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rosely sayão

Psicóloga e consultora em educação, fala sobre as principais dificuldades vividas pela família e pela escola no ato de educar e dialoga sobre o dia-a-dia dessa relação. Escreve às terças-feiras na FSP

Nota da redação:  estes dois artigos de Rosely Sayão confirmam o que o nosso psicanalista social tem dito sobre a "esquizofrenia social" em voga no muno de hoje. A única diferença é que ela não sua a expressão "esquizofrenia social" que ainda constrange os psicólogos.

MODELO DE PAI - Rosely Sayão 

Ser mãe na atualidade é uma tarefa árdua e muito trabalhosa! Cada vez mais. É que filhos, hoje, são vistos como um sonho de consumo –a sociedade em que vivemos provocou isso. Portanto, é preciso ter e criar filhos perfeitos, o que resulta na busca de um ideal de perfeição de mãe. Como as mulheres que têm filhos nunca chegam sequer perto desse ideal –ninguém chega–, elas sofrem com a culpa, que ganha desenhos diversos no cotidiano.

.É a culpa por ter pouco tempo para estar com o filho, por almejar uma carreira, por errar e assim por diante. A culpa ganha múltiplas faces, mas no fundo pode ter uma só cara: as imperfeições da mãe.

Ser pai nos dias atuais é ainda mais difícil, por vários motivos. Um deles, bem importante, é encontrar o seu lugar de pai na família. É que o enorme apego –quase posse absoluta– que muitas mulheres têm tido com seus rebentos tem formado uma barreira que dificulta ao pai construir o seu papel na relação com o filho. Quem não conhece mulheres que acreditam que só elas sabem o jeito certo de cuidar do filho, que não aceitam interferência alguma, nem mesmo da própria mãe?

Muitos pais não querem se submeter ao papel de "ajudar" a mulher a cuidar do filho e apenas seguir as orientações que ela dá, conforme um costume que já é bem antigo!

Temos falado das "novas famílias" com bastante frequência, não é? Sempre que o tema é família, seja em reportagens, seja em conversas a respeito da educação de crianças e de jovens, as novas configurações familiares são tema central das discussões. Ocorre que, quase sempre que nos referimos aos novos arranjos dos grupos familiares que temos na atualidade, consideramos os novos desenhos: em lugar da antes hegemônica estrutura pai-mãe-filhos, hoje temos uma grande diversidade de grupos que compõem as famílias e que são produzidos principalmente pelos rompimentos de casamentos e pelos recasamentos.

Mas não é a apenas a estrutura familiar que se diversificou: o modo como os integrantes da família se relacionam entre si, e a maneira como as funções da mãe e do pai têm sido inovadas também produzem novas famílias, mesmo que elas sigam o modelo clássico pai-mãe-filhos.

Li, na semana passada, um artigo em uma revista dedicada ao mundo dos negócios que trouxe uma notícia bem interessante: o diretor executivo de uma empresa importante no mercado decidiu abandonar seu cargo para se aproximar mais de sua família –principalmente dos filhos– e tornar-se um pai melhor. Com filhos de nove, 12 e 14 anos, esse homem escolheu priorizar seu papel de pai. Claro que ele não abriu mão de seu trabalho: abdicou apenas do cargo que ocupava, que exigia demais dele. Ele continua a "trabalhar em tempo integral, mas não mais em tempo integral louco", segundo suas próprias palavras.

No ano passado, fui convidada a dar uma palestra em um grande evento dedicado à área de gestão de negócios, para conversar sobre a busca de equilíbrio entre a vida profissional e a familiar. Duvidei que tivesse plateia interessada, mas qual não foi meu espanto ao chegar e ver o local lotado, majoritariamente por homens. Foi a primeira vez que falei a um grupo masculino em quase sua totalidade, porque a educação dos filhos ainda tem sido tarefa mais feminina, não é?

Esses dados me fazem pensar que alguns homens que são pais têm se comprometido de modo diferente com os filhos. Talvez esse ainda seja um movimento tímido, mas certamente indica uma mudança que deve ser considerada principalmente pelas empresas, que têm exigido de altos funcionários a dedicação de "um tempo integral louco", e esquecido que esses homens têm famílias e filhos e que gostariam de se dedicar mais a eles.

E o que vem a ser esse "tempo integral louco"? Ah! Quem trabalha em grandes empresas e corporações sabe muito bem disso. Além do horário dedicado ao trabalho na empresa, há o correio eletrônico com mensagens que exigem respostas imediatas, há o aparelho celular com chamadas e mensagens de texto e ainda há grupos da empresa que se falam dia e noite por meio de aplicativos de mensagens instantâneas. Loucura mesmo!

Caso as empresas não aceitem o fato de que precisam aliviar a carga de trabalho dos homens, elas correm o risco de perder importantes talentos de seu quadro, que foi o que ocorreu com o diretor executivo citado anteriormente.

Muitos homens têm feito o que não víamos há algum tempo: eles têm sacrificado um pouco suas vidas em nome dos filhos. E não me refiro ao sacrifício de trabalhar mais para dar mais potencial de consumo às crianças, e sim para dar prioridade a elas. 

