A Globo News, para orgulho do "Jornal Nacional", cobrou do porta-voz da Casa Branca que Trump telefone para Michel Temer. Até aqui, diferente dos eleitos Maurício Macri, Juan Manuel Santos e Pedro Pablo Kuczynski, o brasileiro só conseguiu falar com o vice.

 

Mas talvez o jornalismo da Globo esteja certo em cobrar a Casa Branca. O "Brasil à beira do caos" é uma das histórias que estão passando despercebidas com toda a atenção voltada ao fenômeno Trump, segundo o colunista de tecnologia do "New York Times", Farhad Manjoo.

 

Ele passou uma semana fugindo dos noticiários, comentários, análises, rumores sobre o presidente americano e contou o que aprendeu com isso. Citou –além do caos brasileiro, que descobriu na "New Yorker"– o Estado Islâmico perdendo terreno e a Antarctica se desfazendo:

 

— Existe uma razão pela qual você não está vendo essas histórias espalhadas pelo noticiário. Ao contrário da velha escola do jornalismo, a mídia de hoje funciona de acordo com laços de realimentação social. Toda história que mostra qualquer sinal de vida no Facebook ou Twitter é copiada sem parar por todos os veículos, tornando-se incontornável.

 

O texto da "New Yorker" é assinado por Jon Lee Anderson e cita as rebeliões nos presídios e as greves de policiais, para concluir:

 

— Temer e seus aliados se moveram rapidamente para desfazer o legado de 13 anos do PT, de Lula, que supervisionou os anos do país como um dos maiores exportadores de commodities no auge do boom da China. O Brasil se tornou Bric e um player global, enquanto em casa um programa popular, Bolsa Família, ergueu 40 milhões da pobreza. A maioria desses ganhos está agora em risco, com Temer instituindo medidas de austeridade e um congelamento de 20 anos em todos os gastos sociais.  Com seu berço social em ruínas, o Brasil tem todos os ingredientes para mais explosões por vir.

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Trump, diz Manjoo, "é inescapável", em parte por ser garantia de audiência. As reportagens sobre a cerimônia do Oscar, no próximo domingo, indicam que críticas ao presidente americano serão parte da atração.

 

Na capa da "Variety", o apresentador Jimmy Kimmel despista falando que o evento "não será muito político", mas não descarta sequer uma participação especial da democrata Hillary Clinton –como ele já fez antes com o republicano Jeb Bush, ao apresentar o Emmy.

 

A transmissão nos EUA será da ABC, que já vendeu todo o inventário de publicidade que tinha disponibilizado. No enunciado do "Los Angeles Times", agora os "anunciantes se preparam para [aguentar] os discursos políticos.

 

O porta-voz da Casa Branca informou que Trump não deverá assistir à transmissão da cerimônia. "Hollywood é conhecida por se situar muito à esquerda em suas opiniões", afirmou Sean Spicer.