IMLB - Instituto Mãos Limpas Brasil

Missão: Ser a Entidade mais ética da História do Brasil

Diretor de Redação

Mtnos Calil

Login

 

No Brasil, um Assessor de 3º nível de um Deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou mero estafeta de correspondências, ganha mais que um Cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo e a sua vida, buscando curas e vacinas para salvar vidas.

 

 

Lalo de Almeida - 21.ago.1995/Folhapress

O candidato à presidência do PT, José Dirceu, chora e é consolado pelo deputado Arlindo Chinaglia após denúncia de um membro da executiva do partido que o acusou de ter recebido dinheiro de uma construtora para financiar sua campanha. [FSP-Brasil-21.08.95]*** NÃO UTILIZAR SEM ANTES CHECAR CRÉDITO E LEGENDA***

 
 

Então candidato à presidência do PT, Dirceu chora após críticas de militantes contrários ao recebimento de dinheiro da Odebrecht para financiar campanha

 

Há mais de 20 anos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-deputado José Dirceu choraram em um encontro nacional do PT quando um militante foi à tribuna para criticar os rumos que a corrente majoritária do partido vinha tomando. No centro da polêmica estavam pagamentos feitos pela Odebrecht ao partido.

 

 

A história começou na campanha eleitoral de 1994, quando José Dirceu se lançou ao governo de São Paulo, mas foi derrotado. Após a disputa, a imprensa revelou a lista dos doadores. Naquela época, os financiadores só eram divulgados pela Justiça Eleitoral após o fim da campanha.

 

Dirceu declarou ter arrecadado R$ 1,1 milhão. Desse total, 42% vieram da Odebrecht e de uma empresa sob seu controle, a CBPO. A empreiteira também doou para as campanhas do PT no Distrito Federal e no Espírito Santo.

 

A notícia chocou a militância mais à esquerda no partido porque a Odebrecht havia passado por dois escândalos duramente atacados pelo PT– em especial por José Dirceu, na época deputado federal– nas CPIs que investigaram o esquema PC Farias, durante o governo de Fernando Collor, em 1992; e dos Anões do Orçamento, em 1993.

 

Uma corrente do PT em Brasília tentou até mesmo devolver à empreiteira os R$ 200 mil que a sigla havia recebido. Um dos fundadores do partido, o economista e ex-guerrilheiro Paulo de Tarso Venceslau disse à Folha que soube do próprio Dirceu o quanto o caso Odebrecht o incomodou na época.

 

"Eu tive reuniões com ele e estava frustradíssimo. Ele dizia que esses recursos da Odebrecht estavam aparecendo na prestação de contas dele, mas que o dinheiro era para a campanha do Lula. A campanha do Dirceu foi usada para fazer a triangulação", disse Venceslau, que contou a mesma história à CPI dos Bingos, em 2006.

 

Venceslau disse que, no começo de 1995, Dirceu se mostrava disposto a deixar a organização do partido e chegou a procurar um imóvel para montar um escritório de advocacia na companhia de outras duas militantes petistas. Mas ele se acertou com Lula e passou a ser apoiado para a presidência nacional do PT, segundo Venceslau.

 

"Esse é o maior mistério: como foi esse acordo. É uma coisa que ninguém sabe direito", afirmou o ex-guerrilheiro que, nos anos 1990, denunciou o que ficou conhecido como Caso CPEM.

 

Considerado o primeiro escândalo do PT, o caso gerou uma investigação conduzida pelo partido sobre Lula e seu compadre, o advogado Roberto Teixeira –hoje, o ex-presidente e Teixeira são réus na Operação Lava Jato.

 

Meses depois de ficarem conhecidas as doações da Odebrecht para Dirceu, o PT realizou em Guarapari (ES) seu 10º encontro nacional para escolher o novo presidente da sigla. Contra o candidato de Lula –José Dirceu–, estava Hamilton Pereira, apoiado pelo editor e ex-guerrilheiro César Benjamin na corrente "A hora da verdade".

 

Benjamin foi ao microfone para uma plateia estimada em 500 delegados da sigla de todo o país. Ele denunciou que "parte da campanha" de Dirceu havia sido bancada pela Odebrecht e fez duras críticas à cúpula da legenda por receber de empreiteiras.

 

Folha, que acompanhou o encontro, narrou na época que petistas do grupo de Lula e Dirceu "avançaram em direção a Benjamin", enquanto Dirceu chorava, sentado. "Lula também chorou, assim como outros dirigentes." Uma fotografia mostra Dirceu passando o dedo no olho direito enquanto é consolado pelo hoje deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).

 

Três dias depois, Benjamin anunciou em artigo publicado pela Folha, que deixaria o PT. "Minha frase sobre a Odebrecht não foi dúbia nem irônica", escreveu.

 

"Não houve desvio individual de conduta. Tudo decorreu de uma lógica, a das máquinas eleitorais (que, aliás, só no PT, entre os grandes partidos, ainda pode ao menos ser questionada). Dirceu é inocente, mas não o sistema de poder que governa o PT, aliás, com apoio das bases", concluiu Benjamin. 

 

RUBENS VALENTE
DE BRASÍLIA

01/01/2017  

 

 

Pin It

Logo TAYSAM Web Design 147x29

Selo Google1