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No Brasil, um Assessor de 3º nível de um Deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou mero estafeta de correspondências, ganha mais que um Cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo e a sua vida, buscando curas e vacinas para salvar vidas.

"Nada mais simbólico do que a foto acima, de Danish Siddqui, da Reuters, em que os presidentes da Índia, Rússia, China e África do Sul aparecem de mãos dadas, e apenas Temer está com a mão esquerda livre, ao lado de Putin." - Tereza Cruvinel

No início eram os Bric. Depois, com o ingresso da África do Sul, viraram os Brics. Agora, com o Brasil na contramão da proposta que deu origem ao agrupamento político-econômico mais expressivo na busca de reformas na ordem internacional e de um mundo multipolar, surgem os sinais de que se transformarão nos RICS. Nada mais simbólico do que a foto acima, de Danish Siddqui, da Reuters, em que os presidentes da Índia, Rússia, China e África do Sul aparecem de mãos dadas, e apenas Temer está com a mão esquerda livre, ao lado de Putin.

Pior para o Brasil, que está optando pelo retorno à orbita dos Estados Unidos em posição subalterna,  à compressão de seu mercado interno por um ajuste fiscal tenebroso, à entrega de seus ativos mais invejados, como o pré-sal. Assim passaremos de país emergente a decadente.     

Nos últimos 15 anos, os BRICS foram tema de projeções extremamente otimistas que tiveram seu ponto alto em 2010, quando os resultados econômicos dos cinco países foram surpreendentes. O Brasil cresceu mais de 7% naquele último ano da era Lula, o que hoje soa nostálgico diante da recessão que se aprofunda. Seus líderes haviam adotado maior agressividade na cena global e tomado iniciativas importantes, como a criação do banco de fomento do grupo, para o qual o Brasil aportou US$ 20 bilhões, e o fundo contingente de reservas, para o socorro recíproco, dispensando-se de humilhações diante do FMI..

A partir do final de 2011 as economias dos países do bloco foram afetadas pela crise internacional, por problemas internas e as turbulências na  zona do euro. Até mesmo a galopante China teve seu crescimento moderado. O desempenho do Brasil, entretanto, foi o mais desalentador nos anos seguintes, e com uma crise política meio, chegamos aonde estamos. Mas foi com a posse de Temer e a guinada na política externa e econômica que o Brasil foi se colocando na contramão dos BRICS, o que lhe rendeu o inegável isolamento de seu atual presidente na reunião de GOA.

Há grandes diferenças políticas, econômicas e culturais entre os cinco países mas todos entendem a importância de conviver com elas, e de superá-las, em nome do objetivo maior: garantir uma melhor distribuição do poder no mundo, quebrar a unipolaridade americana e garantir a representação da multipolaridade na governança global. Antes que Temer e Serra concluam que não vale à pena integrar os BRICS, vale a pena recordar alguns números sobre a importância do bloco:

  • 40% da população mundial, ou 2,8 bilhões de pessoas, vivem nos cinco países que formam os BRICS, assim como mais da metade dos pobres do mundo.
  • A área geográfica somada dos cinco países corresponde a 30% da superfície terrestre.
  • A soma do PIB dos cinco países do grupo alcança US$ 13 trilhões, o equivalente a 18% do PIB global de 2011.
  • Há estimativas de que o PIB dos BRICS supere o do G7 por volta de 2032.
  • Em paridade de poder de compra, o PIB dos BRICS já supera, hoje, o dos EUA ou o da União Européia.
  • A força de trabalho somada dos cinco países é de 1,5 bilhões de pessoas.
  • O bloco responde por 6% de toda a ajuda financeira oficial concedida no mundo.
  • Nos cinco países, as políticas públicas têm obtido avanços na redução da pobreza e na ampliação do acesso aos bens de consumo. Ressalva: isso valia para o Brasil até antes da opção pelo desmonte delas.
  • Os BRICS respondem por 58% da demanda mundial de petróleo e por 20% da produção mundial.

Se o B de Brics deixar a sigla, o Brasil terá perdido seu melhor assento na cena internacional, ao lado dos países que têm lugar assegurado no futuro. Eles seguirão sendo RICS. Só o Brasil perderá.

Tereza Cruvine

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