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  Tambako The Jaguar/Flickr  
Primatologista Frans de Waal, da Universidade Emory (EUA), discute como estudar animais
Primatologista Frans de Waal, da Universidade Emory (EUA), discute como estudar animais

Durante décadas, os gibões, coitados, levaram a fama de "piores alunos da turma" entre os grandes macacos. Enquanto chimpanzés e orangotangos se mostravam capazes de todo tipo de proeza usando instrumentos simples, os gibões pareciam não captar o conceito de empregar um objeto como extensão de suas mãos. Conclusão: são bichos meio burros, certo?

 

 

Acontece que, ao contrário dos chimpanzés, os gibões quase nunca descem da copa das árvores. Seus braços longos e delgados funcionam como pernas às avessas, propelindo-os velozmente de galho em galho. Portanto, deixar um objeto no chão da jaula seria o mesmo que torná-lo inacessível para esses macacos, percebeu o primatólogo americano Benjamin Beck.

 

Bastou que os instrumentos fossem colocados mais para cima, no nível dos ombros dos gibões, para que eles aprendessem a usá-los com tanta destreza quanto a de seus primos.

 

Histórias como a da queda e ascensão dos gibões povoam as páginas do mais recente livro do primatologista holandês-americano Frans de Waal, da Universidade Emory (EUA). O título da obra é comprido, mas tem a virtude de resumir bem o conteúdo: "Are We Smart Enough To Know How Smart Animals Are?" ("Será que somos inteligentes o suficiente para saber quão inteligentes os animais são?", em tradução livre).

 

E, para facilitar a vida do leitor, De Waal dá uma "resposta curta" à pergunta logo nas primeiras páginas: "Sim, mas nem parece, a julgar pelos tropeços dos cientistas do século passado".

 

No fundo, trata-se de um livro sobre o que os pesquisadores chamam de "design experimental" –a maneira como você projeta os detalhes de um experimento antes de realizá-lo, tomando o máximo de cuidado para que suas conclusões não acabem sendo falsas ou incompletas por conta de erros de projeto.

 

Também é um livro a respeito da história das pesquisas sobre a inteligência animal, área que passou por avanços vertiginosos nas últimas décadas, não sem que ocorressem alguns tropeços constrangedores no caminho.

 

Dito desse jeito, parece algo não muito emocionante –história da ciência e debates sobre detalhes de experimentos podem soar como papo para iniciados–, mas De Waal consegue demonstrar que, no fundo, o que está em jogo são visões conflitantes sobre a relação entre a nossa espécie e os outros animais.

 

E poucas coisas são capazes de causar tamanho fascínio (ou pavor, dependendo da perspectiva) quanto notar as possíveis semelhanças entre "nós" e "eles".

 

Simplificando bastante um debate cheio de idas e vindas que durou séculos, as tais visões conflitantes são, de um lado, a que enxerga animais não humanos como meras "máquinas de sobrevivência", e a que propõe que as diferenças entre bichos e gente são muito mais de grau do que de essência –ou seja, capacidades como o raciocínio, a empatia e a autoconsciência também estariam presentes entre eles, ainda que de forma menos complexa.

 

Essas dicotomias são a deixa para que De Waal se divirta (e divirta também o leitor) dando alguns sopapos conceituais no chamado behaviorismo radical, uma perspectiva teórica segundo a qual seria inútil levar em conta a vida interior (emoções, intenções etc.) dos bichos (e dos humanos) para tentar entender seu comportamento.

 

Para os behavioristas radicais, as únicas coisas relevantes para o comportamento animal seriam os estímulos e as recompensas trazidas pelo ambiente (um bicho aprende a realizar uma tarefa desde que seja recompensado com comida por seu treinador, por exemplo). Dá para analisar como a criatura se comporta, mas jamais dizer que ela "está gostando", "está com medo" e por aí vai.

 

A aplicação dessas ideias ao comportamento das pessoas deu origem a uma piada sobre o que o behaviorista diz para sua parceira após o sexo: "Claramente foi bom para você. E para mim, foi bom?".

 

 

 

"ARE WE SMART ENOUGH TO KNOW HOW SMART ANIMALS ARE?"
AUTOR Frans de Waal
EDITORA W.W. Norton & Company
QUANTO R$ 32,19 (e-book) 

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