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No Brasil, um Assessor de 3º nível de um Deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou mero estafeta de correspondências, ganha mais que um Cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo e a sua vida, buscando curas e vacinas para salvar vidas.

Embrião do grupo frustra-se com guinada ortodoxa na economia e não se dispõe a defendê-la de impeachment. Em apuros, presidenta buscará conselhos de Lula

Pouco antes de chegar ao cargo, o ministro da Educação, Cid Gomes, lançou a ideia de criar-se uma frente de esquerda no País. A intenção era manter vivo o movimento suprapartidário surgido em torno da reeleição de Dilma Rousseff, a juntar sindicalistas, camponeses, intelectuais, militantes gays, congressistas. Sua missão seria ajudar o governo a lidar com um Congresso conservador e uma oposição beligerante. Nem bem Dilma iniciou o novo mandato e o entusiasmo sumiu naquilo que se poderia chamar de “embrião da frente”. E mais: não há disposição para ir às ruas defender o governo mesmo que a oposição lance a campanha do impeachment, uma ideia já namorada.

O embrião do grupo reúne sindicalistas das centrais CUT e CTB, sem-terra, petroleiros, dirigentes do Movimento Passe Livre e do coletivo Fora do Eixo, parlamentares do PT e do PSOL. Em um encontro no fim de janeiro, em São Paulo, traçou-se um diagnóstico bastante pessimista sobre os rumos do governo.

Segundo um dos participantes, existe um incômodo geral com a guinada ortodoxa de Dilma na economia, simbolizada no pacote de restrição de seguro-desemprego e abono salarial e na escolha do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, um egresso do sistema financeiro que cairia perfeitamente bem em uma administração de Aécio Neves, o adversário de outubro passado.

Embora o espírito geral do pacote fosse conhecido dos sindicalistas desde a gestão Guido Mantega na Fazenda, o lançamento das medidas foi considerado desastroso – avaliação compartilhada por ao menos um dos ministros do Palácio do Planalto. Não houve negociação prévia com as centrais, e agora seus líderes estão numa sinuca. Se aceitarem o que foi imposto pelo governo, correm o risco de desmoralização perante as bases. Sobretudo porque a Força Sindical, sob forte influência do deputado federal oposicionista Paulinho da Força, está firme na resistência.

Na reunião em São Paulo, conta o mesmo participante, uma das vozes mais “incendiárias” contra a inflexão conservadora na economia era de um representante da direção do PT. O desconforto no partido com a situação é latente, apesar de o ex-presidente Lula andar dizendo que a sucessora tomou medidas necessárias. Em meados de janeiro, a fundação ligada ao PT Perseu Abramo, que promove estudos, divulgou um boletim interno com críticas às medidas de austeridade. O risco de “aprofundarem as tendências recessivas da economia nacional não é desprezível”, dizia o texto.

O mau humor no embrião da frente de esquerda é preocupante para o governo, por revelar-se em um momento de fragilidade política de Dilma. A presidenta tem hoje um inimigo no comando da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, baixa popularidade, conforme recente pesquisa Datafolha, e poucos aliados fiéis até no PT. Se a oposição decidir desfraldar a bandeira doimpeachment, ideia que começa a ser defendida por lideranças do PSDB, é improvável que haja militância disposta a ir às ruas. Ao contrário do havido com Lula nos tempos do “mensalão”.

O momento parece tão delicado, que o embrião da frente de esquerda resolveu fazer reuniões a cada dois meses para examinar a evolução do quadro político. O governo está a par da situação. Recebe informes a respeito. Principal interlocutor do Planalto perante os movimentos sociais, o secretário-geral da Presidência, Miguel Rossetto, acredita que o governo ainda conta com respaldo destes grupos. “Podemos ter diferenças pontuais, mas fazemos parte de um mesmo projeto”, diz.

De qualquer forma, o cenário é realmente preocupante para Dilma, sobretudo após a divulgação do levantamento Datafolha a mostrar o governo com uma reprovação recorde (44%) e uma presidenta com imagem de indecisa, falsa e desonesta. Uma incrível reversão de números bem mais favoráveis a Dilma há apenas três meses, quando ela disputava a reeleição.

Na campanha, a presidenta usava e abusava de propaganda na tevê, entrevistas e discursos, armas em falta nos últimos tempos. Mas não é a única explicação para seu ibope ter despencado. “Dilma tinha melhores conselheiros na eleição”, afirma o cientista político Fabiano Santos, coordenador do Núcleo de Estudos sobre o Congresso da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Um destes conselheiros é o ex-presidente Lula. Dilma anda afastada dele. Ouviu o antecessor algumas vezes em novembro, quando quebrava a cabeça para escolher seu ministro da Fazenda, e só. Em apuros, resolveu procurá-lo. Iria a São Paulo na quinta-feira 12, para encontrá-lo.

Obs. Este artigo foi originalmente publicado na Carta Capital 

http://www.cartacapital.com.br/politica/o-mau-humor-da-frente-de-esquerda-com-dilma-7500.html

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