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Chimpanzés observam corpo do seu ex-tirano

Pergunta da redação:  será que um dia a humanidade vai admitir que a sua crueldade é produto de uma herança natural e genética? 

 

Antes de ser espancado, morto e canibalizado por seus semelhantes, Foudouko era o tal. Quando chegava, os outros chimpanzés faziam uma sinfonia de grunhidos para aclamá-lo. O ar de superioridade e a testa enrugada lhe renderam o apelido de Saddam (como o ditador iraquiano) entre uma equipe de antropólogos que o observava no Senegal, 11 anos atrás.

 

A ascensão desse macho alfa foi mais rápida do que sua queda. Foudouko foi deposto em 2007, dois anos após a derrubada do Saddam humano. Perdeu o poder após seu número dois, o macho beta Mamadou, se ferir gravemente.

 

Enfraquecido, o líder fugiu de sua tribo de chimpanzés. Após cinco anos de exílio, arriscou voltar. Mas era só chegar perto que os outros machos o escorraçavam. Em 2013, acabou assassinado. Tinha em torno de 17 anos.

 

Numa madrugada de 2013, a equipe da antropóloga Jill Pruetz escutou gritos vindos da comunidade. Ao amanhecer, um assistente foi até a savana senegalense verificar.

 

Macacos o mordam: Foudouko foi encontrado com mãos cobertas por marcas de dentes e arranhões. As feridas sugerem que dois chimpanzés abocanharam seus braços, esticando-os enquanto outros agrediam o ex-rei do pedaço com murros. O pé sangrava muito de uma mordida.

 

O grupo continuou a vilipendiar seu corpo já sem vida. Jogaram pedras, dilaceraram sua garganta e comeram partes da carne defunta. A fêmea mais gulosa era a mãe de dois machos agora no comando da tribo. Um deles era Mamadou, o ex-braço direito de Foudouko, bem mais comedido na violência do que o resto -ele até sacudiu o parceiro morto, como se estivesse tentando acordá-lo.

 

A história com requintes shakespearianos foi contada em artigo publicado em janeiro pelo "International Journal of Primatology", periódico acadêmico dedicado à ciência que estuda os primatas.

 

O epílogo não choca só pela brutalidade. São também raros casos de assassinato entre chimpanzés da mesma comunidade. Na academia, há registro de nove mortes afins.

 

O primatólogo Frans de Waal encontrou situação similar com um grupo de chimpanzés cativos, na qual a liderança era instável. "Um alfa foi morto e castrado por dois machos frustrados após perderem o posto [de dominantes]", afirma à Folha o autor de "Eu, Primata" (2007).

 

Rebeliões do tipo em geral atingem machos tiranos, diz. "Se um alfa tem mão pesada e aterroriza a todos, isso pode terminar mal para ele. Se o alfa é popular, seria deposto sem tamanha agressão."

 

"De vez em quando surgem histórias meio shakespearianas" no meio, diz o etólogo (especialista em comportamento animal) Eduardo Ottoni, da USP. A força de um alfa "depende muito de alianças". Caso seu beta o traia e se una a outro, "esses dois podem dar um pau nele".

 

O desfecho no Senegal pegou de surpresa o antropólogo Michael Wilson, da Universidade de Minnesota. "Matar inimigos é fácil de explicar. Mas [o fim de Foudouko] me faz pensar em 'Os Sopranos'", comparou em artigo publicado no "Washington Post".

 

Canibalismo também é atípico –um dos casos mais famosos envolve a fêmea Zora, que arrancou pênis e testículos de um macho. "Ela os comeu com folhas frescas arrancadas de uma muda", relata "The Real Chimpanzee" (2009), que fala sobre as estratégias sexuais dessa espécie conhecida, no nome científico, como Pan troglodytes. 

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