Instituto Mãos Limpas Brasil

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"Antigamente os cartazes nas ruas com rostos de criminosos oferecia recompensas, hoje em dia pede votos...
E o pior é que o BRASILEIRO dá...

Essa imagem não estava no artigo original publicado em http://farofafa.cartacapital.com.br/2014/10/13/ptfobia/

Este amado espaço livre FAROFAFÁ padeceu pelo fato de eu ter me embrenhado numa inédita aventura neste 2014. Devagar nós vamos voltando.

Desde fevereiro, estive trabalhando como repórter-apresentador-etc. na campanha político-eleitoral do bravo e querido Alexandre Padilha, que foi candidato petista ao governo do estado de Tucanistão. Em 2012 já havia exercido papel parecido na campanha do querido e bravo Fernando Haddad, hoje prefeito excêntrico da capital de Tucanistão – mas foi por muito menos tempo e sem a característica principal da experiência que terminou agora, de acompanhar a agenda do candidato no dia-a-dia, ao ar livre, no chão, no asfalto, na vida real.

A experiência de agora me propiciou o susto de sair de mais um dos muitos armários de que tenho saído ao longo da vida. Sempre fui petista, voto nos candidatos majoritários do Partido dos Trabalhadores desde 1989, em várias oportunidades declarei isso publicamente. Mas a situação ficava meio malparada, principalmente durante os longos dez anos, de 1995 a 2004, em que trabalhei dentro de um dos órgãos para-oficiais do PSDB, a Folha de São Paulo. Demorei para entender como era difícil trabalhar ao bel-prazer do Partido dos Patrões e fingindo não enxergar isso nem ter posição sobre nada (a não ser música & a vida dos outros) e morrendo de medo sequer de trocar impressões políticas e votos com colegas de redação. As masmorras de Tucanistão guardam silêncios ensurdecedores.

Nestes oito meses de Padilha, foi entremente enriquecedor trabalhardiretamente com o PT, sem intermediários, sem falsos apartidários, sem patrões tucanos que fingem votar nulo (tendo sob seu cabresto toneladas de votos) e sem escamoteações de neutralidade, imparcialidade e nobreza ética.

Como todos os seres humanos, jornalistas também temos lado. Não podermos expressá-lo é uma violência cometida contra nós por quem nos explora expelindo pela boca conceitos-ratoeira de “liberdade de expressão” – isso quando a violência não é cometida por nós mesmos, em nossa funda submissão, subserviência, covardia e falta de amor-próprio.

O aprendizado nas paralelas do PT foi intenso e avassalador, em muitos e muitos e muitos aspectos. A sensação de virar adulto (só) aos 46 anos é meio bizarra pelo adiantado da hora, mas dá um calor danado por dentro. É bom.

Abre parênteses.

Você que é farofafeiro por razões musicais provavelmente não viu nem percebeu, mas a experiência com a política me manteve estritamente próximo da música brasileira. Talvez, pasme, até tenha estreitado meus laços com ela, essa minha grande paixão (embora não a maior de todas, cada vez menos a maior de todas). Viajando pelo estado de São Paulo entre fevereiro e maio, cento e tantas cidades lindas e surpreendentes, senti a necessidade de conhecer e reconhecer a origem musical de minha mãe gaúcha e de meu pai catarinense. Desde então quase só faço ouvir canções caipiras e sertanejas.

Do repertório limitadíssimo que eu possuía, dos maravilhosos Cascatinha & Inhana e de Inezita Barroso, galguei novas montanhas de conhecimento. O processo é penoso, mas rendeu paixões à primeira vista por gente extraordinária como Tião CarreiroJararacaPalmeira e Biá (ah, essa “Boneca Cobiçada” que eu conhecia e desgostava na versão sujeito-estranho de Ney Matogrosso), o gauchão Teixeirinha, tantos e tantos outros.

Fecha parênteses.

O aprendizado foi intenso e avassalador, em muitos e muitos e muitos e muitos aspectos, mas em um aspecto em particular.