Eles querem fazer do jeito deles, que é bem diferente do jeito da mãe. E é muito bom para o filho, por sinal, ter dois estilos íntimos de cuidado, de amor, de relacionamento.

Muitas mulheres, porém, construíram um vínculo tão estreito com o filho que nele não cabe mais um, no caso, o pai. E a função do pai na vida do filho é crucial!

É o pai que vai romper esse relacionamento do filho com a mãe para jogá-lo no mundo, na realidade, no convívio social. Vamos convir: a vida não é uma mãe para ninguém, tampouco será para a criança, mesmo pequena. Dar diariamente banho de realidade no filho: essa é uma importante função do pai, que só irá acontecer se a mãe permitir.

Outro motivo que torna o exercício da paternidade difícil na atualidade é a falta de tradição: em nossa sociedade, o lugar privilegiado do pai era o de provedor material da família e dos filhos. É bem novo o fato de os pais desejarem se envolver emocionalmente com seus filhos, não é verdade?

Falta um modelo de pai aos homens que querem, verdadeiramente, acompanhar de perto o desenvolvimento de seus filhos, trocar afetos com eles e priorizá-los em sua vida. Estamos, em nossa sociedade, a construir isso.

Para finalizar nossa conversa de hoje, vale lembrar que o trabalho atrapalha bastante o relacionamento dos homens com os filhos. As empresas têm exigido demais de seus trabalhadores, independentemente do trabalho e da função que exercem.

Já comentei aqui do "tempo integral louco" que muitos trabalhadores têm cumprido: além do horário efetivo de trabalho, as conversas intermináveis por mensagens instantâneas e celular. Alguns homens falam com orgulho de sua dedicação máxima ao trabalho, mas isso tem um preço: a ausência na relação com os filhos. Aos pais que conseguem superar todos esses e outros obstáculos em nome dos filhos, minha maior admiração! 

11/08/2015 -  FSP

TEMPO INTEGRAL LOUCO - Rosely Sayão

Temos falado das "novas famílias" com bastante frequência, não é? Sempre que o tema é família, seja em reportagens, seja em conversas a respeito da educação de crianças e de jovens, as novas configurações familiares são tema central das discussões. Ocorre que, quase sempre que nos referimos aos novos arranjos dos grupos familiares que temos na atualidade, consideramos os novos desenhos: em lugar da antes hegemônica estrutura pai-mãe-filhos, hoje temos uma grande diversidade de grupos que compõem as famílias e que são produzidos principalmente pelos rompimentos de casamentos e pelos recasamentos.

Mas não é a apenas a estrutura familiar que se diversificou: o modo como os integrantes da família se relacionam entre si, e a maneira como as funções da mãe e do pai têm sido inovadas também produzem novas famílias, mesmo que elas sigam o modelo clássico pai-mãe-filhos.

Li, na semana passada, um artigo em uma revista dedicada ao mundo dos negócios que trouxe uma notícia bem interessante: o diretor executivo de uma empresa importante no mercado decidiu abandonar seu cargo para se aproximar mais de sua família –principalmente dos filhos– e tornar-se um pai melhor. Com filhos de nove, 12 e 14 anos, esse homem escolheu priorizar seu papel de pai. Claro que ele não abriu mão de seu trabalho: abdicou apenas do cargo que ocupava, que exigia demais dele. Ele continua a "trabalhar em tempo integral, mas não mais em tempo integral louco", segundo suas próprias palavras.

No ano passado, fui convidada a dar uma palestra em um grande evento dedicado à área de gestão de negócios, para conversar sobre a busca de equilíbrio entre a vida profissional e a familiar. Duvidei que tivesse plateia interessada, mas qual não foi meu espanto ao chegar e ver o local lotado, majoritariamente por homens. Foi a primeira vez que falei a um grupo masculino em quase sua totalidade, porque a educação dos filhos ainda tem sido tarefa mais feminina, não é?

Esses dados me fazem pensar que alguns homens que são pais têm se comprometido de modo diferente com os filhos. Talvez esse ainda seja um movimento tímido, mas certamente indica uma mudança que deve ser considerada principalmente pelas empresas, que têm exigido de altos funcionários a dedicação de "um tempo integral louco", e esquecido que esses homens têm famílias e filhos e que gostariam de se dedicar mais a eles.

E o que vem a ser esse "tempo integral louco"? Ah! Quem trabalha em grandes empresas e corporações sabe muito bem disso. Além do horário dedicado ao trabalho na empresa, há o correio eletrônico com mensagens que exigem respostas imediatas, há o aparelho celular com chamadas e mensagens de texto e ainda há grupos da empresa que se falam dia e noite por meio de aplicativos de mensagens instantâneas. Loucura mesmo!

Caso as empresas não aceitem o fato de que precisam aliviar a carga de trabalho dos homens, elas correm o risco de perder importantes talentos de seu quadro, que foi o que ocorreu com o diretor executivo citado anteriormente.

Muitos homens têm feito o que não víamos há algum tempo: eles têm sacrificado um pouco suas vidas em nome dos filhos. E não me refiro ao sacrifício de trabalhar mais para dar mais potencial de consumo às crianças, e sim para dar prioridade a elas. 

12/08/2014 - FSP

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