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"Antigamente os cartazes nas ruas com rostos de criminosos oferecia recompensas, hoje em dia pede votos...
E o pior é que o BRASILEIRO dá...

Leonardo Benassatto/Futura Press

Com famílias enlaçadas, Marta e Andrea deixam divergências e se juntam nas eleições deste ano. Na primeira cena, o ex-senador Eduardo Matarazzo Suplicy (PT) é carregado por um grupo de policiais após protestar contra uma reintegração de posse na zona oeste de São Paulo. Corta.

Na sequência, o vereador Andrea Matarazzo (PSD), primo de Eduardo, fecha um acordo político improvável com um de seus desafetos íntimos, a senadora Marta Suplicy (PMDB), ex-mulher de seu primo. Corta.

Estamos em 1881. Uma barcaça aproxima-se da Baía de Guanabara, no Rio. Uma manobra descuidada faz com que 2 toneladas de banha de porco se esparramem no mar. Close em Francesco Matarazzo. Ele parece preocupado.

Mas Matarazzo insistiu na banha de porco. A ideia de vendê-la em lata fez com que o italiano tivesse o primeiro sucesso da carreira – que de tão extensa precisa ser mostrada em flashes rápidos: um armazém de secos e molhados que se transforma em uma fábrica; uma fábrica que se multiplica em centenas de outras, milhares de empregados entrando e saindo e um letreiro onde se lê Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo (IRFM). Corta.

Outra imagem do mar. Estamos no Porto de Santos. Em off, a voz do ex-senador Suplicy: “Se a parceria de Marta e Andrea pode dar certo? Difícil. Uma vez a coligação Suplicy-Matarazzo se deu maravilhosamente bem”.

Foto: Arquivo Pessoal
Marta e Suplicy se casaram em São Paulo, em 1964

Na cena, Paulo Cochrane Suplicy, um importante corretor de café, caminha pelo porto. O rapaz presencia o desembarque de uma moça, apaixona-se à moda dos contos de fada, mas é desencorajado por amigos que dizem: “Esquece, é a neta do conde. Vai se casar com um príncipe”. Pois bem, antes que uma Matarazzo se unisse com um Suplicy, muita coisa aconteceu. Filomena casou, engravidou e enviuvou...

Corte rápido para um gabinete da Câmara Municipal. O rosto de um vereador, próximo de Marta e Andrea, não é focalizado. “Ele chegou a dizer para mim que jamais aceitaria. Disse que não tinha como explicar essa aliança para o seu eleitorado. Declarou que era mais fácil uma vaca voar. Acho que tem um dedo do José Serra. Ele é muito próximo do Andrea e está de olho em 2018. Ou a Marta ganha e Andrea vira um vice relevante ou a carreira política dele está em apuros...”

Vamos conhecer uma outra família tradicional. A câmera foca na jovem Marta Teresa Smith de Vasconcellos, filha do industrial Luiz Affonso Smith de Vasconcelos, dono de indústrias de papel. A garota levanta a mão e responde, em francês, a pergunta de uma das professoras do Colégio Sion.

Corte para uma cena de uma festa ao redor da piscina. Ao tentar chamar atenção do jovem Eduardo, Marta o joga na água. Breve passagem de tempo. Bastou um telefonema no dia seguinte para que o namoro engatasse. Marta Teresa transforma-se em Marta Suplicy. Cenas de casamento, nascimento de filhos, fundação do PT, TV Mulher, carreira política, e separação.

De novo na Câmara Municipal, sem mostrar o rosto, um homem conta. “Na época da separação, Andrea chegou a insinuar que a Marta não deveria usar o sobrenome do ex.”

Na cena seguinte, temos o sobrinho-neto de Ciccillo Matarazzo (que, por sua vez, era sobrinho de Francesco Matarazzo), Andrea Matarazzo, graduando-se em Administração de Empresa. Passagem de tempo. No início dos anos 1990, ele trabalha como secretário de Mário Covas. Outra passagem de tempo. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, ele vira embaixador do Brasil em Roma. Em 2005, é subprefeito da Sé na gestão do amigo Serra.

A tela é dividida em duas outra vez. Na metade vermelha, Marta, prefeita e petista. Na metade azul-amarelo, Andrea é da gestão Kassab; nas secretárias de Subprefeitura e Cultura; querendo ser candidato em 2012 e tornando-se vereador.

As diferenças entre o Matarazzo e a Suplicy explodem na rede. Não era raro Andrea usá-la para criticar a então petista. “Quem lembra da cidade esburacada e falida que a Marta deixou, vota #PTnuncamais”; “Quem gosta de Daslu é a Marta.”

Se publicamente a relação era ruim, no seio familiar parecia ser morna. “Depois da morte dos nossos avós, quase não estivemos juntos em almoços ou jantares. Ele não é um primo-irmão. Sempre foi um primo de segundo grau, distante”, disse Suplicy.

A tela se divide novamente. De um lado, Marta deixa o PT e se filia ao PMDB; no outro; Andrea sai do PSDB depois de perder uma disputa interna para João Doria. Marta é a candidata à Prefeitura pelo PMDB; Andrea é o candidato do PSD. Até que...

Corta hoje para Andrea: “Não sou tucano. E Marta não é do PT.” Em outra cena, vemos uma amiga de Andrea e de Marta comemorando a decisão. “Eles têm tradição. Não precisam de política para enriquecer. Já são pessoas ricas”, fala a artista plástica Maria Bonomi, neta de Giuseppe Martinelli, construtor do Edifício Martinelli. “Eles deixaram as vaidades de lado.”

Por fim, voltamos à cena do ex-senador Suplicy sendo levado pela polícia. Nestas eleições, ele será candidato a vereador pelo PT. O filme Matarazzo-Suplicy continua.

Gilberto Amendola -  30/07/2016

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