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Canadá em Winnipeg Museu para os Direitos Humanos - Canadian Museum for Human Rights - Foto Nathalia Molina

Em relação à onda direitista que toma conta do mundo, o Canadá se apresenta como um pensamento dissonante. Talvez por isso, como foi amplamente noticiado, o site de imigração do país tenha caído depois da divulgação do resultado das eleições dos Estados Unidos. Teria sido causado pelo grande número de pessoas tentando uma saída após a vitória de Donald Trump à presidência americana.

Suposições à parte, de fato o Canadá, com seu primeiro-ministro liberal, Justin Trudeau, vem se mostrando um país fora da curva do conservadorismo mundial. Esse sentimento me vem desde a primeira vez em que estive lá, em 2010.

Durante o trajeto do trem The Canadian, com o qual cruzei o território canadense de Toronto (leste) a Vancouver (oeste), uma das paradas me deu certo tempo para explorar a área perto da estação de Winnipeg. Na ocasião, parei para fotografar uma estátua de Mahatma Gandhi e vi, no fundo do plano, um guindaste. Estava sendo construído ali um museu para os direitos humanos, o Canadian Museum for Human Rights (CMHR).

 

 

 

Nathalia Molina em Winnipeg no Canadá

Eu fotografando Gandhi – Foto que me mandou depois minha amiga canadense Marie-Julie Gagnon

 

 

 

A estátua foi um presente do governo da Índia à associação de amigos do então futuro museu. Quatro anos depois, voltei à cidade na província de Manitoba e tive a oportunidade de conhecer o CMHR num evento para a imprensa, antes de sua inauguração para o público.

Naquela noite festiva de 2014, tivemos uma palhinha da proposta do museu, mas não havia ainda nenhuma exposição montada. Deu para apreciar bem as linhas do projeto do americano Antoine Predoc, que se destaca com facilidade na paisagem de Winnipeg. O arquiteto misturou pedra, aço, vidro e concreto para dar forma à construção sustentável, que custou em torno de 350 milhões de dólares canadenses.

 

 

 

Museu para os Direitos Humanos no Canadá - Canadian Museum for Human Rights em Winnipeg - Exposição - Foto Nathalia Molina

Winnipeg Museu para os Direitos Humanos no Canadá - Canadian Museum for Human Rights - Foto Nathalia Molina

Fotos: Nathalia Molina

 

 

Como são as exposições

A instituição, única no mundo totalmente de dedicada ao tema, pretende fomentar a evolução, a celebração e o futuro dos direitos humanos, de acordo com a descrição no site do próprio CMHR. Com montagens que levantam diferentes perspectivas, tanto com o uso de objetos quanto de recursos multimídia, a instituição propõe interatividade com o público. Se você está se perguntando — como eu fiquei — como seriam e do que tratariam as exposições do Canadian Museum for Human Rights, o que está em cartaz atualmente dá uma boa amostra.

Empowering Women (Empoderando Mulheres), por exemplo, mostra a importância de cooperativas de artesãs para transformar as comunidades onde elas vivem. Uma experiência de realidade virtual leva os visitantes até a Guatemala. A exibição vai até 8 de janeiro de 2017.

 

 

 

Até julho do próximo ano, é possível ver Freedom of Expression in Latin America (Liberdade de Expressão na América Latina). Peças de arte e depoimentos são usados para contar a história de pessoas que fizeram da arte um instrumento para trazer à tona a verdade e levar as pessoas à ação.

Para o aniversário de 150 anos do Canadá em 2017, o museu prepara Points of View (Pontos de Vista). Para tentar participar dessa exibição, é preciso inscrever suas fotografias sobre quatro temas: direitos humanos e meio ambiente; inclusão e diversidade; reconciliação; e liberdade de expressão.

Afinal, a participação do público é fundamental para o papel do CMRH ser efetivo, como está descrito no site da instituição. “Criando encontros inspiradores com os direitos humanos, iremos engajar canadenses e visitantes internacionais numa experiência imersiva e interativa que ofereça tanto a inspiração quanto as ferramentas para fazer a diferença na vida dos outros”, informa o texto.

 

 

 

Em 2010, aquela ideia de construir um museu para os direitos humanos me intrigou. Que tipo de país teria uma instituição dessas? A resposta foi aparecendo para mim naquela viagem e nas seguintes: o Canadá. O respeito às minorias por lá não soa como balela. Obviamente, não vai aqui nenhuma defesa a uma pretensa perfeição canadense. Todo lugar tem problemas. Mas vai sim uma exaltação à diferença crucial que esse modo de ver a vida pode fazer para o mundo. E vai também minha torcida para que os direitos humanos não acabem virando peça de museu.

Arquitetura do Museu para os Direitos Humanos no Canadá - Canadian Museum for Human Rights em Winnipeg - Foto Nathalia Molina


Por Nathalia Molina , jornalista de viagem. Também escreve o Como Viaja, com dicas e experiências no Brasil e no exterior. Acompanhe pelo instagram @ComoViaja e pelo facebook ComoViaja

11 Novembro 2016 

 

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