IMLB - Instituto Mãos Limpas Brasil

Missão: Ser a Entidade mais ética da História do Brasil

Diretor de Redação

Mtnos Calil

Login

NO BRASIL, um motorista do Senado, ganha mais para dirigir um automóvel, do que um Oficial da Marinha, para comandar uma fragata!

Banco Central

A autonomia operacional do BC é um instrumento útil para obrigar a adoção de políticas coerentes com a meta de inflação fixada

As acaloradas discussões entre duas das inúmeras tribos que se abrigam na nação dos economistas, os “marxianos” e os “keynesianos”, mostram que alguns deles são escravos do pensamento congelado de dois filósofos-economistas defuntos: Karl Marx e J. M. Keynes. Foram gênios. Estiveram à frente do seu tempo. Cultivaram contradições. Aumentaram a nossa compreensão do mundo e dissecaram a estrutura da nossa organização social. Obrigaram-nos a enfrentar a cruel realidade escondida na ingênua e generosa concepção de que existiria uma harmonia social providenciada pela natureza.

A partir de suas ideias, menos distantes do que parecem no seu objetivo final – a construção de uma sociedade civilizada –, avançou dramaticamente o conhecimento empírico e teórico que algum de seus epígonos, “escravos do pensamento congelado”, insiste em ignorar.

Devemos reverenciá-los porque foi “subindo nos seus ombros” que enxergamos mais longe. Mas “marxianos” e “keynesianos” congelados discutirem a “utilidade” de um banco central operacionalmente autônomo na segunda década do século XXI é de um anacronismo decepcionante. Um banco central operacionalmente autônomo não é nem condição necessária nem suficiente para a estabilização dos preços. Não é necessária porque pode ser feita sem ele. Não é suficiente porque não pode ser feita apenas por ele. Trata-se, basicamente, de um “instrumento útil” para obrigar o poder incumbente (que fixa a “meta de inflação”) a adotar políticas (fiscal, salarial etc.) coerentes com ela, sob pena de ver murchar o Produto Interno Bruto.

No Brasil, os membros do Banco Central são escolhidos livremente pelo poder incumbente eleito e submetidos ao escrutínio do Senado, que, infelizmente, não leva a sério a sua missão. Mandatos fixos (com as limitações de sempre) não são necessários, mas, de novo, são úteis. Mandatos calibrados convenientemente darão a necessária e imediata maioria aos membros escolhidos pelo novo governo.

Mas por que um banco central autônomo (com mandatos fixos calibrados), quando adquire credibilidade, é um instrumento útil no controle da taxa de inflação? Porque, outra vez, uma avalanche de segura comprovação empírica nos últimos 30 anos sugere: 1. Que a “expectativa de inflação” formada na sociedade é fator importante na determinação da taxa de inflação posteriormente verificada. 2.Que um banco central com credibilidade é fator determinante na construção daquela “expectativa”.

Se um dia a economia vier a ser uma ciência, ela há de ser um conhecimento empírico estável que facilite a vida do governo na manipulação coerente das variáveis sobre as quais ele influi, o que nega o “voluntarismo” tópico.

Mesmo com o risco de simplificar exageradamente o problema, é impossível deixar de aceitar o robusto fato empírico (sustentado por razoável desenvolvimento teórico), que a taxa de inflação num determinado momento é, aproximadamente, “explicada” pela equação linear explicitada no apêndice.

As estimativas da taxa de inflação mostram a necessidade de coerência entre as políticas monetária (que tenta estabilizar a taxa de inflação com o menor nível de desemprego possível, manipulando a taxa de juro real de longo prazo), a fiscal (que induz a demanda pública e estabelece a política distributiva) e a salarial (que responde pela variação do custo unitário do trabalho e é coadjuvante da política redistributiva).

Como é evidente, se as variações do custo unitário do trabalho em moeda nacional não corresponderem a um aumento da produtividade (que tem limite) ou uma depreciação cambial, as exportações (e o PIB) se deteriorarão. No médio prazo, portanto, há muito pouco espaço para o “voluntarismo experimental” sugerido quando se teme a autonomia do banco central com mandatos fixos adequadamente calibrados.

09/10/2014 

Leia também

Por um Banco Central republicano

O Brasil não vive recessão, mas uma estagnação

\O Banco Central independente e os 20 centavos\

A independência do BC

Pin It

Logo TAYSAM Web Design 147x29

Selo Google1