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Brasil tem o maior déficit em conta corrente para o mês de outubro desde 1980

Segundo o Banco Central, déficit somou US$ 8,1 bi em outubro, o maior saldo negativo para o mês desde o início da série histórica

As contas externas do País voltaram a registrar recorde negativo em outubro. No mês passado, o déficit em conta corrente somou US$ 8,131 bilhões, o maior saldo negativo para o mês desde o início da série histórica, em 1980, segundo dados do Banco Central. O maior resultado negativo em um mês de outubro havia ocorrido em 2013, quando ficou em US$ 7,096 bilhões. 

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, acrescentou que, como os volumes antes dessa data eram menores, é possível considerar que é o maior desde 1947, quando o BC começou a levantar os dados de transações correntes. O resultado de outubro, comentou o técnico, também ficou maior do que a previsão do economista e também mais elevado do que o saldo do mesmo mês de 2013. 

O déficit de outubro é o terceiro maior do ano, perdendo para os resultados negativos vistos em janeiro (US$ 11,5 bilhões) e abril (US$ 8,3 bilhões). O resultado da conta corrente (ou transações correntes) faz parte do Balanço de Pagamentos, que representa a poupança do País. Se o BP é negativo, significa que para pagar todas as contas externas o País usou parte das reservas internacionais. Em outubro, porém, o Balanço de Pagamentos foi superavitário em US$ 267 milhões, o que significa que houve uma poupança para as reservas internacionais.O BP possui além das transações correntes, a conta capital e financeira (que teve superávit de US$ 8,198 bilhões) e a parte reservada a erros e omissões (superávit de US$ 201 milhões).

O resultado da conta corrente ficou dentro das previsões coletadas pela Agência Estado, que iam de um saldo negativo de US$ 8,6 bilhões a US$ 6,6 bilhões - a mediana apontava para um déficit de US$ 7,6 bilhões. Em setembro, houve déficit de US$ 7,907 bilhões. A previsão do BC para outubro, apresentada no final do mês passado, era de um saldo negativo de US$ 6,6 bilhões. Em igual mês do ano passado, o resultado havia ficado negativo em US$ 7,096 bilhões. 

Nos dez primeiros meses do ano, o déficit em conta corrente está em US$ 70,697 bilhões, o que representa 3,74% do Produto Interno Bruto (PIB). A projeção do BC para 2014, é de um déficit de US$ 80 bilhões e faltam apenas dados de dois meses para o encerramento do ano. Já no acumulado dos últimos 12 meses até outubro de 2014, o saldo negativo está em US$ 84,428 bilhões, o equivalente a 3,73% do PIB. 

A balança comercial, que registrou déficit de US$ 1,177 bilhão, voltou a ser a grande responsável pelo déficit maior das transações no mês passado. Maciel salientou que o preço das exportações recuou 4,2% de janeiro a outubro ante mesmo período de 2013. "O preço das exportações recuou de forma significativa levando-se em conta o mesmo quantum", comentou. O economista citou que, nesse período, houve queda de 20% do preço de minério de ferro; 5% de soja, 9% de açúcar em bruto, 8% de celulose e 23% de milho. Já o conjunto de preços importados nos primeiros dez meses do ano recuou de forma mais branda: 1,5%. 

Investimento estrangeiro. Os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) somaram US$ 4,979 bilhões em outubro, resultado que ficou abaixo dos US$ 5,439 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. O resultado do mês passado, porém, ficou acima da estimativa apresentada pelo chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, de US$ 4 bilhões.

No acumulado do ano até o mês passado, o IED soma US$ 51,194 bilhões, o equivalente a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB). Faltando apenas dois meses para o fim do ano, o número acumulado de 2014 ainda precisa somar mais US$ 11,8 bilhões para alcançar a previsão do BC, de terminar com US$ 63 bilhões. Nos últimos 12 meses até outubro, o IED está em US$ 66,003 bilhões, o que corresponde a 2,91% do PIB. 

O Banco Central informou também que o investimento estrangeiro em ações brasileiras registrou um saldo positivo de US$ 1,162 bilhão em outubro. No mesmo período do ano passado essa conta estava positiva em US$ 193 milhões. No acumulado deste ano até outubro, o saldo está em US$ 12,466 bilhões. As ações negociadas no exterior (como ADRs) registraram um saldo negativo de apenas US$ 10 milhões.

