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NO BRASIL, um motorista do Senado, ganha mais para dirigir um automóvel, do que um Oficial da Marinha, para comandar uma fragata!

 

  Alan Marques/Folhapress  
BRASÍLIA, DF, 27.11.2016: TEMER-DF - Coletiva de imprensa com o Presidente da República Michel Temer, Presidente do Senado Renan Calheiros e o Presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia, com jornalistas, na tarde deste domingo, no Palácio do Planalto. (Foto: Alan Marques/Folhapress) PODER
Michel Temer, Renan Calheiros e Rodrigo Maia em coletiva no Palácio do Planalto

 

O governo Temer e os fugitivos da polícia no Congresso decidiram manter as taxas de juros no alto, baixando ainda mais o nível da política. Contribuem para prolongar a recessão.

Como assim? Governo e Congresso definem taxas de juros? Não propriamente. O patrocínio de lambanças colabora para disseminar a percepção de que a pinguela para o futuro, o governo Temer, corre o risco de se tornar inoperante. Que não consiga nem ao menos estabilizar um país em estado crítico. Quanto maior o risco de o tumulto político criar mais desordem econômica, maiores as taxas de juros: maior o temor de emprestar e investir. É óbvio, mas não no mundo zumbi de Brasília.

 

Note-se que nem está em discussão o teor das lambanças, mas apenas seu preço. Observe-se ainda que "pinguela" foi o apelido dado por Fernando Henrique Cardoso ao governo, corruptela do nome do programa ultraliberal lançado por Michel Temer faz mais de um ano, o "Ponte para o Futuro". As taxas de juros deram um pulo extra para cima desde o terço final de outubro, na verdade. Foi quando o Banco Central induziu os donos do dinheiro a desistir das apostas de desaperto monetário mais rápido. Ganharam apoio para flutuar na estratosfera com a eleição de Trump. A poluição que sobe de Brasília dá mais gás para os juros.

 

A poeira imunda pode baixar, desde que ministros e parlamentares parem de cavar túneis para escapar da Justiça. Desde que não causem mais revolta popular. O sistema político está "falido" e "fedido", como disse ontem Renan Calheiros, expert no assunto. Mas, caso a fedentina não leve o povo para as ruas, o sistema talvez seja tolerado em sua forma zumbi operante, aprovando as reformas de consenso na elite.

 

Como disse FHC, é uma "pinguela", mas "é o que tem". "É o que temos" é o que se ouve de cada banqueiro e empresário maiores a quem se pede opinião sobre o governo.

O sucesso desse acordo tácito entre elite econômica e zumbis fedidos depende também, ora vejam, da realidade. A economia não embicou para baixo de novo, mas ainda não sai do lodo do fundo do poço (francamente, não dá para dizer se sobe ou se desce). Mas o desemprego cresce ainda cada vez mais rápido.

 

Não há estímulo à vista que não a queda dos juros, por ora nada estimulante, como se viu. Torna-se a cada mês mais incrível a redução do deficit federal no ano que vem, pois a receita de impostos não reage, em queda real de mais de 7% ao ano desde maio (o governo espera aumento real de uns 5% em 2017). O deficit desesperador de enorme e juros muito altos levam até economistas "liberais" respeitáveis e em geral fleumáticos a sugerir altas de impostos para apressar o ajuste fiscal e o desaperto monetário.

 

No mais, preocupado talvez com investimentos imobiliários, o governo não consegue colocar para andar seu programa de concessões e privatizações. Aprovou mudanças importantes no Congresso, reforma estatais e bancos públicos, é verdade. Mas, no curto prazo, esses consertos apenas evitam pioras. Não tiram a economia da catatonia.

O governo Temer e o Congresso têm de se render, sem condições. Haverá cadeia para muitos, mas nem todos. Mas todos ficarão enroscados se causarem mais tumulto. 

 

 

 

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