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CURITIBA/PARANA 17-02-2017 NACIONAL EXCLUSIVO EMBARGADO CARLOS FERNANDO DOS SANTOS LIMA LAVA JATO Carlos Fernando dos Santos Lima, Procurador Regional da República durante entrevista no QG da Lava Jato, na manhã desta quinta-feira, 16, em Curitiba/PR. FOTO RODOLFO BUHRER / ESTADAO

O procurador Carlos Fernando, no QG da Lava Jato, em Curitiba. Foto: Rodolgo Buhrer/ESTADÃO

 

Procuradores temem que discurso de que operação atrapalha a economia dê forças a políticos que querem frear as investigações

 

 O discurso de que a Operação Lava Jato atravanca a retomada da economia no País, conjugado com a virtual queda de interesse das pessoas sobre o tema do enfrentamento à corrupção e a articulação crescente de políticos emparedados pelo escândalo para aprovar leis de salvaguarda aos investigados, colocaram os procuradores da força-tarefa, em Curitiba, na defensiva.

 

“Estão tentando um esvaziamento lento e gradual da operação, mas a Lava Jato tem força própria.”

 

A opinião do mais antigo dos procuradores da força-tarefa, que investiga a corrupção na Petrobrás, Carlos Fernando dos Santos Lima, é fruto de tensão ímpar que tomou o QG da Lava Jato, no sétimo e oitavo andares do Edifício Patriarca, região central de Curitiba, nesse início de 2017.

 

Às vésperas de completar 3 anos de investigação, a força-tarefa da Lava Jato está entrincheirada, à espreita do mais pesado bombardeio a enfrentar – fruto da reação de políticos com o avanço dos processos, no Supremo Tribunal Federal (STF), e do “tsunami” que representará a delação premiada da Odebrecht.

 

Dos três fatores que representam um risco para a Lava Jato, na avaliação de integrantes da força-tarefa, a narrativa propalada para a opinião pública, de abusos jurídicos e de que a operação é a responsável pela crise econômica do Brasil, é o que mais preocupa.

 

“O sistema político disfuncional atrapalha a economia, não a Operação Lava Jato.”

 

Aos 52 anos e prestes a se aposentar, o tom efusivo e as bochechas avermelhadas são os sinais mais aparentes da preocupação que aflige a equipe diante desse “inimigo oculto”.

 

Formada por 13 procuradores da República, que atuam exclusivamente no caso, a avaliação comum entre membros da força-tarefa é que a “corrupção enfraquece o potencial competitivo da indústria nacional” e, por isso, precisa ser atacado – mesmo que gere um período de efeitos negativos na economia.

 

“Precisamos resolver isso. É possível manter um bom desempenho econômico por um, dois, cinco anos por conta de commodities, boom no exterior, entrada de dólares. Mas basta uma queda, e o sistema político disfuncional vai se revelar e desestabilizar a situação.”

 

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Fausto Macedo, Julia Affonso e Mateus Coutinho

05 Março 2017 

 

 

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