reação exagerada, mas não inexplicavelmente colérica, daqueles que consideraram a peça um exercício de desnecessária e extemporânea flagelação.

 

Pois o programa, além de didático e, portanto, necessário, é corajoso. Nesse ambiente de dissimulação permanente travestida de habilidade política, dá às coisas seu nome devido. O sistema presidencialista do Brasil não é de coalizão, mas de cooptação. Alguém tem dúvida? Ninguém, à exceção de cooptados, aliciadores residentes no Palácio da Alvorada — eventualmente no Jaburu — e ocupantes dos melhores gabinetes do Palácio do Planalto. A eles se junta uma plêiade de observadores, especialistas e pesquisadores incansáveis na busca de pelo em ovo.

 

Ficaram desconfortáveis porque o PSDB não fez no programa uma listagem dos seus erros, não bateu de forma explícita no PT e espalhou suspeições vãs ao dizer que no Congresso há vendidos. Por essa ótica, seria necessária a divulgação dos nomes, com provas e certidão lavrada em cartório do céu. O mesmo que exigem acusados cujos crimes não foram provados mediante nota fiscal da propina recebida.

 

O PSDB, sob a jurisdição de FH e de Tasso, disse o que era preciso dizer no primeiro e árduo passo na rota da mudança. Deu a face para bater, apelou para o abandono da intolerância no debate e convocou todos à unidade de ação (não necessariamente de pensamento) em prol do país. Bem mais do que fizeram as atuais legendas, PT à frente, em sua opção pela preservação dos entulhos que não engana o eleitorado e pode levar os partidos a enterros de indigentes em 2018.

 

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