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OPERAÇÃO CARNE FRACA

 

PF deflagra ação em grandes frigoríficos

Operação contra frigoríficos prende 38 e descobre até carne podre à venda

Esquema em frigoríficos repassava dinheiro a PMDB e PP, diz Polícia Federal

Carne da BRF com salmonela foi barrada na Europa, segundo a investigação

Ministro da Justiça aparece em grampo de operação contra frigoríficos

Até merenda escolar teve carne adulterada

 

Além de carne bovina, governo diz que operação da PF identificou irregularidades em produtos como mortadela, salsicha, carne de aves e ração de animais de estimação

 

 

O Ministério da Agricultura afirmou que, além de carne bovina, a operação "Carne Fraca" da Polícia Federal identificou irregularidades em outros produtos, como mortadela, salsicha, carne de aves e ração de animais de estimação.

 

O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, afirmou nesta sexta-feira (17) que interditou três unidades de empresas investigadas.

 

No caso da BRF, foi interditado um frigoríficos de carne de aves em Mineiros (GO). Já a Peccin Agroindustrial teve duas unidades de embutidos (salsicha e mortadela) interditadas pela pasta, uma em Jaraguá do Sul (SC) e outra em Curitiba (PR).

 

Segundo Novacki, a pasta afastou 33 servidores envolvidos na operação –destes, quatro servidores exerciam cargos de confiança e foram exonerados.

 

 

"As primeiras denúncias aconteceram há quase sete anos, e as investigações começaram há dois anos", disse o secretário. "Desde que chegamos, o ministro determinou que a série de procedimentos fossem estudados e verificados, entre eles o procedimentos de inspeção. Situações como essa causam um dano à imagem".

 

Os servidores afastados serão submetidos à instauração de um procedimento administrativo dentro da pasta. "Novas operações poderão vir no futuro. Tudo o que estamos detectando, estamos tomando providências e encaminhando para a PF e para o Ministério Público Federal".

 

O secretário afirmou que são poucos servidores para o universo total. "São 33 servidores em um universo de 11 mil servidores, 2,3 mil diretamente na área de inspeção", disse. "Não representam de modo algum a postura do Ministério da Agricultura".

 

Disse ainda que a pasta está realizando mudanças para deixar a fiscalização mais rigorosa. "Atualizamos e entregamos à Casa Civil um novo regulamento de inspeção de produtos de origem animal. Fizemos uma atualização e trouxemos o capítulo que estabelece procedimentos e penalidades".

 

Segundo a pasta, há 21 SIFs [Serviço de Inspeção Federal] do Ministério da Agricultura que estão sendo investigados. "Mas há quase 5.000 estabelecimentos no país. Isso demonstra que não é um fato cotidiano, são fatos isolados", defendeu.

 

Questionado sobre a avaliação da PF de que a corrupção abastecia o caixa do PP (Partido Progressista), mesmo partido do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, ele afirmou que "na nossa gestão, isso não existiu".

 

RASTREAMENTO

 

Apesar de admitir que é possível rastrear, na embalagem dos produtos, de qual frigorífico ele se originou, o secretário não informou os códigos, afirmando que esses estão sendo levantados e serão informados na próxima segunda-feira (20). Ele aconselhou a população a verificar o estado da carne, e informar à pasta se detectar alguma irregularidade.

 

Uma força-tarefa foi enviada aos frigoríficos sob suspeita e vai investigar sua situação dentro em um prazo de 15 dias. "Todos os laudos com irregularidades serão mandados para cá", disse. "Nosso recado para a população é: fiquem absolutamente tranquilos. Nosso sistema é um dos mais respeitados do mundo".

 

De acordo com o secretário, o consumidor pode ligar para o Ministério da Agricultura no 0800 704 1995 se detectar alguma irregularidade. "Eu vou comprar churrasco nesse fim de semana", disse. "Vou ver se não tem problema. Quando você pega a carne e esta apresenta um aspecto que não está de acordo, avise o Ministério", disse.

 

EXPORTAÇÕES

 

Ele admitiu que "existe um receio" que a investigação prejudique as exportações de carne brasileira. "Quando uma notícia dessas vem a público, se aproveita a oportunidade para colocar em xeque a questão comercial", disse.

 

"Temos deixado claro para eles que o sistema é robusto e transparente". Segundo ele, o ministro da Agricultura se reunirá na próxima segunda com embaixadores de países que estão preocupados com as irregularidades.

 

A pasta organizou uma coletiva de imprensa nesta sexta para se posicionar sobre a Operação "Carne Fraca", que pretende desarticular uma suposta organização criminosa liderada por fiscais do Ministério da Agricultura, que, com o pagamento de propina, facilitavam a produção de produtos adulterados, emitindo certificados sanitários sem fiscalização.

 

A investigação revelou até mesmo o uso de carnes podres, maquiadas com ácido ascórbico, por alguns frigoríficos, e a re-embalagem de produtos vencidos.

 

Segundo a investigação, os frigoríficos exerciam influência direta no Ministério da Agricultura para escolher os servidores que iriam efetuar as fiscalizações na empresa, por meio do pagamento de vantagens indevidas.

 

Os fiscais recebiam os valores, muitas vezes, dentro de isopores, por transferências bancárias em nome de terceiros ou até como picanhas e outras carnes nobres.

 

Alguns dos principais frigoríficos do país estão na mira da operação, como BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, e JBS, dona das marcas Seara e Big Frango. No total, cerca de 30 empresas estão na mira da operação, incluindo fornecedoras dos grandes frigoríficos.

 

OUTRO LADO

 

As empresas investigadas negam irregularidades e asseguram a qualidade dos produtos.

 

A JBS, por meio de sua assessoria, afirma em nota que a empresa "e suas subsidiárias atuam em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e a comercialização de alimentos no país e no exterior e apoia as ações que visam punir o descumprimento de tais normas".

 

A BRF diz, por meio de comunicado, que está colaborando com as autoridades. Ela afirma não compactuar com práticas ilícitas e que seus produtos e a comercialização deles seguem "rigorosos processos e controles".

 

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que todos os produtos exportados pelo país são fiscalizados por técnicos nacionais e estrangeiros. "O Brasil é reconhecido internacionalmente pela qualidade e status sanitário de seus produtos, que são auditados não apenas pelos órgãos brasileiros como também por técnicos sanitários dos mais de 160 países para os quais exporta", diz em nota.

 

A entidade ainda afirma que eventuais falhas são exceções. "São questões pontuais, que não refletem todo o trabalho desenvolvido pelas empresas brasileiras durante décadas de pesquisas e investimentos, para ofertar produtos de alta qualidade."

 

 

 

 

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