Cercado por petistas e simpatizantes durante grande parte do meu tempo desde fevereiro, eu pela primeira vez aprendi no dia a dia o que é a PTfobia. A PTfobia existe e é uma doença d’alma, prima chegada do racismo, da misoginia, da homofobia, da xenofobia, do ódio aos nordestinos, da repulsa por idosos, da gordofobia… – de todas as fobias, enfim.

(Conheci uma vez uma moça que tinha fobia de bolinhas, repara só que exótico: ela era incapaz de ingerir alimentos esféricos do tipo ervilha, grão-de-bico, gema de ovo, couve-de-bruxelas; o que, cacilda?, o que leva uma pessoa a desenvolver fobia pânica por bolinhas?).

Pois então, a materialização da PTfobia foi se dando em mim à medida que eu convivia com o justo oposto da PTfobia. Conviver de perto com petistas e simpatizantes me fez crescer 502 anos em oito meses. Fui me adaptando a essa tomada de consciência conforme ia convivendo com petistas e simpatizantes como estes que lhe dizem olá nas seguintes fotografias (o texto prossegue para lá das fotos).

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Os rostos acima, em sua esmagadora maioria, são diariamente ocultados e sonegados de nós pela mídia braZileira tradicional, conservadora, patronal, militante à direita, europófila, diversidadofóbica (prega a politicofobia, mas sempre faz campanha e vota no lado mais corrupto?, sei, sei, sei). Se mostrados, são invariavelmente retratados de modo subserviente ou, pior, em contexto de marginalização, estigmatização, criminalização: as venenosas travestis, os perigosos sem-terra, as mães-de-santo, os trabalhadores sindicalizados comedores de criancinhas capitalistas. As fobias, todas elas & outras mais.

Foi no percurso deste ano de 2014 que entendi, finalmente, que a PTfobia viceja escondida atrás das grades de ferro, dos vidros blindados, dos fundos de naftalina dos armários. Existe e é prima-irmã das fobias todas.

Você pode não ser gay, negra, gordo, mulher ou nordestino – mas, seja você quem for, você DEVE RESPEITO a TODO MUNDO que não é como você é.

Você pode não votar no PT, você pode votar em quem você quiser, você pode (se) anular – mas você DEVE respeito às trabalhadoras e aos trabalhadoresque são pilares deste BraSil e à obra colossal que o Partido dasTrabalhadoras tem conduzido há (pelo menos) 12 anos neste BraSil colossal que está expresso em cada uma das fotografias acima. De 2002 para cá, oBraSil mudou 502 anos, e só o padecimento de uma dolorosa doença poderia economizá-lo(a) de entender, reconhecer e respeitar esse simples fato.

A bem da redução do ódio, que é filho passivo-agressivo da fobia, seria importante que você soubesse que sua PTfobia é uma doença, e passível de tratamento – como são, de resto, as doenças e fobias, até mesmo, quem diria?, a inexplicável fobia por bolinhas.

Você pode votar em quem quiser, pode até votar na Fobia em pessoa. Só é preciso, se o estiver fazendo, que nós saibamos disso – sobretudo, seria necessário e saudável que VOCÊ soubesse que está votando na Sua Fobia em Pessoa, e parasse de se fazer de vítima, de falso moralista, de indignada de fachada com corruptos selecionados, de gente inofensiva que não faz mal a ninguém e não tem nada a ver com tudo isto que está aí.

O armário é um lugar que pode até parecer aconchegante e confortável, mas não é – aqui fora o ar é bem mais puro. Por ora, fiquemos com Tião Carreiro & Pardinho. FAROFAFÁ vem voltando devagarinho.

Editor de FAROFAFÁ, jornalista e crítico musical desde 1995, autor de "Tropicalismo - Decadência Bonita do Samba" (Boitempo, 2000) e "Como Dois e Dois São Cinco - Roberto Carlos (& Erasmo & Wanderléa)" (Boitempo, 2004)
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