Dívida externa. O Banco Central informou que a estimativa para a dívida externa brasileira em outubro de 2014 é de US$ 343,486 bilhões. No fim de 2013, a dívida estava em US$ 308,625 bilhões. 

Projeção. Maciel projetou que o déficit das transações correntes de novembro deve ser de US$ 8 bilhões. Para outubro, ele havia previsto um saldo negativo de US$ 6,6 bilhões, mas acabou ficando em US$ 8,131 bilhões. 

ECONOMIA & NEGÓCIOS - O ESTADO DE S. PAULO

24 Novembro 2014 | 10h 32

 

porto

 Balança Comercial é apenas um dos saldos presentes na Conta Corrente

Foto: Daniel Teixeira/ Estadão

Mês após mês o Banco Central divulga ao mercado uma série de saldos de transações realizadas pelo Brasil com o resto do mundo. Todos eles são compilados em uma conta chamada Balanço de Pagamentos. O BP reúne o dinheiro que sai e entra no País em forma de serviços, vendas e compras de produtos, empréstimos, entre outras.

Se o BP é positivo em um período, significa que ingressaram mais recursos do que saíram do País. Ou seja, houve um acúmulo de reservas. Em caso de déficit, é preciso usar parte das reservas disponíveis para compensar a saída de recursos maior do que o ingresso.

Entenda melhor a estrutura do Balanço de Pagamentos:

Balanço de pagamentos

Se divide em três contas: Transações Correntes, Conta Capital e Financeira e Erros e Omissões.

1. Transações Correntes
Registra o saldo das transações comerciais, de bens e serviços, e de transferências (doações).

1.1. Balança comercial
Saldo das exportações menos as importações.

1.2. Balança de serviços e rendas

1.2.1. Balança de serviços

Contabiliza o ingresso e saída de dinheiro em serviços como seguros, viagens internacionais, royalties, licenças e frete de transporte.

1.2.2. Balança de rendas
Pagamentos de salários a empregos não residentes que prestam serviço no Brasil ou a brasileiros que prestam serviço no exterior. Compreende também a renda enviada de estrangeiros e recebida de brasileiros no resto do mundo. Lucros reinvestidos no Brasil também entram nessa conta.

1.3. Transações Unilaterais
Transferência de recursos sem envolver uma troca por serviços ou bens. São doações de recursos feitas entre países.

2. Conta Capital e Financeira
Registra as transações envolvendo a transferência de ativos e de passivos entre países, como empréstimos.

2.1. Conta capital
Transferências unilaterais de ativos fixos, não financeiros.

2.2. Conta financeira
Transações que envolvem ativos financeiros.

2.2.1. Investimentos Direto
Recursos aplicados por estrangeiros no País em negócios e empresas e, em contrapartida, realizados por brasileiros no exterior. Também envolve empréstimo entre empresas.

2.2.2. Investimento em carteira
Títulos de renda fixa e ações comprados e vendidos por estrangeiros no Brasil. Os papeis comprados e vendidos por brasileiros no exterior também entram nesta conta.

2.2.3. Derivativos
Total de operações com ativos derivativos.

2.2.4. Outros investimentos
Segundo o Banco Central, inclui os créditos comerciais, empréstimos, moeda e depósitos, outros ativos e passivos e operações de regularização. Empréstimos, de longo e curto prazos, por exemplo, estão aqui.

3. Erros e Omissões
A diferença na Balança de Pagamento que não pdoe ser identificada devido a algum erro de lançamento aparece nesta conta.

Resultado da BP e conta haveres

A soma dos itens 1, 2 e 3 (Conta Corrente, Conta Capital e Financeira e Erros e Omissões) resulta no Balanço de Pagamentos. A conta haveres registra a variação das reservas internacionais. Assim, se há déficit no BP, é registrado o mesmo número, positivo, na conta haveres. Ou seja, houve um aumento da dívida externa, naquele valor. Se há superávit no BP, é registrado o número negativo (houve diminuição da dívida naquela soma).

YOLANDA FORDELONE

22 Março 2013

Estadão

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