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No Brasil, um Assessor de 3º nível de um Deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou mero estafeta de correspondências, ganha mais que um Cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo e a sua vida, buscando curas e vacinas para salvar vidas.

Ao que tudo indica, o que se busca é uma rápida condenação
que  possa torná-lo ficha-suja e  retirá-lo do páreo em 2018

Numa semana que prometia ser dominada pela cassação de Eduardo Cunha, a denúncia formulada pelo Ministério Público contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva roubou as atenções.

Foi saudada pela metade do Brasil que deseja a sua prisão e criticada pela outra metade que ou enxerga abusos na operação Lava Jato ou deseja vê-lo de volta à presidência da República, nessa destrutiva guerra de torcidas em que se transformou a política brasileira.

Embora a forma de divulgação da denúncia, exagerada na visão de juristas e da própria OAB, tenha sido o aspecto mais discutido ao longo da semana, o ponto mais importante foi o fato de o MP não ter pedido a prisão de Lula, nem de seus familiares. É uma escolha que demonstra certa prudência. Afinal, qual seria o sentido de prender, em primeira instância, um senhor de 70 anos, que está no “topo da cadeia alimentar”, não tendo ninguém a delatar, e que, como todo cidadão, tem direito à presunção de inocência?

Ao que tudo indica, o que se busca é uma rápida condenação
que  possa torná-lo ficha-suja e  retirá-lo do páreo em 2018

Mais do que isso, a eventual prisão de Lula não interessaria a ninguém do sistemão brasileiro, uma vez que 99,99% dos políticos têm telhado de vidro.  O risco seria ainda maior em se tratando de Lula, que, mesmo com todos os revezes, continua a ser o líder político mais popular e com maior capacidade de mobilização popular do País, sendo ainda o mais articulado internacionalmente. Uma vez aberto o precedente com Lula, mesmo seus adversários com aspirações presidenciais, todos eles citados em delações de empreiteiros, estariam ameaçados.

A caçada judicial, portanto, parece ter outro objetivo. Trata-se de conseguir rapidamente uma condenação em primeira instância, no Paraná, que possa ser confirmada pelo Tribunal Regional Federal de Porto Alegre. Nesse cenário, Lula se tornaria ficha-suja, ficando impedido de concorrer a cargos públicos. Assim, o jogo da sucessão presidencial em 2018 seria controlado pelas mesmas forças que conduziram o afastamento da presidente Dilma Rousseff, com uma espécie de domínio oligárquico do processo político.

Em seu pronunciamento, um dia após a denúncia, Lula percebeu a natureza do processo e disse que não adianta prendê-lo nem retirá-lo do jogo. “Virão outros Lulas”, afirmou, indicando, que, em qualquer condição, terá poder para influir diretamente no processo político. Exageros contra Lula, tanto na forma como no conteúdo, só contribuem para vitimizá-lo e torná-lo ainda mais forte – especialmente se o governo Temer, que ainda tem sua legitimidade contestada, se mostrar incapaz de retirar o Brasil de sua mais aguda crise econômica.

16/9/2016

 

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