IMLB - Instituto Mãos Limpas Brasil

Missão: Ser a Entidade mais ética da História do Brasil

Diretor de Redação

Mtnos Calil

Login

 

No Brasil, um Assessor de 3º nível de um Deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou mero estafeta de correspondências, ganha mais que um Cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo e a sua vida, buscando curas e vacinas para salvar vidas.

                                                                                                             Leo Pinheiro/Valor-17.dez.2007/Folhapress

Rio de Janeiro, 17/12/2007 - Brasil? Arminio Fraga, Socio da Gavea Investimento Foto: Leo Pinheiro Reporter: Claudia Safatle ***FOTO DE USO EXCLUSIVO FOLHAPRESS***

O economista Armínio Fraga, ex-presidente do BC durante o governo de Fernando Henrique Cardoso

 

O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga é contra a discussão pública sobre a possível ineficácia dos juros no combate à inflação, iniciada no país pelo economista André Lara Resende.

 

"A sugestão encontrou terreno fértil no Brasil, que adora um atalho, e parece não ter aprendido com as lições do passado" diz Armínio.

*

Folha - Como o sr. avalia a tese de que a política monetária pode ser ineficaz?


Armínio Fraga - O debate sobre a clara ligação entre as políticas monetária e fiscal não é novo. Vem desde a década de 1970. Mas há alguns anos começou uma rodada nova motivada pela situação inédita de persistência da inflação baixa a despeito de juros muito baixos, em alguns casos até negativos, nos países desenvolvidos. É um debate muito especializado, que está longe de levar a conclusões definitivas. Como diz um ditado, e sendo prático, essa discussão tem ideias boas que não são novas e ideias novas que não são boas.

 

Quais são essas ideias?


André [Lara Resende] foi provocativo ao sugerir que nos EUA talvez fizesse sentido subir juros para gerar um aumento da inflação. Embora ele não tenha feito uma prescrição, implicitamente sugeriu que tentar a política contrária, sendo mais agressivo com cortes de juros no Brasil, talvez levasse a uma queda da inflação. O problema é que essa sugestão encontrou terreno fértil no Brasil, que adora um atalho, e parece não ter aprendido com as lições do passado.

 

Por que o país adora atalhos?


É uma discussão antropológica, sociológica, que não é minha área. Mas acho que passa por características como o patrimonialismo, o jeitinho, o que Marcos Lisboa [presidente do Insper] tem chamado de país da meia-entrada. Todos querem manter privilégios que envolvem gastos públicos. Isso gera complacência com a inflação.

 

O que ficou mais chato com a sugestão foi parecer uma mágica nova. Criou um certo zum-zum-zum. Até recentemente, a inflação estava bem alta. Fazer a provocação pública agora, depois que a inflação já caiu bastante, é fácil.

 

Ainda que pese o fato de nossos juros serem historicamente muito altos, o Brasil tem inúmeros exemplos de que a política monetária funciona, embora a segmentação do mercado de crédito atrapalhe. Não digo que o debate não seja importante, sempre é. Mas a parte nova deveria ter ficado na academia.

 

Que lições temos de que a heterodoxia não funciona?


Temos muitas. Em nome da heterodoxia, o governo Dilma foi um fracasso estrondoso.

 

Mas a ideia de tentar uma coisa mais fácil, em vez de fazer um ajuste fiscal, não é nova. Em geral, vivemos com essa ilusão do atalho fácil há décadas. E isso não nos levou ao desenvolvimento. Pelo contrário, nossa renda per capita equivale a 20% da americana.

 

Isso está por trás das taxas de juros historicamente altas?


Há seis meses, estou fazendo uma pesquisa acadêmica detalhada com Tiago Berriel, economista da PUC-Rio que agora está no Banco Central, tentando justamente entender as razões disso. Devemos ter esse trabalho concluído em cerca de um ano. Mas o que dá para dizer é que passa por questões profundas de natureza fiscal e, em alguns momentos, cambial também.

 

O que provocou a recente queda da inflação no Brasil?


A política monetária e a recessão principalmente. Em alguma medida, os sinais de ajuste fiscal a longo prazo também contribuíram. No caso do Brasil hoje, caberia reforçar, com atraso, o ajuste fiscal para não sobrecarregar os juros e ajudar a reverter a expansão da dívida pública. O Banco Central, comandado pelo Ilan [Goldfajn], reagiu assim que pôde e reforçou o aperto monetário necessário. Mas teria sido bom que o governo tivesse feito, concomitantemente, um ajuste fiscal. Joaquim Levy [ministro da Fazenda em 2015] até tentou.

 

Só com o governo Temer veio esse sinal de compromisso, com a adoção do teto para o aumento dos gastos. O governo deveria estar fazendo um ajuste fiscal há bastante tempo. Não é para ter medo disso. Claro que existem questões de ordem política, causa desconforto, há setores que vão ser prejudicados e se sentir incomodados. Mas a verdade é que temos espaço para cortar gasto e subir imposto. Dada a situação, esses dois passos seriam bem-vindos.

 

O presidente do Banco Central defendeu uma redução da meta de inflação. O que o sr. acha da ideia?

 

Não li como algo eminente ou rápido, pois há muita incerteza ainda entre hoje e 2019. Como sinalização de longo prazo acho uma excelente ideia.

 

Adianta reduzir a meta de inflação sem fazer um ajuste fiscal e alterar outras possíveis causas estruturais dos juros altos, como o elevado volume de crédito subsidiado?

 

Boa pergunta. Melhor seria avançar mais nas outras frentes. 

 

ÉRICA FRAGA
FOLHA DE SÃO PAULO

05/02/2017 

 

 

Pin It

Logo TAYSAM Web Design 147x29

Selo Google1